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domingo, 1 de setembro de 2013

Doença Social

Nossa sociedade está doente, o sistema de justiça está falido e a violência está cada vez mais próxima de nós. Aquilo que apenas víamos nos noticiários agora ocorre ao nosso lado ou com nossa família. Das três expressões mágicas há muito não se tem notícias do por favor e do muito obrigado, apenas o foda-se é frequentemente lembrado.

Grande parte das famílias, por desconhecimento, por despreparo ou por não ter condição abdicou da sua função de educador e entregou seus filhos às escolas que se tornaram depósito de crianças. Essas que mal cumpriam o papel de ensinar a ler e a escrever agora tem a obrigação de substituir os pais. É sintomático quando o professor ou professora passa a ser conhecido por tio ou tia, pois deixam de ser autoridade externa e de transmitir conhecimento para ser babás dos filhos daqueles pais que não têm tempo. E muitos dos pais que tem conhecimento e recursos substituem a presença pelos presentes fazendo de seus filhos além de mimados e mal educados, também obesos, sem saúde.

Não era uma prática correta de educação o castigo físico aos alunos, que além de apanhar dos professores ainda apanhavam em casa. Tampouco é correta a prática corrente onde o aluno agride os professores e são apoiados por seus pais que ainda reclamam das escolas. Nessa semana em uma cidade da região uma professora foi agredida verbalmente e tomou uma surra de vassoura, pois obrigou um aluno a desconectar-se de uma rede social durante a aula. E esse é apenas um dos exemplos.

Canso de ver jovens incapazes de dizer um bom dia sequer, de respeitar o ambiente, a cultura local e os mais velhos. A prevalência do ter sobre o ser aplainou a ética. Vale tudo para se atingir o sucesso o mais depressa possível, e não interessa o que é o sucesso, esse pode ser tão ridículo quanto tomar o seu lugar na fila ou no trânsito. Eu tive sucesso e você foi um otário. Também pode ser tão violento que causa choque. Com crueldade mata-se por miséria carbonizando as vítimas.

É imperativo que as autoridades pensem e implantem um sistema de educação que integre a família ao meio escolar, e não existe solução que não passe pela educação, porém educar a sociedade leva algumas gerações e se imediatamente não houver justiça e punição a sociedade acabará antes. No estado de direito o uso da violência compete apenas e tão somente ao governo, portando esse tem a responsabilidade de tomar as medidas necessárias. Por outro lado, os pais, sempre tão ciosos em deixar um planeta melhor para os seus filhos deveriam também se preocupar em deixar filhos melhores para o planeta.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Enquanto isso em São Paulo...


      No estado de São Paulo a manchete de todos os veículos de comunicação em todos os dias dos últimos dois meses é o número de homicídios na noite anterior.  Desde a última semana passou a ser também a quantidade de ônibus e carros incendiados. O que está acontecendo com a (in)segurança pública no maior estado da nação?

      Com um quinto da população do Brasil, São Paulo registrou no ano passado 3.225 homicídios, nesse ano, considerando-se apenas os 9 primeiros meses, o número se elevou para 3.536, mais que em todo o ano passado ( http://oglobo.globo.com/pais/sao-paulo-registra-mais-homicidios-que-rio-em-2012-6695371 ). No estado são 10,47 homicídios por 100.000 habitantes, uma das menores taxas do país, a de Alagoas, por exemplo, no ano passado foi 70,3 (http://jus.com.br/revista/texto/18542/a-falacia-do-efetivo-policial-e-a-seguranca-publica ). Com uma população carcerária de 180.000 mil pessoas, São Paulo ocupa a quarta posição mundial, ficando atrás dos Estados Unidos, China e do próprio Brasil (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=192300 ). Segundo a mesma revista da Justiça citada acima, São Paulo tem cerca de 117.000 agentes policiais o que representa 1 para 340 habitantes, quando o recomendado pela ONU é 1 para 250, mas apenas o pouco efetivo não justifica a escalada da violência.

      A também relativa baixa taxa de homicídios no estado não está ligada somente à qualidade do serviço de segurança, está também na organização criminosa. Não há em São Paulo diversas facções que se enfrentam, mas há somente uma, hegemônica, que normalmente evita o confronto direto, pois esse interfere nos “negócios”. Porém às vezes ocorrem certas crises nesse equilíbrio. Em 2001 houve uma orquestrada série de revoltas em presídios com sucessivas rebeliões. Em 2006 mais de 500 pessoas entre marginais e autoridades foram assassinadas em curto período, e essa fase parece que voltou agora, com bandido matando policial, policial matando bandido, bandido matando bandido e policial matando policial. Já que não há pena de morte no Brasil, quando um policial mata outro ou mata bandido sem que seja em confronto e que haja vidas em risco, esse deixou de ser policial e passou também a ser bandido, e o pior: bandido com arma e farda.

      É de conhecimento publico que o maior número de presos é de origem humilde e com baixo nível educacional, pois nosso país é desigual e a desigualdade social gera violência, mas a perda de valores sociais pode ser muito mais danosa. Em longo prazo apenas a educação pode corrigir e fazer a diferença, porém em curto prazo, a repressão é necessária, mas a repressão inteligente, feita de forma preventiva, evitando que drogas e armas entrem no país e, consequentemente, no estado, terminando com as “lavanderias” de dinheiro como revendas de automóveis e postos de combustíveis, sufocando financeiramente os associados a crimes, enfim, evitando o enfrentamento, e o mais importante, criando leis que não gerem impunidade, pois o crime é uma atividade que avalia a relação custo/benefício.

      Há muitos especialistas que poderiam formatar um modelo eficiente de segurança, o difícil é fazer isso virar realidade, pois quando se depende do processo legislativo não dá para esperar grandes coisas. É de cima que deveriam vir os bons exemplos, mas de lá vêm apenas os piores.