quarta-feira, 8 de junho de 2011

Acidente 2.

      Ontem ao chegar de viagem duas pessoas me falaram sobre o acidente que vitimou um médico dermatologista e ciclista de Araraquara na descida do Chibarro, local por onde já passei por diversas vezes e pretendo passar por outras tantas mais. Ao ler a notícia em um site local vi também alguns comentários, sendo uns completos absurdos.

      Não que a pessoa se torne santa quando morre, mas, pelas informações dadas até aquele momento, os ignorantes que escreviam não o conheciam, logo não podiam julgá-lo, além do que, no mínimo devem respeito aos familiares. Outros equívocos se deram sobre as circunstâncias do acidente, por exemplo. Pelo horário do ocorrido, alguns o caracterizavam como alguém que utilizava a bicicleta como meio de transporte, o que é errado, a bicicleta envolvida era uma Pinarello, e quem conhece sabe, essa marca é considerada a Ferrari das biciletas, portanto ele era um esportista já com alguma experiência. Some-se também o fato de que, quem pedala naquela região está buscando resultado, pois os aclives são fortes.

      Outros disseram que naquele ponto o acostamento da Washington Luiz é bom, então qual seria o motivo dele ter entrado na pista? O pneu da bicicleta do modelo speed tem uma pequena área de contato, justamente para reduzir o atrito e ganhar mais velocidade, e naquele local, onde a velocidade final pode passar de 70km/h, um pedaço de cana jogado no acostamento pode derrubar o ciclista, e a reação imediata é desviar. E pedaço de cana é o que não falta naquela região. Quem utiliza esse tipo de bicicleta também sabe que a camada de borracha desse tipo de pneu é muito fina para que ele se torne leve, aliada a alta pressão, entre 100 e 120 libras, um simples fiapo de cabo de aço de poucos décimos de milímetro de espessura, desses que são encontrados em abundância nos acostamentos das rodovias, pois soltam-se dos pneus de caminhões, é suficiente para furar o pneu da bicicleta. Isso já me aconteceu diversas vezes, logo, quando vejo esse tipo de cabo de aço trato logo de desviar. Assim, não basta que o acostamento seja regularmente pavimentado, deve também estar limpo, inclusive de graxas, óleos e barro que infestam as laterais das pistas.

      Viajando pelas rodovias paulistas é comum ver ciclistas individuais ou em grupos pedalando pelos acostamentos, ontem mesmo, na Anhanguera, vi um pelotão com cerca de 10 ciclistas e também várias duplas. O que ocorre é que as nossas cidades não oferecem alternativas seguras para quem pratica esse esporte e as nossas autoridades não conhecem o problema e imagino que nem querem conhecer, pois, conhecendo, têm que tomar alguma atitude, que passa a ser um problema a mais a ser resolvido. É mais fácil considerar essa morte como uma fatal vítima de atropelamento no trânsito, que entra na estatística, mas não há nada a ser feito. Em outros países a mobilidade urbana e o transporte não poluente são considerados estratégicos, mas não aqui. Na Holanda há estacionamentos gigantescos para bicicletas, muitas faixas exclusivas e espaços para essas dentro dos trens.





      Em São Francisco, na Califórnia, há espaço nos barcos e ciclofaixas em muitas vias consideradas artérias, onde não há, os ciclistas andam pelas estradas, mas há sinalização alertando.





      Em Houston, no Texas, além de ciclovias em várias avenidas, há também sinalização avisando que bicicleta é veículo.

                                    
                                    
      Aqui, como o descaso é geral, nada vai mudar, a não ser que se veja aí uma boa oportunidade para sobrefaturar as obras e aumentar o próprio patrimônio em dezenas de vezes em curto espaço de tempo.

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