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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Canário Enjaulado Também Canta...

      Essa natureza… quem disse que canário na gaiola não canta? Ontem um canário vermelho, do núcleo duro do PT, enjaulado há um ano trinou, e trinou bonito…O canário preso, da língua presa, soltou o verbo. Com cara de assustado e necessitando fechar um acordo para reduzir o período de exílio quiz mostrar serviço e abriu o bico. Foi o primeiro desse círculo tão hermético até então, e se for bem sucedido, outros virão.

      Pelo que entendi até o governo do PT vários políticos nos roubavam, a partir deles são poucos aqueles em que ainda podemos confiar e a diferença do atual governo para os do PT é que esse entende mais de economia e está colocando a economia no caminho certo. A inflação está caindo, os juros também, consequentemente há a redução da dívida pública, a economia deixou de cair e até ensaia um pequeno crescimento, já é o terceiro mês consecutivo em que o número de vagas abertas supera o número de demissões, enfim, só o fato de ter deixado de piorar já pode ser considerado uma boa notícia.

      Já ouvimos a chiadeira contra a privatização da Eletrobrás. É pouco. Se fosse por mim eu fecharia o BNDES e venderia o Banco do Brasil, os Correios e a Petrobras, no mínimo, pois ainda estou pensando sobre as universidades federais . Reduzir o tamanho do estado é primordial para o desenvolvimento do país, além do que, em todos os organismos que o governo controla abre-se a possibilidade de corrupção.

      Os mais de 50 milhões de reais (mais de 2 milhões de dólares incluídos) encontrados no apartamento na Graça, aqui em Salvador, é um tapa na nossa cara. Isso é mesmo que dizer pra gente, vocês são uns idiotas, uns merdas… e tenho que admitir, somos mesmo. E até podemos pensar: é só isso? Haverá mais escondido? Não é difícil imaginar a resposta…

      Como dizia um amigo, para o Brasil só tem duas saídas: Cumbica e Galeão. Por força das minhas atividades atuais percorri alguns bairros de Salvador e até algumas ruas centrais nas quais eu havia passado de carro apenas. A minha conclusão foi: nós levamos uma vida higienizada, quase que vivemos dentro de uma bolha. Não temos a dimensão da realidade. Nas ruas as pequenas corrupções são muitas, mas isso será tema para outro post, por agora basta dizer que a ladroagem está impregnada na nossa sociedade, de cima abaixo. Das pequenas nas ruas às malas de dinheiro em apartamentos, restaurantes de luxo, gabinetes e em contas no exterior. 

      Não será a nossa geração que irá ver o fim desse descalabro, portanto, devemos criar condições para que nossos filhos e netos possam viver em um país melhor.

domingo, 26 de junho de 2016

Governabilidade Em Cheque

 No livro Diários da Presidência, 1995 / 1996 - O ex presidente FHC relata, na página 507, o dia 22/03/1996, no qual ele recebe alguns deputados do Rio de Janeiro. Segue o texto: …"Na verdade o que eles querem é nomear o Eduardo Cunha diretor comercial da Petrobras! Imagina! O Eduardo Cunha foi presidente da Telerj, nós o tiramos de lá no tempo de Itamar porque ele tinha trapalhadas, ele veio da época do Collor… e que há, sim, problemas com esse nome. Enfim, não cedemos à nomeação".

      Não creio que o deputado e presidente afastado da câmara, Eduardo Cunha, vá manter o mandato. Ele será cassado. Para o processo pode ser relevante saber se ele mentiu ou não ao dizer que as contas em bancos Suíços não são deles mas de um trust. O que posso afirmar é que o mar dele não está para peixe. Já são cinco as investigações contra ele autorizadas pelo Supremo Tribuna Federal, que embora corram sob segredo de justiça, o que se comenta é que se tratam de crimes como corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Em março passado ele se tornou réu na operação Lava Jato por supostamente ter recebido cinco milhões de dólares por operações que envolveram a Petrobras, e há também algum imbróglio com o Porto Maravilha. A situação fica pior ainda quando se sabe que na atual conjuntura, o vice-presidente da república é justamente o presidente da Câmara.

      Apesar da relevância da situação, da necessidade de esclarecimentos e do respectivo julgamento, a importância do caso Cunha é ínfima se comparada ao desgoverno e falcatruas geradas durante as administrações do PT. Quando o ex-presidente Lula ainda fazia parte da “esquerda raivosa” e perdeu a eleição para o ex-presidente Collor, o que se dizia era que se o PT tivesse ganhado as eleições economizaríamos 4 anos. Hoje isso faz sentido, pois eles teriam feito em 4 anos o estrago que agora levaram 13 anos para fazer. Quando a liderança do partido deixou de ser de militantes sindicalistas e passou a ser de pragmáticos funcionários públicos o partido se popularizou, ganhou eleições e montou um plano de permanência no poder e deu no que deu. Cada escândalo que é descoberto supera o anterior em valores desviados, em número de envolvidos e sofisticação. Esquema que funcionou até que alguns presos começaram a abrir o bico e as entranhas da corrupção vão ficando expostas.

      Dói, como brasileiro, chegar à conclusão que fomos ludibriados, e o pior é ver que para muitos o crime compensa. Para que a delação ocorra estão sendo concedidos muitos benefícios e ladrões confessos devolvem parte do que roubaram, pegam penas simbólicas e vão continuar levando uma vida luxuosa, tendo apenas poucas restrições e por pouco tempo. Espero que pelo menos diante desse quadro, outros presos que até aqui estão calados como o Marcos Valério, o José Dirceu e o João Vaccari, se não pela própria consciência, mas pelo benefício que pode ser atingido, escancarem de vez as portas e denunciem todos os envolvidos, não importando a qual partido pertençam e muito menos a qual cargo ocupem.

      A governabilidade está em cheque, em todos os poderes há gente envolvida em falcatruas, mas que a justiça seja feita e um redesenho político seja encontrado, pois a democracia precisa ser mantida.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Por que é mais forte quem sabe mentir?

      O projeto de governo do PT está ruindo. O governo do PT já ruiu. Sucumbiram ao enriquecimento fácil às custas de quem paga impostos. Deixaram de governar para explicar o inexplicável. Como dizem, nem carcereiro tem tantos amigos presos como o ex-presidente Lula. Aliás, o Lula está preso e não sabe.

      O instituto Lula afirmou (mas é mais fácil acreditar em papai noel) que o ex-presidente não tem celular. Se ele não sabe vou avisando, os presos arrumam isso com uma facilidade tremenda. O Lula não assistiu a nenhum jogo da copa do mundo realizada no Brasil pois seria vaiado. Ele não pode ir a restaurantes, viajar em voos comerciais, sair às ruas sem um séquito de seguranças. Como todos os petistas conhecidos, provavelmente, será hostilizado. Ele não pode mais frequentar o sítio no qual ele foi mais de cem vezes. Não pode mais por os pés no triplex do Guarujá, no qual, em algum momento, cogitou morar. Isso é vida? Isso é liberdade? Hoje ele é um homem rico, teria ganhado milhões de reais por palestras bancadas por empreiteiras que têm negócios com o governo que ele havia acabado de deixar. Se isso não é ilegal, pelo menos é de moral duvidosa, mas vá lá, ficou rico, mas não pode sair de casa.

      Só resta a ele eventos fechados e com público selecionado onde ele chega e sai como um fantasma. A maior evidência de que o fim está próximo foi o confronto provocado por “militantes” no depoimento que não houve. Quem parte para a violência é porque perdeu a razão.

      Isso tudo poderia se resolver de uma forma tão simples, como diz um amigo meu, a verdade é que salva. Basta falar a verdade. Não dá mais para ficar nos clichês: estamos colaborando com a justiça. Todas as contas foram aprovadas pela justiça. Existe escritura do tal sítio. O meu filho é o Ronaldinho dos negócios. É tudo invenção da elite que não se conforma com um governo popular… Me poupem.

      No Brasil, política é profissão, e tais profissionais fizeram as leis para se proteger da população quando deveriam proteger a população do governo, e como diz a música do Renato Russo, por que é mais forte quem sabe mentir? 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O Lula Venceu e votarei nele nas próximas eleições.

      O Lula Venceu e votarei nele nas próximas eleições.

      O Lula teve o meu voto contra o Collor e não sei se fiz bem ou mal, porque ele perdeu as eleições, mas nunca mais votei nele apesar de ter votado em alguns candidatos do PT, porém ele terá o meu voto nas próximas eleições.

      O Lula já venceu e, para mim, o seu maior legado foi ter dividido o país entre nós e eles. O ser nós ou eles depende da conveniência. No palanque nós somos os pobres, e eles, as elites que são contra os pobres, mas na hora de tomar o governo em um projeto perpétuo de poder e de enriquecimento de pessoas e do partido, somos parte da elite mas não contem nada a ninguém. Afinal, que as relações foram muito estreitas com donos e diretores das maiores empreiteiras do país lá isso foram.

      O Lula não pode ser preso, pois irá virar mártir, o que seria ruim para a própria presidente que acabaria sendo perseguida por um cadaver insepulto. Pelo mesmo motivo ele não pode morrer, pois não será enterrado tão cedo. Assim a ele só resta a próxima eleição, pois vencendo continuará acobertando os desmando das administrações petistas. Não existe possibilidade dele não ser candidato em 2018.

      O Lula ainda controla os chamados movimentos sociais. Pois esses grupos, um dos quais ele chamou de exército do Stédile, não estariam tão calados em face às medidas adotadas pelo Ministro da Economia Joaquim Levy, que são frontalmente contra as do antecessor. Tais movimentos já teriam ocupado as ruas, estradas, fazendas, repartições e autarquias.

      O Lula não pode perder as próximas eleições, pois o país ficará ingovernável. Se a atual presidente conseguir terminar o mandato a economia estará muito ruim, porque ruim já está faz tempo. Qualquer um terá que tomar medidas drásticas e haverá recessão forte por alguns anos. Depois de sofrer por tanto tempo ninguém aguentará e com a paciência esgotada, com a pressão militante que só PT sabe fazer, com os tais movimentos sociais ativos e com a divisão nós, os pobres perseguidos, não há quem governe, assim a alternativa seria a ditadura, e adeus democracia, o que seria uma lástima.

      O Lula, presidente, terá que fazer os ajustes que os outros não serão capazes de fazer, logo entendo que é a única esperança para o Brasil sair do buraco.

      O Lula já me humilhou quando, logo após a posse do primeiro mandato mandou construir uma estrela vermelha nos jardins do palácio do Planalto. Para mim já era caso de impedimento, pois o palácio é a residência do presidente do Brasil e não propriedade de um partido. Também me humilhou com atitudes fascistas como na tentativa de expulsão do jornalista americano e na dos pilotos também americanos. Ainda que eu não goste da figura do Lula, das suas atitudes e dos seus governos, não vejo alternativa. O Lula venceu e terá o meu voto nas próximas eleições.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Tchau Aécio, vá descansar e volte daqui a quatro anos com um plano melhor.

          Desde que ouvi, na Voz do Brasil, o Aécio dizendo que o voto não poderia ser facultativo porque a nossa democracia ainda não está madura, eu já sabia que ele não teria o meu voto. No entanto, se eu tivesse que decidir entre ele e a Dilma eu votaria nele. Não o farei pois estou no limbo. Quando me mudei para a Bahia já havia terminado o período para a transferência do domicílio eleitoral, e é muito alto o custo para ir a São Carlos para votar. Assim, o Aécio perdeu o meu voto e, provavelmente, o de minha família.

          Eu votaria no Aécio contra a Dilma porque acho que a presidente faz um péssimo governo e eu poderia passar horas discorrendo sobre isso, e mais, o PT, partido da presidente, montou uma quadrilha, instrumentalizou as funções públicas e seus objetivos não são republicanos, seu valor maior é assaltar o erário, o que faz com maestria.

          Usando minhas faculdades de vidente ouso arriscar um palpite: a Dilma ganhará as eleições no próximo domingo. Fundamento a minha previsão em dois motivos, primeiro, o atual modelo de campanha não prioriza programas ou ideias, mas apenas a sensação e emoção. Segundo, a oposição de hoje não tem capilaridade comparável à do PT.

          Apesar de ser uma colcha de retalhos e fisiológico, hoje, o PMDB, é o único partido no Brasil capaz de tirar o PT do governo, mas como ele faz parte da coalizão, aqueles continuarão no comando da nação.

          Para ganhar as eleições o candidato precisa estar próximo do voto e o PMDB está. É um partido grande em todos os sentidos, tem grandes bancadas em todas as esferas de poder e em todos os cargos e isso ocorre porque é organizado em todos os municípios. Essa malha é capaz de alavancar qualquer candidatura e minar a adversária.

          No Brasil ninguém consegue governar sem o PMDB, e ele descobriu uma fórmula infalível, sendo o coadjuvante, participa do bonus dos acertos e se desconecta do onus dos erros. Nunca é vidraça e sempre é estilingue. Ataca os adversários e faz muxoxo para aumentar a sua participação. Se passa por cordeiro mas, na verdade, é predador, tanto contra os adversário quanto contra os aliados. Gera o “fogo amigo" e não pode ser punido, pois sempre ameaça pular do barco deixando-o à deriva.

          Como ninguém é tonto para cortar a própria carne, não se deve esperar dos políticos uma reforma eleitoral drástica que corrija todos os vícios hoje existentes, assim, não haverá mudança significativa a curto prazo. Logo, tchau Aécio, vá descansar e volte daqui a quatro anos com um plano melhor.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Que Abra O Bico


      Ainda é cedo para fazer afirmações, pois sem que as sentenças sejam promulgadas e o julgamento concluído os juízes podem mudar o voto. É improvável, mas é possível que os hoje condenados sejam absolvidos com a mesma bela retórica que foi utilizada nos votos acusatórios.

      Os aspectos técnicos fazem parte do processo e não serão os leigos que apontarão falhas processuais uma vez que o julgamento se deu na mais alta corte do país. Nessa instância não há recurso possível a não ser a ela mesma, e aqueles que falam em recorrer a organismos externos como a Organização dos Estados Americanos (OEA) bem sabem da inutilidade de tal recurso, pois o Brasil é um país soberano cujas instituições estão ativas.

      Independe quem são os hoje condenados. Independe quais cargos eles ocupavam à época e os que ocupam hoje. O importante é que ficou estabelecido pela justiça que o Mensalão existiu. Portanto ficou claro que houve o desvio de dinheiro público e arrecadação de dinheiro privado para comprar apoio de partidos e de dirigentes partidários a fim de ampliar a base do governo do chefiado pelo PT, e isso me entristece.

      Não tenho pertenço ao quadro de nenhum partido político e por isso tenho liberdade para votar de acordo com a minha consciência e o faço sem ter a necessidade de votar em quem irá ganhar. Assim já votei em ganhadores e perdedores principalmente dos partidos PT, PV, PMDB e PSDB, e o PT me decepcionou. Na abertura da reunião Ministerial ocorrida na Granja do Torto, em Brasília, no dia 12 de agosto de 2005, o ex-presidente Lula discursou e pediu desculpas a todos os brasileiros pelos erros cometidos pelos integrantes de seu governo, partido e aliados. http://globotv.globo.com/globo-news/globo-news/v/lula-discursa-a-nacao-e-pede-desculpa-pelo-mensalao/2055082/ , porém depois disso virou o discurso e caiu em vala comum. O PT passou a ser apenas mais um partido que não tem um projeto para o país, mas o tem apenas para se apropriar do governo.

      Eu bem que gostaria de ter em minha biografia a luta contra a ditadura como muitos dos dirigentes do PT possuem, mas quando essa foi deflagrada eu era criança e quando ela acabou eu era adolescente. Sempre fui fã daqueles que dedicaram a sua vida a construir um país livre e socialmente justo, mas não consigo entender se a mudança de rumo se deu por má fé ou ingenuidade.

      Pelo que tenho lido as penas serão somadas e é possível que alguns dos condenados venham a ser presos, o que por si, é sintomático e didático, pois transmitiria a mensagem de que ninguém está acima da lei, isso poderia coibir futuros abusos. Mas eu não concordo. No meu entendimento a cadeia deveria ser o último recurso e aplicável aos transgressores contumazes e, principalmente, àqueles autores de crimes violentos, como assalto a mão armada, sequestro, estupro e latrocínio. Aos demais a pena seria a perda de oportunidade de trabalhar no governo ou ter negócios com o governo, além de devolver o dinheiro desviado e de pagar pesadas multas.

      A militância e o partido prometem um ato de desagravo elogiando seus “companheiros” e criticando a suposta perseguição elitista capitaneada pela imprensa “vendida”. Besteira pura. Houve sim crime e quem quiser melhorar a situação que “abra o bico”. Conte o que sabe e, principalmente, quem realmente foi o chefe. O país agradecerá.

sábado, 23 de junho de 2012

Apenas Por Um Instante


      Foi em 1999 e apenas por um instante. Foi um momento muito rápido, o tempo necessário para assinalar um X. Na boca da urna tomei a decisão e cravei o meu voto, esperança, e principalmente, acreditei no então candidato Lula. No primeiro turno eu havia votado no Mário Covas, mas no segundo não consegui acreditar no pretenso “Caçador de Marajás” que prometia derrotar o “Tigre da Inflação” com apenas uma bala. Por falta de opção votei no PT que não levou. Mas o nosso dinheiro foi tungado pelo malfadado plano Collor capitaneado pela então ministra da economia Zélia Cardoso de Mello e devolvido em parcelas pelo governo do PSDB vários anos depois num cálculo que somente especialistas poderiam dizer se foi justo ou não.

      Em 2002, apesar de ter votado PSDB, não me senti derrotado com a vitória do PT, pois acredito que a alternância de poder faz bem à democracia. Hoje, ao contrário da maioria, avalio que o governo do Lula foi medíocre. Talvez ele seja, junto com o ex-ditador Getúlio Vargas, o mais popular dos políticos brasileiros, mas a popularidade não é sinônimo de qualidade. Uns trocados a mais no bolso dão popularidade e resolvem problemas imediatos, mas não os estruturais que poderiam nos deixar no real caminho do desenvolvimento social e econômico. Melhoramos nossa posição surfando a onda de prosperidade mundial que agora se desmanchou na praia e o nosso crescimento voltou ao seu real valor, quase nada.

      Nunca acreditei que o ex-presidente Lula fosse o imbatível estrategista político apenas por ter tirado da cartola a candidatura da administradora conhecida, mas palanqueira inexperiente Dilma Rouseff, e a tornado presidente, pois não foi a sua popularidade que gerou o resultado, mas sim a economia, afinal ele foi derrotado três vezes nas corridas presidenciais sendo duas por goleada, ainda no primeiro turno. Ainda que a estória se repita e o ex-ministro Fernando Haddad venha a ser eleito prefeito da capital paulista, não haverá vitória. Terá sido a mais acachapante derrota do ex-presidente. Ele já perdeu antes mesmo do jogo começar.

      Sempre considerei o ex-presidente Lula um político de sorte, esperto e matreiro. Considerando o nosso quadro político eu também entendia que ele, aliado ao seu partido, era o único com possibilidade de fazer algo concreto para moralizar a política no Brasil. A minha ilusão começou a esmaecer quando ele veio a público, em horário nobre, se desculpar pelos desvios de seus aliados naquilo que ficou conhecido como “Mensalão” , cujos participantes deverão ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal a partir de agosto próximo. Naquele momento vi que nem mesmo o PT merecia a credibilidade que eu imaginava. Pior ficou a situação quando o vi as alianças que estavam sendo formadas para garantir a tal governabilidade. Para manter não apenas a maioria absoluta, porém quase que a unanimidade, o governo Lula jogou às favas a sua estória e se aliou àquilo que de pior há na política brasileira, o fisiologismo e incompetência histórica, incluindo dois ex-presidentes, Sarney e Collor.

      Não bastasse isso, o Lula tenta reescrever a história, como se fosse possível debitar à sociedade e não a si mesmo e ao seu partido a existência do “Mensalão”.  Às vezes nega a existência, e em outras diz que não há nada de irregular no comportamento dos “companheiros” pois eles apenas fizeram o que todos fazem. A essa altura do campeonato eu já estava invocando o Raul Seixas e pedindo: pare o mundo que eu quero descer!

      Mas como eu já repeti aqui várias vezes: para o pior não tem limite. Nessa semana o presidente de honra do PT extrapolou e perdeu. Perdeu de goleada. Foi massacrado com requintes de crueldade por aquele que representou por muito tempo a antítese do pensamento petista. O Lula desceu de seu pedestal e foi humilhantemente e com registro de toda a imprensa aos jardins da mansão do único político profissional brasileiro que não pode colocar os pés fora do Brasil pois será detido pela Interpol, o senhor Paulo Salim Maluf. Será uma imagem eterna e mancha perene na biografia do Lula a constrangedora congratulação pelo apoio do Maluf à candidatura do Haddad. A história do PT e do próprio Lula foi barganhado por um minuto e alguns segundos de horário político no rádio e televisão. O Maluf, com seu sorriso característico se vingou de toda oposição que recebeu do PT durante todos esses anos.

      A minha sandice por ter, pelo menos por um instante, acreditado na boa intenção do ex-presidente Lula e sua trupe me insere cada vez mais na frase do já falecido economista e ex-ministro Roberto Campos: no Brasil a burrice tem um passado glorioso e um futuro promissor.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Que Deselegância!


      Sou torcedor do São Paulo e às vezes me pego em discussões intermináveis e inúteis sobre futebol, mas na política sou militante do PC – Partido do César, e voto de acordo com as minhas convicções. Sou a favor da democracia e da justiça social, mas entendo ser justo que cada um possua de acordo com a sua condição e capacidade. Não acredito no estado mantenedor e muito menos tutor das pessoas, cabe ao governo a tarefa de criar condições para que todos possam se desenvolver, apenas isso. Por isso não voto em partidos, mas em pessoas que naquele momento eu acredito que possam fazer a diferença. Já acertei e errei, isso faz parte do processo.

      Não gostei da administração Lula. Ele acertou no que não interveio, como na economia, mas errou naquilo que igualou o PT aos demais partidos, como no mensalão e outros desmandos. Com a sua carismática liderança deixou a desejar na transformação do país. Não basta jactar-se com estatísticas econômicas, o que faltou foi institucional. Foi moralizar o serviço público e as atividades políticas. No momento, apenas ele tem cacife político para tal empreitada.

      Por conseqüência também não ando apreciando a administração da Dilma. Obrigada a aceitar a carga de um ministério inadiministrável e incompetente foi nos dois primeiros anos de seu governo obrigada a debelar as crises denunciadas pela imprensa, além do que, como as ondas demoram para atravessar o Atlântico, a crise econômica ainda não chegou aqui, mas é questão de tempo. A inflação está represada, pois não se contém preços, como o dos combustíveis, ou os juros por decreto ou no berro, mas com atitudes, como reduzir o tamanho do estado e tornar a administração eficiente, mas essa semana devo elogiá-la e defendê-la.

      Ainda que não tenham sido do executivo, duas proposições tornaram-se leis, foram sancionadas pela presidente e passaram a ser efetivas a partir dessa semana. A lei do acesso às informações, que permitirá que sociedade tenha acesso aos documentos não sigilosos do governo, e se o Supremo Tribunal Federal deixar, até mesmo conhecer os salários dos servidores. E a instalação da Comissão da Verdade. Apesar do longo prazo despendido para a sua instalação, essa me pareceu equilibrada e capacitada para esclarecer os crimes praticados tanto pelo governo quanto por militantes durante o período da ditadura militar. É claro que a perda de qualquer vida é um custo impagável para a família e não se justifica, mas se comparado aos demais países sul americanos o Brasil deve muito menos explicações. Para a efetiva entrada em vigor das duas leis valeu o esforço pessoal da presidente e isso é elogiável e ela será lembrada por isso.

      Incompreensível foi a atitude de parte dos prefeitos que reunidos em Brasília vaiaram a presidente após a sua manifestação sobre o controverso tema da distribuição dos royalties do petróleo. Ao afirmar que seriam perdidas nos as ações que fossem impetradas contra a distribuição já contratada, parte da platéia vaiou a presidente, e isso não se faz. É nosso direito discordar da opinião dela, mas vaiá-la em cerimônia oficial é uma tremenda falta de educação, de elegância, e de civismo. Não se espera de autoridades atitudes típicas de torcida ou de militância. Por mais que discordemos, não podemos desmerecer a importância e a autoridade da instituição da Presidência da República. Ela foi democraticamente eleita para tomar, em nosso nome, as decisões. Sim, porque governar é fazer escolhas e tomar decisões, e é isso que ela está fazendo, gostemos ou não, aprovemos ou não, e daqui a 2 anos teremos oportunidade de reconduzi-la ao poder ou substituí-la, assim é a democracia.

      A atitude dos prefeitos é uma amostra perfeita e acabada do nosso nível de educação, ou seja, estamos muito mal.

domingo, 16 de outubro de 2011

Animal Político.

      A política, como a conhecemos, nasceu na Grécia antiga e estava relacionada a todos os assuntos da Pólis (cidade estado). Os cidadãos defendiam os seus interesses perante os seus pares, ou seja negociavam, assim como negociamos desde o nascimento chorando para mamar. Como definiu Aristóteles, o homem é um animal político, e não é possível, dessa forma, imaginar que as recentes manifestações em diversas partes do mundo possam estar desprovidas de política.

      Em outubro de 1.929 uma sequente venda de ações derrubou os preços das ações da Bolsa de Nova Iorque resultando no que ficou conhecido como Crash, queimando a economia de milhões de investidores e trazendo conseqüências à economia mundial. Mas naquele tempo as crises locais demoravam para se espalhar, pois a economia viajava de navio, hoje se transporta quase que à velocidade da luz, e as distâncias são vencidas no tempo de um simples clique. Não é novidade que as economias sejam interligadas, os grandes impérios antigos já comercializavam intercontinentalmente. A diferença é que a escala hoje alcançada é sem precedentes, e além de bens de consumo, de produção, ou duráveis, há também os financeiros, esses voláteis e ariscos. Com o desenvolvimento da tecnologia, a informação e a comunicação passaram a ser imediatas e quase impossíveis de serem bloqueadas, ainda que os ditadores assim desejem.

      Devido a grande dimensão da economia americana o déficit financeiro de seu governo há muito põe em risco a economia mundial. Seu par em dimensão, a Europa, onde os governos de alguns países são lenientes com a austeridade fiscal, se envereda pelo mesmo caminho, assim, a bonança expansionista da economia terá uma retração e não haverá imunes, em maior ou menor escala todos sentirão, como já está sendo visto desde 2008 nos Estados Unidos, desde o ano passado está claramente identificado na Grécia e mais recentemente no bloco conhecido como PIG (porco em inglês) Portugal, Itália e a própria Grécia, além da Espanha, cujos bancos já tiveram as suas avaliações de riscos aumentadas.

      Por outro lado, desde o final do ano passado vemos no oriente médio e norte da África uma sucessão de revoltas populares contra governos ditatoriais que em alguns casos já os derrubaram como na Tunísia, Egito e Líbia, e há um número muito maior em andamento, movimentos que geraram o nome de Primavera Árabe, ainda que nem todos os países sejam Árabes.

      Já vimos no início do ano a revolta dos estudantes na Inglaterra, o quebra-quebra na França, novamente os estudantes no Chile, o movimento Ocupem Wall Street em Nova Iorque, o Ocupem a City em Londres, o movimento na Plaza Mayor em Madrid, ontem ocorreram as manifestações na Itália que terminaram em vandalismo e quebradeira e também há cerca de um mês temos visto os tímidos protestos contra a corrupção no Brasil.

      Há muita coisa comum em todos esses movimentos, a começar pela política que está na necessidade de ser ouvido, de ter, por cada um, os seus interesses defendidos. Tem também a economia. Ninguém reclama quando está abastado e sem ameaças, a economia em si embute o conceito de administrar a escassez, não a fartura. Há também a forma de comunicação que utiliza primordialmente a Internet como plataforma e as redes sociais como veículos para a mobilização e demonstração da sua força a fim de ganhar mais adeptos e engrossar as vozes.

      Cada um vê esses movimentos por sua própria ótica, para uns, a revolta contra a ditadura representa a superioridade da democracia, para outros a ocupação por populares do maior centro financeiro do globo significa a derrocada do capitalismo e há os que acreditam que a simultaneidade de todos os eventos é um cataclismo. Para mim o mundo não acabará em 2.012. Não sei dizer se os governos que sucederão os depostos serão melhores que os anteriores, até porque em 1.979 achei que nada seria pior para o Irã do que o Shah Reza Pahlev, mas veio o Khomeini e os seguidos governos teocráticos, e hoje temos lunáticos quase nuclearmente armados. Também não acredito em governos provedores de bem estar social, pois não é possível haver justiça se tudo é provido, haverá sempre os que merecem e nada recebem e os que nada produzem mas sempre se ajeitam. Assim acredito no governo regulador e na sociedade produtiva e recebedora de benefícios por mérito. Acredito ainda que o capitalismo não será extinto, será reformulado para a sua própria sobrevivência e a tecnologia que é um de seus produtos estará mais forte e presente a cada dia.

      Particularmente sou simpático às manifestações brasileiras, mas cético de seu alcance, pois somos capazes de brigar por um time de futebol, mas não de nos engajarmos em uma causa que demande exposição, disponibilidade e privação. No Brasil apenas o PT tem força de militância para fazer uma causa sair da inércia, mas como na essência a manifestação é contra o desgoverno do PT e seus aliados, não iremos a lugar algum. Eu, que sou muito orgulhoso, ficaria muito feliz por estar errado nesse último parágrafo.

sábado, 23 de julho de 2011

Coletânea.

      Empregados domésticos – já escrevi sobre o tema, mas agora vem uma notícia que me pareceu inteligente. O Ministério do Trabalho está criando um projeto que está sendo chamado de “O Simples das Domésticas”. Será um valor único que agregará os pagamentos do INSS e do FGTS, além de reduzira alíquota total, simplificará a forma de pagamento. Esse é um bom passo no sentido de garantir mais direitos a essa categoria e facilitar a vida dos patrões e como efeito colateral, aumentar a formalidade. Até que enfim algo para se elogiar.
      Corrupção – há semanas estamos vendo todos os dias denúncias de corrupção envolvendo funcionários do Ministério dos Transportes e do DNIT. Nesses dias o governo está fazendo uma verdadeira faxina, com cerca de 15 diretores e funcionários demitidos. A revista época dessa semana começou a circular trazendo denúncias de corrupção na Agência Nacional do Petróleo (ANP) já rotulada de Agência Nacional da Propina. E quando será a vez do Ministério da Saúde?

      Descrença  – Confesso que nunca fui muito fã da Lya Luft, embora reconheça a sua capacidade, a sua intelectualidade e a qualidade dos seus artigos, e de até mesmo, por algumas vezes tê-los citados em conversas, há na maioria deles um tom que não consigo descrever, mas que não me agrada. Há poucos dias, por exemplo, havia uma frase “...estou me lixando para os leitores...” embora aqui eu a tenha pinçado sem explicar o contexto, me sentiria em conflito se tivesse que dizer algo semelhante, mas o que me chamou atenção foi um artigo que não li, mas do qual vi apenas a chamada onde ela mostra de maneira elegante que ela está tão sem esperança de que possamos ter um mundo melhor que é melhor esperar pela morte.

      Também nesse sentido, li nessa semana um texto do Luis Fernando Veríssimo, sim esse é dele mesmo, não aqueles que apenas lhe são atribuídos, no qual ele começa dizendo que com tantas denúncias de corrupção e comportamento errôneo das nossas autoridades, o único consolo é que daqui a 6 bilhões de anos quando o sol explodir e formos levados de roldão, nada disso terá mais importância.

      São sintomáticos esses dois casos, pois dois ativos intelectuais brasileiros estão abrindo mão da capacidade de se indignar com os atuais desmandos e isso não é bom. Isso indica que estamos no caminho errado.

      Itaquerão – Também já escrevi sobre isso, mas nessa semana foi apresentado a dimensão inicial do descalabro. O governo colocará 50 milhões de reais na construção do Itaquerão, dará outros 420 milhões em isenção de impostos e outros 450 milhões serão emprestados pelo BNDES a juros subsidiados e cujo recebimento é duvidoso, pois os clubes brasileiros de futebol estão entre os maiores devedores para o próprio governo. Se os investimento fossem em transporte, hospitais, escolas e para suprir tantas outras necessidades da carente população, eu não teria nada a criticar, mas para fazer estádio de futebol? Nesse balaio estão o PT, através do governo federal, o PSDB, com o governo estadual e a prefeitura de São Paulo cujo prefeito está num vácuo político, pois deixou o DEM e está criando o seu próprio partido, saindo da oposição e pulando para o barco da chamada “base aliada”.

      Última hora – Veio a pouco a notícia da morte da cantora inglesa Amy Winehouse. Não conheço a sua obra, não conheço as suas músicas e nem sei dizer se ela tinha talento. Mas sei que ela criou um tipo estranho, desses para chamar a atenção da mídia e também ouvi várias notícias sobre seus escândalos e envolvimento com bebidas e drogas. Ser encontrada morta aos 27 anos me parece ser um fim natural.