Política, economia, tecnologia, educação e esportes são os meus assuntos preferidos, mas de nenhum gosto tanto quanto falar mal de alguém ou de alguma coisa, e como ainda é cedo, embora eu já tenha motivos, para reclamar do novo governo, quero falar sobre a cerimônia de posse – quanto amadorismo!
É apenas uma questão de tempo, mas o Brasil fará parte do grupo dos países mais poderosos do planeta sob qualquer aspecto que se queira analisar. Afirmo isso por causa da dimensão, da população numerosa e das extensas riquezas naturais, conjunto que, por si, lhe dará condição de liderar o mundo junto da China, Índia, Rússia, Estados Unidos, Alemanha e Japão. Há anos nosso país pleiteia, com justiça, assento permanente no restritíssimo conselho de segurança da ONU, o que é seguidamente negado sob alegação velada de que não somos potência nuclear, o que é verdade, mas podemos ser potência do chamado soft Power, que é o poder do convencimento utilizado para resolver conflitos, mas para isso devemos, em primeiro lugar, nos darmos o devido respeito, e esse é o ponto.
A tradição e o cerimonial conferem credibilidade às instituições, como exemplo podemos citar uma missa, uma cerimônia de casamento, uma parada militar, enfim, até mesmo quando se entoa os hinos dos países nos jogos da copa do mundo. Todos reconhecem naquele momento o valor e a credibilidade do momento e dos envolvidos, mas não foi isso que vimos na cerimônia de posse da nossa presidente. Os encarregados de organizá-la não se mostraram à altura da incumbência que lhes foi dedicada.
Iniciou com o atraso de meia hora, imperdoável quando se tem autoridades, principalmente estrangeiras como convidados. A troca de carros feita na chuva nas proximidades da catedral foi uma cena patética, assessores correndo com guarda-chuvas entre um lado e outro como insetos saindo de um bueiro. Todo mundo sabe que essa é uma época de chuva, e que a possibilidade disso ocorrer é grande, bastava fazer uma estrutura em forma de arco sobre a avenida que tivesse uns 10m de largura e que pudesse receber uma cobertura removível, como plástico transparente. Se tivesse sol, seria retirada em poucos minutos, em caso de chuva protegeria os envolvidos. Sim, é preciso ser gênio para pensar algo desse tipo, reconheço.
A presidente não pode subir a rampa de entrada do congresso pelo mesmo motivo, mas pelo menos tinham um plano B, no entanto o caminho estava abarrotado de gente, sendo, em sua maioria, nossos congressistas que não deixavam o caminho livre, por si só já seria imperdoável, mas eles se superaram, ficaram em pé no corredor central e à frente dos convidados estrangeiros que estavam sentados nas primeiras filas de cadeiras. Que a presidente quebrasse o protocolo, vá lá, isso faz parte do jogo de cena, mas as grotescas cenas dos puxa-sacos foi ridícula.
Nos Estados Unidos, a cada cerimônia de assinatura de uma lei importante, o presidente utiliza uma caneta especial, marcada de simbolismo e que nunca mais será utilizada, e na assinatura do termo de posse, momento especial da nossa democracia, a nossa presidente não tinha caneta! O presidente da Câmara, deputado Marco Maia chegou a emprestar uma que foi substituída na última hora pela caneta do presidente do Congresso, senador José Sarney. Mandou a maior autoridade, o real poderoso de Brasília ( e do Maranhão). Horrível!
Em plena época de florescente tecnologia digital a presidente precisou segurar, com as duas mãos, a pasta com os termos do juramento, o que tomava grande parte da cena. Qualquer diretor de cinema classe E teria colocado um tele-prompter transparente, e a presidente, assim como o vice, fariam o juramento com a mão direita estendida. Todo mundo já viu essa cena antes, até mesmo na formatura da educação infantil existe situação melhor resolvida. Na leitura do discurso foi colocado um caixotinho sobre a mesa para que ela pudesse apoiar as folhas, tudo bem que o caixote estava enfeitado com o brazão da república, mas que cena bizarra!
Depois de ter ouvido o correto discurso da presidente, que em vários momentos parecia o programa de governo do José Serra, começou a discursar o presidente do congresso, resolvi então assistir a um seriado americano, pois se nem mesmo conseguir fazer decentemente uma reles cerimônia, como pretendemos entrar pela porta da frente na comunidade internacional? Ninguém quer negócios com o “jeitinho brasileiro”. Para assuntos transnacionais precisa-se de seriedade e competência. Espero, sinceramente, que o governo tenha um bom desempenho e que esse momento desastrado tenha sido apenas isso, um momento.
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