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sábado, 16 de janeiro de 2016

Negócio da China

       Sempre gostei de esportes e desde que me conheço torço para o SPFC. Meu pai se dizia corintiano, mas nunca o vi assistindo a uma partida de futebol profissional ou amador adulto em um estádio. Tenho registro somente de duas partidas da copa de 74 que assistimos juntos na casa de amigos dele pois em casa não tinha TV. Também me lembro que ele ajudou a organizar um time “dente de leite” no bairro do qual eu não participei pois eu ainda era muito pequeno e também não jogava lá essas coisas. Ele tinha quatro irmãos, dois são palmeirenses e dois eram sãopaulinos, esse já faleceram. Vem deles a minha influência.

      Tenho conhecidos que não gostam de esportes, gostam do Bahia (Baea!), eu já não penso assim. Esporte é uma atividade em que se premia o melhor, os demais são perdedores, mas como o ciclo é pequeno, o perdedor de hoje pode ser o vencedor de amanhã. Na semana passada ouvi na rádio CBN que 80% dos jogadores profissionais brasileiros recebem menos de dois salários mínimos e apenas 2% recebem acima de vinte salários mínimos, mas não sei dizer quantos são os milionários do futebol. A maior parte das pessoas acha que os salários milionários são um absurdo, eu não concordo. Eles premiam o talento de quem movimenta uma industria bilionária e que gera milhares de empregos e milhões em impostos. Costumo repetir uma frase que é atribuída a Nelson Rodrigues mas não sei se é mesmo: entre as coisas desimportantes o futebol é a mais importante.

      A politização, o desmando e a roubalheira nas federações e confederações brasileiras acabaram com os bons campeonatos, sufocaram os times e dispersaram nossos melhores atletas. Há tempos temos acesso aos campeonatos europeus, os melhores e mais ricos do mundo: italiano, inglês, alemão e hoje o espanhol, o melhor de todos, além das ligas continentais e mundial, para onde vão os principais talentos e aqueles que estavam em final de carreira exploravam locais menos tradicionais mas que pagavam bem como Holanda, Arábia, Grécia, países do leste europeu, Japão e recentemente a China. Sempre a China. China que se dispôs em 8 anos ser a maior potência do esporte olímpico do mundo para ser o melhor em sua própria casa e pela primeira vez na história os Estados Unidos foram derrotados. Agora eles se voltaram para o futebol e estão contratando bons e jovens jogadores e diversos experientes técnicos. 

      Essa é a oportunidade dos jogadores “fazerem a vida”. Além da nossa desorganização, conta também a desvalorização cambial. No exterior, um bom jogador recebe facilmente USD 250,000 ou seja, cerca de R$ 1.000.000,00 por mês, muito mais do que a média do que se paga no Brasil. Pouco mais de um ano atrás e eles teriam que desembolsar muito mais, mas graças ao nosso glorioso incompetente e corrupto governo a economia desandou, a moeda se desvalorizou e o campeão brasileiro de 2014 e do ano passado se desmancharam. Só estou esperando que eles vendam também o goleiro, que para mim, é o maior responsável pelas últimas conquistas. Já que não dá para termos um campeonato de alto nível e com partidas atraentes, torço para que os adversários fiquem só com o osso. :)

      O nosso baixo nível se generalizou, houve a perda da organização familiar, dos valores pessoais, da educação, do respeito, da segurança, da economia e também dos esportes. Estamos descendo a ladeira e sem um alento, sem uma só sinalização de que colocaremos nossa vida nos trilhos novamente. Uma pena.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Meu 2015.

      Após uma sequência de anos vitoriosos chegou a inflexão: 2015 não começou bem e terminou pior, agora a curva aponta para baixo. Eu posso dizer que para mim até que não foi dos piores se comparado com o de muita gente. O ano começou frenético e terminou se arrastando. Vi amigos e conhecidos perderem o emprego, tanto aqui, na Bahia, quanto no estado de São Paulo, e isso é péssimo. Alguns perderiam naturalmente, pois as estruturas precisam se renovar, mas a maioria foi por causa da crise econômica e política. As três esferas de poder estão contaminadas por ideologias rasteiras e por vigaristas de todas as espécies, e não há consolo, pois 2016 não parece que será alvissareiro.  A gente não merece isso, mas é o que temos.

      Não consegui cumprir as minhas promessas. Apesar de ter mantido o mesmo peso do final do ano passado não voltei a treinar com a regularidade necessária, e desde o final de setembro estou com uma lesão no joelho esquerdo que dói muito e me levará a uma cirurgia. Segundo o médico eu poderia viver assim, mas a vida de atleta estaria encerrada. Espero ser operado ainda no início do ano para logo aumentar a intensidade e a regularidade dos treinos, pois já estou ativo mas com baixa frequência. Além do que, vou praticar um esporte náutico, embora ainda não tenha decidido qual será.
Menisco Lesionado
      
      Não tenho problemas na família, a única preocupação é com minha mãe que mora sozinha e longe dos 3 filhos, e isso não está bom, precisamos discutir esse caso com mais assertividade. ( Eu fico em Salvador - BA, meu irmão em São Mateus - ES, e a minha irmã em Sorocaba - SP, a mais perto. O nome das 3 cidades começa com S ). Se em 2014 ganhamos um filho quando a nossa filha se casou, agora temos também um neto. Um garoto saudável, com habilidades motoras notáveis para a idade, bonzinho, e que acorda com um bom humor expressivo. A gente está “babando” por ele.
Na praia com o meu netinho. Em 8 meses é a terceira vez que ele vem aqui e a primeira que entra no mar.
      
      Não estudei e vai demorar para que eu encontre algo que eu precise e me atraia. Fiz apenas um curso rápido à distância que foi de pouca serventia, achei-o fraco. Eu leio com alguns propósitos: aprender, distrair e recordar e isso fiz bastante. Ainda que tenha pouco tempo disponível, aproveito-o bem, e esse é um ponto positivo. Novamente não assisti a shows, mas em setembro fiz uma viagem empolgante a Washington, até porque não paguei por ela como já contei em um post do dia 03 de maio. Visitamos, a Nega e eu, vários lugares, fomos a museus incríveis: de história natural, de arte, de escultura, de história e de ciências, além termos ido aos principais pontos turísticos ( a minha foto no blog foi tirada durante essa viagem no Lincoln Memorial ) e também a restaurantes típicos. Ficamos também alguns dias em Las Vegas onde nos encontramos com amigos. Lá passeamos e fizemos algumas compras. Viagem tranquila, o que estragou foi a desvalorização do Real frente ao Dólar, que saiu da casa dos dois e pouco por Dólar, para mais de quatro quando viajamos. Outra vez: eta governo incompetente!
Lidos em 2015. Faltam nessa foto uns dois que estão emprestados.
      
      Profissionalmente também foi um ano turbulento e a minha expectativa foi mudada em função das necessidades, mudou em janeiro e novamente em novembro. Apesar de ainda ter a televisão na veia, hoje o meu trabalho está ligado à infraestrutra de televisão. Aquilo que era figurante em meu trabalho hoje é protagonista, deixei de ser generalista para tentar ser especialista em duas disciplinas. O problema é que precisamos de resultado antes de ter uma equipe bem formada, e o meu estilo não é o “arrasa quarteirão”,  aquele que chega e arrebenta, trabalho melhor construindo aos poucos, mas de maneira sólida. Sinto que terei dificuldade, mas me conheço e sei que tenho uma enorme capacidade de me motivar, igualmente me motivam a dor e o prazer. Se não vou fazer o que mais gosto, vou fazer bem feito o que tem que ser feito porque é um desafio. Vamos, como diz a Ivete Sangalo, pra frente, pra frente...

Prá frente, prá frente...




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Apoio a Copa do Mundo no Brasil

      Há quem não goste de nada, mas há quem goste de espetáculos de dança, de música, de teatro, de cinema, de esportes e de tantas outras atividades. Todas elas têm os seus expoentes, os seus praticantes e os seus simpatizantes. Todas elas fazem parte de uma indústria que emprega muita gente e gera riqueza para os melhores. O que para muitos é lazer, para outros é profissão. Eu que não tenho nenhum talento gosto de várias delas, porém me identifico mais com os esportes.

      Já tentei várias modalidades porém não tive sucesso em nenhuma, nunca passei de um eventual praticante e invejoso, pois invejo quem faz algo muito bem. Especificamente sobre futebol sou apenas torcedor e gostaria muito de assistir a alguns jogos da Copa do Mundo no Brasil e ver de perto alguns dos melhores times e craques.

      Eu apoio a realização da Copa do Mundo no Brasil assim como apoio as Olimpíadas e tantas outras atividades. Se eu pudesse estaria mais do que apenas presente, seria a realização de um sonho poder participar. O que eu não vou gostar de ver é o nosso país passar vergonha.

      Sim, irão nos envergonhar a falta de estrutura, a exploração a que os turistas serão submetidos, a violência e as manifestações. A partir de junho a nossa imagem será revelada ao mundo como realmente somos, um país rico, desigual e despreparado. Além das chacotas por causa da nossa incompetência em preparar um evento tão grande seremos massacrados com notícias ruins. Serão assaltos, agressões e tomara que não haja mortes. Porém as imagens que correrão o mundo e tomarão conta das mídias mais importantes do mundo serão as das manifestações.

      As manifestações seriam apenas mostradas como democráticas se não fossem insufladas por bandidos anônimos, arrogantes e violentos. Esses eu condeno. Porém considero as manifestações legítimas pois um país carente de estrutura básica não se pode dar ao luxo de gastar bilhões dos cofres públicos com um evento privado que irá encher o bolso de muita gente rica e não oferecerá nada à população. Pareço incoerente, já que acima eu disse que um evento desse emprega muita gente. Sim, é verdade, mas empregaria da mesma maneira se a conta fosse paga pelos organizadores e não pelo erário.

      Nosso governo nos enganou. Nos prometeu um evento de primeiro mundo sem o uso de verbas públicas, o que, de fato, não ocorreu. O governo foi incompetente em todos os sentidos. Teve sete anos para se preparar e a não ser os estádios nada mais foi solucionado. Isso porque ao invés conceder as licenças e ceder à iniciativa privada a execução e deixando que essa arcasse com os custos, obtivesse os lucros e pagasse os impostos, o governo, inepto como sempre, gastou o dinheiro que não tinha principalmente na construção e reforma dos estádios se limitando em tudo mais a simples maquiagem.

      Além disso mostrou sua submissão à FIFA, entidade privada, com histórico de corrupção, a ponto de modificar a legislação para favorecer os patrocinadores daquela associação, como no caso da venda de bebidas alcoólicas nos estádios. O Brasil poderia ter autorizado a FIFA a realizar a Copa do Mundo aqui, mas ela que a organizasse e pagasse por isso, mas nunca que nos deixasse com os encargos e saísse com os lucros. Isso sem falar na arrogância dos seus membros que conseguiram até a destituição de ministro.

      Agora que o caso está consumado, iremos pagar mais uma conta pesada que será a de mobilizar todas as forças de segurança para, literalmente, descer o cacete em nossa própria gente e exibir o show sangrento mundo afora. Eu sei que não vai adiantar, mas em outubro tem eleição, o que é uma boa razão para nos lembrarmos de tudo isso.