quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O verde amarelou.

      Como diria um conhecido político profissional e presidente de plantão, nunca antes nesse país houve um início de primavera tão seco. Sem irrigação artificial não há em nossa região pastos, gramados ou jardins verdes, estão todos completamente desidratados. O fogo arde por todos os lados e rios da Amazônia estão desaparecendo. Aqui na região voltei a ver fogo nas laterais das pistas em quantidade, coisa que há muito tempo eu não via. O verde se tornou amarelo ou preto.

      Ver o verde Palmeiras amarelar não é novidade, ocorre com mais frequência do que a mudança de lua, e espero que continue assim até que o sol desapareça, daqui a uns 6 bilhões de anos.

      Não sou índio, xiita ou abraçador de árvores, mas considero ser, o Partido Verde, muito importante em nossa política. Apesar de seu radicalismo atrasado em algumas questões, seu contraponto é importante para equilibrar as forças legislativas. O seu ativismo e capacidade de mobilização da juventude e de organizações não governamentais locais e internacionais são capazes de reduzir o impacto das facções desenvolvimentistas irresponsáveis.

      Não pretendo, em nome do conservacionismo, voltar a viver no período da pedra lascada pois gosto de conforto e não abro mão do desenvolvimento tecnológico, e por isso sei que as nossas academias e empresas de pesquisa têm condições de responder com desenvolvimentos que, apesar da superpopulação do planeta, possam minimizar em um primeiro momento a agressão à natureza, e depois reverter vários processos, assim como ocorreu com o rio Potomac em Washington DC, que de tão poluído pegou fogo e hoje é novamente um rio de águas limpas. Se o sabão polui a água, muda-se para o biodegradável, se a energia provinda de fontes fósseis produz derivados tóxicos, cria-se energia de células de hidrogênio, se o plástico ou polietileno não se degradam facilmente, substitui-se por polímeros derivados de material orgânico como a cana de açúcar, se for necessário cortar 100 árvores aqui, planta-se 10.000 acolá, e assim por diante, solução tem, basta pagar por ela. Dinheiro para isso também tem, mas é necessário que a sociedade queira que isso seja feito, porque aqueles que lucram com os processos atuais não irão largar o osso, a não ser que sejam legalmente obrigados. O problema, portanto, é criar a legislação adequada, e é aqui que entra o nosso glorioso PV.

      Em nome de uma ilusão executiva foi decretada a morte temporária do partido, e não importa que eu venha a votar no seu candidato ao senado e também a deputado estadual, os melhores quadros do partido, e que são os únicos que têm possibilidade de agregar, em profusão, votos legislativos à legenda, estão se arvorando numa empreitada inútil, pois além de não ganharem as eleições majoritárias, irão destruir a sua força proporcional. E mesmo que remotamente tivessem a possibilidade de se elegerem aos postos executivos, não conseguiriam governar, pois pelo modelo presidencialista proporcional que temos nenhum partido consegue governar sozinho, e o único que têm militantes é o PT. Assim, o Collor, que foi um fenômeno de votos e se elegeu por um partido nanico, foi apeado do governo pela Folha de São Paulo e a revista Veja que denunciaram as irregularidades, e pelo PT, que naquela época não era tão mobilizado, não tinha tanto dinheiro, e nem estava incrustado no aparato estatal como hoje, e que colocou o bloco na rua e criou a indignação geral. E olhe que o tal escândalo da era Collor era da ordem de 5 milhões de dólares de um empréstimo fajuto chamado operação Urugai, de uma reforma na casa da Dinda e de um Fiat Elba, ou seja, dinheiro de troco perto dos escândalos atuais.

      Não importa qual partido seja, para governar tem que vender a alma ao diabo, ainda mais o PV que nem mesmo tem sustentação própria. Se ao invés de se aventurar na corrida presidencial a Senadora Marina tivesse mudado o seu domicílio eleitoral para São Paulo, seria a senadora mais votada do país com capacidade para exercer a liderança no senado. O Fernando Gabeira, no Rio, também ganharia, aumentando a capacidade de articulação e pressão, isso sem falar nos deputados federais, como o Fábio Feldman, que é candidato sem votos a governador de São Paulo, mas que se elege facilmente para deputado e ainda arrasta mais alguns, ou seja, abriram mão da real possibilidade por um sonho inútil, e perdemos todos nós.

      Por erro de estratégia o Partido Verde vai tornar-se tão irrelevante quanto a grama seca, mas espero que, como essa, tenha forças para, voltando as chuvas, reviver.

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