Não que a pessoa se torne santa quando morre, mas, pelas informações dadas até aquele momento, os ignorantes que escreviam não o conheciam, logo não podiam julgá-lo, além do que, no mínimo devem respeito aos familiares. Outros equívocos se deram sobre as circunstâncias do acidente, por exemplo. Pelo horário do ocorrido, alguns o caracterizavam como alguém que utilizava a bicicleta como meio de transporte, o que é errado, a bicicleta envolvida era uma Pinarello, e quem conhece sabe, essa marca é considerada a Ferrari das biciletas, portanto ele era um esportista já com alguma experiência. Some-se também o fato de que, quem pedala naquela região está buscando resultado, pois os aclives são fortes.
Outros disseram que naquele ponto o acostamento da Washington Luiz é bom, então qual seria o motivo dele ter entrado na pista? O pneu da bicicleta do modelo speed tem uma pequena área de contato, justamente para reduzir o atrito e ganhar mais velocidade, e naquele local, onde a velocidade final pode passar de 70km/h, um pedaço de cana jogado no acostamento pode derrubar o ciclista, e a reação imediata é desviar. E pedaço de cana é o que não falta naquela região. Quem utiliza esse tipo de bicicleta também sabe que a camada de borracha desse tipo de pneu é muito fina para que ele se torne leve, aliada a alta pressão, entre 100 e 120 libras, um simples fiapo de cabo de aço de poucos décimos de milímetro de espessura, desses que são encontrados em abundância nos acostamentos das rodovias, pois soltam-se dos pneus de caminhões, é suficiente para furar o pneu da bicicleta. Isso já me aconteceu diversas vezes, logo, quando vejo esse tipo de cabo de aço trato logo de desviar. Assim, não basta que o acostamento seja regularmente pavimentado, deve também estar limpo, inclusive de graxas, óleos e barro que infestam as laterais das pistas.
Viajando pelas rodovias paulistas é comum ver ciclistas individuais ou em grupos pedalando pelos acostamentos, ontem mesmo, na Anhanguera, vi um pelotão com cerca de 10 ciclistas e também várias duplas. O que ocorre é que as nossas cidades não oferecem alternativas seguras para quem pratica esse esporte e as nossas autoridades não conhecem o problema e imagino que nem querem conhecer, pois, conhecendo, têm que tomar alguma atitude, que passa a ser um problema a mais a ser resolvido. É mais fácil considerar essa morte como uma fatal vítima de atropelamento no trânsito, que entra na estatística, mas não há nada a ser feito. Em outros países a mobilidade urbana e o transporte não poluente são considerados estratégicos, mas não aqui. Na Holanda há estacionamentos gigantescos para bicicletas, muitas faixas exclusivas e espaços para essas dentro dos trens.
Em São Francisco, na Califórnia, há espaço nos barcos e ciclofaixas em muitas vias consideradas artérias, onde não há, os ciclistas andam pelas estradas, mas há sinalização alertando.
Aqui, como o descaso é geral, nada vai mudar, a não ser que se veja aí uma boa oportunidade para sobrefaturar as obras e aumentar o próprio patrimônio em dezenas de vezes em curto espaço de tempo.

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