segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Apoio a Copa do Mundo no Brasil

      Há quem não goste de nada, mas há quem goste de espetáculos de dança, de música, de teatro, de cinema, de esportes e de tantas outras atividades. Todas elas têm os seus expoentes, os seus praticantes e os seus simpatizantes. Todas elas fazem parte de uma indústria que emprega muita gente e gera riqueza para os melhores. O que para muitos é lazer, para outros é profissão. Eu que não tenho nenhum talento gosto de várias delas, porém me identifico mais com os esportes.

      Já tentei várias modalidades porém não tive sucesso em nenhuma, nunca passei de um eventual praticante e invejoso, pois invejo quem faz algo muito bem. Especificamente sobre futebol sou apenas torcedor e gostaria muito de assistir a alguns jogos da Copa do Mundo no Brasil e ver de perto alguns dos melhores times e craques.

      Eu apoio a realização da Copa do Mundo no Brasil assim como apoio as Olimpíadas e tantas outras atividades. Se eu pudesse estaria mais do que apenas presente, seria a realização de um sonho poder participar. O que eu não vou gostar de ver é o nosso país passar vergonha.

      Sim, irão nos envergonhar a falta de estrutura, a exploração a que os turistas serão submetidos, a violência e as manifestações. A partir de junho a nossa imagem será revelada ao mundo como realmente somos, um país rico, desigual e despreparado. Além das chacotas por causa da nossa incompetência em preparar um evento tão grande seremos massacrados com notícias ruins. Serão assaltos, agressões e tomara que não haja mortes. Porém as imagens que correrão o mundo e tomarão conta das mídias mais importantes do mundo serão as das manifestações.

      As manifestações seriam apenas mostradas como democráticas se não fossem insufladas por bandidos anônimos, arrogantes e violentos. Esses eu condeno. Porém considero as manifestações legítimas pois um país carente de estrutura básica não se pode dar ao luxo de gastar bilhões dos cofres públicos com um evento privado que irá encher o bolso de muita gente rica e não oferecerá nada à população. Pareço incoerente, já que acima eu disse que um evento desse emprega muita gente. Sim, é verdade, mas empregaria da mesma maneira se a conta fosse paga pelos organizadores e não pelo erário.

      Nosso governo nos enganou. Nos prometeu um evento de primeiro mundo sem o uso de verbas públicas, o que, de fato, não ocorreu. O governo foi incompetente em todos os sentidos. Teve sete anos para se preparar e a não ser os estádios nada mais foi solucionado. Isso porque ao invés conceder as licenças e ceder à iniciativa privada a execução e deixando que essa arcasse com os custos, obtivesse os lucros e pagasse os impostos, o governo, inepto como sempre, gastou o dinheiro que não tinha principalmente na construção e reforma dos estádios se limitando em tudo mais a simples maquiagem.

      Além disso mostrou sua submissão à FIFA, entidade privada, com histórico de corrupção, a ponto de modificar a legislação para favorecer os patrocinadores daquela associação, como no caso da venda de bebidas alcoólicas nos estádios. O Brasil poderia ter autorizado a FIFA a realizar a Copa do Mundo aqui, mas ela que a organizasse e pagasse por isso, mas nunca que nos deixasse com os encargos e saísse com os lucros. Isso sem falar na arrogância dos seus membros que conseguiram até a destituição de ministro.

      Agora que o caso está consumado, iremos pagar mais uma conta pesada que será a de mobilizar todas as forças de segurança para, literalmente, descer o cacete em nossa própria gente e exibir o show sangrento mundo afora. Eu sei que não vai adiantar, mas em outubro tem eleição, o que é uma boa razão para nos lembrarmos de tudo isso.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Reeleição Ameaçada

      Há muito o Brasil se ressente da falta de um estadista que projete o futuro do país ao invés das próximas eleições, e sem nenhuma liderança significativa na oposição apenas dois eventos ameaçam a reeleição do PT no governo federal: as manifestações que estão previstas para ocorrer durante a copa do mundo e a falta de energia elétrica, os conhecidos apagões.

      Se a copa do mundo fosse em setembro, nenhum governador e nem mesmo a presidente se reelegeriam, mas como as manifestações ocorrerão entre junho e o início de julho, pode ser que o movimento esfrie. As forças policiais e do exército tratarão de garantir o evento, mas longe dos estádios haverá problemas. As manifestações estão marcadas e os manifestantes treinaram durante a Copa das Confederações, já as polícias, que foram surpreendidas, não estão se preparando. As manifestações são legítimas, sejam apartidárias ou não, porém, sem controle por parte das lideranças, aproveitadores de todos os matizes pegarão carona na boa fé e o pau-vai-quebrar. A polícia que deveria estar presente para garantir os direitos dos manifestantes e a defesa do patrimônio terá que enfrentar a minoria enraivecida, destemida e que se utiliza muito bem da mídia para posar de vítima. Vários inocentes pagarão mais caro, pode haver vítimas fatais e a sociedade, como um todo, pagará a conta. O quebra-quebra em si irá desmanchar o movimento que não deverá chegar até as eleições. Nesse caso, nem a oposição nem o governo poderão se acusar, ambos estarão do mesmo lado, o errado.

      A falta de preparo da a polícia é apenas mais uma componente na falta de planejamento crônico em nosso país. Com sete anos para preparar a copa do mundo somente os estádios ficarão prontos. A tal infra-estrutura: hotéis, aeroportos, transportes urbanos e as  comunicações irão nos envergonhar, e os prestadores de serviços, que podem, aumentarão os preços se aproveitando do momento. Os problemas do passado não nos trazem boas lições. A restrição do consumo de energia ocorrida último governo FHC não fez com que a nossa matriz energética fosse ampliada. A capacidade de geração não aumentou de maneira que tivéssemos reserva, e continuamos dependemos de São Pedro. Mau sinal. Agora, em pleno verão, quando os reservatórios deveriam estar transbordando vivemos um calor infernal e com possibilidade real de racionamento de água em pleno sudeste. Se não há água nas torneiras imagine então para a geração de energia.


      É grande a possibilidade de que em pleno período de campanha eleitoral tenhamos que passar por um novo período de controle de consumo de energia elétrica e isso será nitroglicerina nas propagandas. O governo irá apanhar, e com muita razão,  feito tamborim no carnaval, e a reeleição estará seriamente comprometida. Afinal foram mais de 12 anos de propaganda e a única grande obra inaugurada foi um porto, em Cuba.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Poupa Tempo.

      Ontem e em setembro passado utilizei dos serviços do Poupa Tempo. No ano passado fui renovar a carteira de motorista e a experiência não foi de todo boa. Perto de como se fazia antes de se ter essa agência garanto que melhorou muito, pois, após o agendamento feito pela internet, os serviços são efetuados todos em um só local e de uma só vez. Mas tive azar e meu tempo foi tomado por aproximadamente cinco horas.

      Deve ter sido uma semana infernal para quem trabalha lá, pois eles ficaram por dois dias sem conexão para os computadores ou a conexão era muito limitada, assim quem tinha os seus horários agendados poderia voltar em outro dia qualquer e ter preferência no atendimento, isso significou que muita gente chegou depois de mim e tomou a minha vez na fila. Além disso, quando fui fazer o exame de vista a conexão caiu por cerca de 45 minutos e lá fiquei plantado lendo as propagandas, que não são poucas, da revista Veja que levei e já havia lido todos os artigos. Coincidiu também com a troca de turno de funcionários, o que atrasou um pouco mais.

      Ontem quando fui renovar a minha identidade na qual a minha foto é do tempo em que eu tinha dezessete anos, ao contrário, gastei apenas 40 minutos. Pelo número de pessoas atendidas até que foi rápido, correto e fui tão bem atendido quanto é possível quando se atende a um público tão grande e tão diverso. Mas, pois sempre tem um mas em minha vida, eu gostaria de saber por que no outro lado, o do Detran, as fotos e as impressões digitais são colhidas em processo digital e no setor de identificação a foto é entregue em papel e as impressões são colhidas com tinta e papel. Identidade todo mundo tem, ou deveria ter, e é por ela que são feitas as identificações mais importantes, esse processo sim deveria ser digital enquanto que a carteira de motorista, que é opcional, possui um processo mais adiantado.

      A nota triste, que não dependeu do serviço local, foi descobrir que há um outro sujeito que se utiliza do mesmo número de identidade que o meu. Assim, ao invés de pegar o meu documento na segunda-feira vou ter que esperar por uns 20 dias pois meu processo será enviado ao centro de identificação em São Paulo. Espero que meu problema seja apenas esse, a espera.

      Ainda que eu não tenha ficado completamente satisfeito nos dois casos, pude ver que com tanto serviço errado e ruim nesse país, o Poupa Tempo me parece exceção, em condições normais é um processo correto, eficiente e o pessoal se esforça para fazer um bom atendimento, mesmo com a presença de alguns usuários mal educados. Sei que os meus problemas foram pontuais, por isso devo parabenizar a equipe que trabalha aqui em São Carlos, pois fui muito bem tratado.

      Cômico foi apenas ter que responder qual a cor dos meus (poucos) cabelos. Eu disse que a moça poderia escolher entre preto, castanho, cinza ou branco e nem me preocupei em ver o que ela escreveu, pois todas as respostas são verdadeiras.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Meu 2013

      Tenho muito a agradecer a muita gente, pois todos fizeram minha vida melhor e mais fácil no ano que passou. A maior conquista continua sendo a família, cada vez mais unida e construindo um bom futuro, o que muito me alegra.

      Ao contrário de 2012 cheguei ao final de 2013 me sentindo produtivo, ainda que eu tenha realizado o pior serviço da minha carreira como descrevi no artigo anterior, mas 2013 foi um ano bom. É chover no molhado dizer que a equipe com a qual trabalho fez tudo por mim, e é até covardia tomar para mim o mérito que é todo deles. Eles fizeram, refizeram, criaram, e colocaram em funcionamento vários recursos que possibilitaram mais eficiência e produtividade além de propiciar melhor qualidade de som e imagem aos telespectadores. Mas, assim como eu, eles também gostam de desafios e não se contentam com pouco.

      Continuo fraco quando o assunto é leitura. Li alguns livros sobre os anos de chumbo, reli alguns outros, mas nada de destaque, e para quem quer escrever bem, esse exercício faz falta. Tive oportunidade de assistir a alguns shows internacionais, mas acabei por não fazê-lo. Assisti no SESC à apresentação da Gal Costa. Nota 5. Quando assisti à Gal pela primeira vez eu tinha uns 16 anos e quanta diferença. Nessa última apresentação faltou entusiasmo, energia e a própria figura dela mostra algum desleixo. O local de apresentação foi totalmente inapropriado, uma quadra de esportes onde o público ficou em pé e as caixas de som, colocadas ao nível do solo, reverberavam em nossas canelas. Horrível e inadequado para uma artista de voz maravilhosa e excelente técnica musical. A abertura do show com funk feito pelo Caetano mostrou que é mesmo o ocaso de uma estrela. Lamentável. Levei minha mãe para assistir ao show do Roberto Carlos e ela adorou. Para mim a nota foi 7,5. Apesar do estilo musical e da voz pouco potente o capricho, o acabamento e a produção compensam. A acústica também não foi das melhores e houve uns 2 ou 3 intervalos curtos mas sem sentido durante a apresentação. Para um custo de primeiro mundo, cerca de 150 dólares para ficar sentado nas cadeirinhas de arquibancada e com uma grade na frente, dava para esperar mais. Mas acredito que ele é ainda o maior artista brasileiro em atividade.

       Fui aos Estados Unidos no início do ano e fiquei em lugares já bem conhecidos por mim. Em julho atravessei a Suíça pedalando e me preparei bem para enfrentar as subidas e foi um passeio. Em 7 dias percorremos 640km saindo de Genebra, quase divisa com a Itália e chegamos a Arbon, na divisa com a Alemanha incluindo uma passadinha pela Áustria. No grupo havia pessoas da Nova Zelândia, Austrália, África do Sul, Inglaterra e muitos americanos e essa diversidade foi enriquecedora. Subi pela primeira vez em uma montanha onde havia gelo e neve, só não fiz boneco de neve por pura vergonha, mas não deixei de "comer" um pouquinho de gelo. Também senti o ar rarefeito da altitude. 

      Na média anual emagreci um quilo e reduzi ainda mais a porcentagem de gordura corporal. Fiz 409 horas de atividades físicas, pedalei 5.025km, incluindo a ida até São Paulo, mas 500 km a menos que no ano anterior, porém corri 280 km, e para quem não treina corrida até que fui bem. Participei das provas do Sesc, Unicep, Volkswagen, Integração em Campinas e enfrentei a São Silvestre com 15 km e a subida da Brigadeiro. É, acho que está bom, e espero muito mais de 2014..

sábado, 28 de dezembro de 2013

Improdutivo

      No final de 2012 me senti profissionalmente improdutivo. Não que naquele ano meu desempenho tenha sido abaixo da média, mas não foi como eu gostaria. Agora, quando 2013 está terminando, parece que tudo voltou ao normal, embora eu tenha feito o serviço de pior qualidade em toda a minha extensa carreira, e o pior, eu deveria tê-lo feito em 2012. Por conhecer a complexidade e necessitar tomar decisões rápidas preferi não delegar a sua administração à minha equipe, e assumi a responsabilidade por sua condução, ou seja, o culpado sou eu.

      Eu necessitava substituir alguns equipamentos de infraestrutura que se tornaram obsoletos, apresentavam muitas falhas, faziam parte de um projeto tecnicamente ultrapassado e eram ineficientes do ponto de vista de consumo de energia elétrica. Por questões próprias da natureza do meu trabalho apenas o iniciei em 2012, o que já me desagradou. Não consegui contratar uma empresa que somente fizesse o projeto e com esse em mãos procuraria por quem pudesse executa-lo, todas as consultadas preferiam vender o equipamento, o serviço e o projeto, isso já me cheirava a não ter projeto e executar na base do "entrega e depois a gente vê como fazer". Em 2013 já comecei atrasado pois com outras modificações realizadas o local de instalação não estava adequado. Durante a adaptação surgiram vários problemas que a cada ação gerava uma nova pendência, nada de resolver, e o tempo foi correndo.

      Em determinado momento tive que administrar o trabalho de dez diferentes atividades simultâneas, com pessoas de várias empresas e cada uma querendo resolver o seu problema e atrapalhando as outras, e acho que nenhuma queria resolver o problema do cliente. O período crítico da instalação que deveria ter sido de no máximo uma semana incluídos os dias não comerciais se estendeu por mais de quinze. É evidente que traria transtornos, mas com esse atraso passou dos limites.

      Agora, com cerca de 95% concluídos e afastado o período crítico posso voltar a me preocupar com isso apenas durante o dia como todo profissional deve fazer: sem ter que levar o problema para a cama. Porém os 5% restantes ainda consumirão todo o mês de janeiro, que graças ao feriado de ano novo só começa no dia 6, isso é, um projeto que deveria ter sido realizado em 2012 será finalizado apenas em 2014.

      Isso é o que se chama custo Brasil. Muito trabalho e pouca produtividade. Falta qualificação a quem executa, muita coisa tem que ser refeita ou adaptada e assim gasta-se tempo e dinheiro que poderiam estar sendo investidos em outros projetos. Ainda que ao final o resultado venha a ser de qualidade muito superior ao que se tinha, o processo foi ineficiente e frustrante, e o pior, atrapalhou por demais a vida de quem não tinha nada com isso.

      Do balanço que estou fazendo de 2013 posso adiantar que o ano foi muito bom, mas terá sempre essa marca: um serviço que de tão ruim não pode ser esquecido jamais.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Animais de Estimação.

      Sabe aquela pessoa que você sabe que é chata, falsa e coisas assim? Pois é, ela já foi aquela criancinha graciosa, lindinha, cut cut, que se tivesse nascido no tempos dos orkuts e facebooks as fotos de suas gracinhas teriam recebido centenas de curtidas. Ao contrário dos animais de estimação a criança é boa, mas cresce. Os animais, ou modernosamente, os pets, são para os seus donos as crianças que não crescerão nunca.

      É fácil gostar dos animais e condenar os maus tratos. Tivemos até um presidente, o Figueiredo, que afirmou gostar mais do cheiro de cavalo do que de povo, e ele nem andava em ônibus ou trem lotado para, realmente, conhecer o cheiro de povo. Nessa semana vi um post que condenava os pássaros engaiolados e dizia, plante árvores que eles vem. Tem razão, é uma violência desnecessária, mas é uma entre tantas.

      Pense nos cavalos, burros e semelhantes. Sua natureza é selvagem, mas foram domesticados e obrigados a trabalhos forçados para produção e lazer. É inegável o salto de qualidade que a humanidade teve com esses serviços. Eles ampliaram a dimensão das civilizações desde as conquistas asiáticas, gregas, romanas, do oeste americano, e mesmo no Brasil. Pense no quadro Independência ou Morte, de Pedro Américo, que retrata a independência do Brasil, imagine-o sem os cavalos. Lembre da beleza de um concurso de equitação,  de uma prova hípica, mas isso é bom para o animal? O que falar então dos rodeios de cavalos e touros? 

      Quanto aos cães e gatos? Eles também foram domesticados e hoje muitos tem qualidade de vida que a maioria das pessoas não possuem. Mas isso é da natureza do animal? Não é uma crueldade esse excesso de cuidados humanos em um animal de característica selvagem? Muito se fala do benefício psicológico em se ter bichinhos, ou seja, eles nos são úteis, instrumentos, ferramentas, o contrariar sua natureza é um mal menor.

      E há muitos outros exemplos, dos exóticos: iguanas, serpentes e tartarugas, aos comuns: ratos ou hamsters, coelhos, bezerros e peixes. Se existe um grande problema é o comércio desses animais, é a subtração das matrizes da natureza, é o contrabando que dizima a maioria. Isso tudo sem falar daqueles que nos servem de alimento.

      Esse estado de animal domesticado é impossível de ser revertido, e voltando aos pássaros, pense naqueles que nasceram em criadouros. Esses não poderiam voltar a viver livres na natureza, pois, ou seriam presas fáceis ou não saberiam buscar alimentos. Para serem libertos necessitariam de um aprendizado que se torna mais difícil quão mais velho o animal é.. Portanto, se não há crueldade em sua manutenção, aceita-se, e quem cria cachorro não pode criticar aquele que tem pássaro.

sábado, 30 de novembro de 2013

Algumas Exceções

      Se o mundo fosse amigável não teria se iniciado com uma explosão, e diariamente somos confrontados com forças naturais que sempre deixam destruição e morte. Somos geneticamente marcados para morrer desde a concepção, e as vidas existentes em nosso planeta são simplesmente parte de uma cadeia alimentar na qual nós, os humanos, estamos no topo.

      Outro dia eu estava conversando e observei a fuga de uma mariposa de um pequeno pássaro. Voava em zig zag, para cima e para baixo, driblava e pousou em uma parede. O pássaro ao tentar pega-la bicou a parede e ela retomou a sua fuga, mas não foi longe. A uns doze metros foi finalmente capturada e quando o pássaro ia fazer sua refeição foi bicado por outro maior e a soltou. Ela foi engolida, em pleno ar, pelo novo e maior agressor. É, a vida não é fácil, não dá para ter prazer somente.

      Pode ser caso de estudo e precisão sociológica, e sem generalizar, porém observo em grande parte, as gerações anteriores a 1970, 1975 foram marcadas pela cobrança, pela obrigação. Não havia bullying, as crianças apanhavam dos professores e depois em casa por tê-los desrespeitados. As gerações posteriores foram criadas no direito, na proteção e na obrigação de ser feliz.

      Em poucos jovens vejo o compromisso com causas que não as próprias, mas falta de educação e de reconhecimento há de sobra. Vejo profissionais de desempenho medíocre reclamando da "falta de reconhecimento" e sempre culpando o outro que se empenhou mais. Vejo pessoas que reclamam de tudo. Do sol, do calor, da falta de vento, do vento em excesso, do frio e da chuva. Se nada muda, reclamam da rotina, se há mudança, não vai dar certo, é impossível! Nunca criaram nada, mas reclamam de quem faz. A vida deles de ser um inferno, nada está bom. É mais fácil escapar de um buraco negro do que ouvir dessas bocas um elogio ou agradecimento.

      Não resta dúvida que as novas gerações têm mais acesso ao conhecimento e talvez até conheçam mais, porém o importante não é tê-lo, é saber o que fazer com ele, e a primeira lição é: não é possível ter prazer durante todo o tempo; alguma adversidade sempre irá atravessar o seu caminho. Supere-a, aprenda com ela, e descubra que um pouco de humildade não faz mal a ninguém. Ainda bem que existem algumas exceções.