É comum que as profissões técnicas tenham três especializações: o projeto, que é proporcionalmente melhor remunerado, pois é primordial que seja feito, é relativamente fácil de fazer, o ambiente de trabalho é um escritório e a remuneração pode chegar, em alguns casos, a 15% do total a ser investido, mas seu produto não passa de um monte de papel ou de arquivos. A segunda é a instalação, essa é a que produz maior satisfação, pois o resultado aparece, se materializa. Nessa fase é onde os maiores investimentos são feitos e pode-se aqui ganhar um bom dinheiro, e o melhor de tudo, para quem faz bem feito, acabou, vai embora, não tem mais dor de cabeça. O problema reside em reformas, pois essas são sempre mais difíceis de fazer do que algo novo. E a terceira é a manutenção, o patinho feio do processo. É aquela que só é lembrada quando há problemas, e é normalmente a que recebe os menores investimentos, pois, se tudo funciona, é desnecessária, se algo está errado, procura-se o irresponsável que deixou aquilo ocorrer, logo é mal remunerada. Mas existe uma característica importante que distingue os bons dos maus mantenedores, é a capacidade de diferenciar a causa da consequência. E essa é a peculiaridade que aproxima essa profissão, por exemplo, à dos médicos. Ambos analisam algum sintoma, fazem medições e análises, propõem alguma solução e repete-se o ciclo até que se resolva o problema ou decidam que esse não tem mais solução, no caso técnico descarta, no caso médico, enterra.
Diante das atuais e repetidas catástrofes me vejo diante da mesma pergunta: o que é causa e o que é consequência? Claro, a consequência maior é a morte de tantas pessoas, mas muitas delas foram as que construíram ou habitaram locais impróprios. Há locais que são propícios a esses deslizamentos, então por que são ocupados? No caso das enchentes, os rios invadem as mesmas casas ou estradas que invadiram as suas margens, oras, se as casas ou pistas não estivessem lá o rio encheria e esvaziaria e não haveria problemas. Logo vem os profetas do apocalipse culpar o aquecimento global, porque há 50 anos essas enchentes ou chuvas intensas não ocorriam. Pode ser que sim, ou não. Não sou cientista, mas pelo pouco que sei a terra já passou por diversos períodos de glaciação e de interglaciação, como esse que estamos agora, em são cerca de 10.000 anos de tempo quente e 90.000 anos de períodos frios. Não acredito naqueles que são radicais do sim e tampouco do não, mas entendo que a melhor solução para a maioria dos problemas é a redução da população.
Os recursos providos pela terra apesar de abundantes são limitados, e com uma população de mais de 6 bilhões de habitantes com projeções de sermos 9 bilhões devem produzir um alerta, pois sobra pouco para cada um e aliado ao uso desmedido o desastre é certo. Com a metade da população projetada haveria mais recursos para cada um, a riqueza per capita seria maior, seria possível prover maior educação o que iria garantir a ocupação mais racional do ambiente evitando tragédias e garantindo maior qualidade de vida. Nos países mais ricos a taxa de fecundidade é baixa ficando aquém da taxa de reposição que é de 2 filhos por casal, mas nos países pobres ou em desenvolvimento a fecundidade é alta e os desastres naturais produzem um número maior de vítimas. O fator comum nesse caso é a educação, ou melhor, a falta dela. Um país onde a educação é priorizada produz riqueza, se desenvolve e cria tecnologia que previne desastre, e o maio exemplo disso é o Japão. Se há um lugar em que ninguém escolheria para morar a não ser para ganhar dinheiro é o Japão. Uma pequena e gelada ilha que é super-habitada, que tem furacão, terremoto, enchente nevasca e sujeita a tsunamis, mas que a cada desastre se mostra cada vez mais capaz de conviver com eles. Além da tecnologia empregada nas soluções preventivas, há o elevado nível educacional que é ao mesmo tempo a sua causa e sua a conseqüência.
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