domingo, 26 de setembro de 2010

Sobre os tiriricas e os fichas limpas.

      Podemos pautar nossas vidas pela emoção, o que imagino ser uma maneira melhor de viver do que fazê-lo apenas pela razão. O custo que se paga depende do valor que se dá a cada momento, pois ela pode tornar-se por demais sofrida ou alegre, no entanto, para regular a sociedade, a razão deve prevalecer, ainda que para isso seja necessário tomar medidas antipáticas, e nessa semana dois casos chamaram a minha atenção como veremos a seguir.

      Mesmo perdendo três eleições seguidas e ganhando duas consecutivas, o nosso presidente não desceu do palanque para exercer a função para a qual foi autorizado pelo povo, e por isso não teve tempo nem capacidade para nomear o ministro do Supremo Tribunal Federal em substituição a um que se aposentou, o que gerou a notícia dessa semana: empate em 5x5 sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições desse ano. Houvesse ele feito a nomeação, o empate não seria provável, logo vocês podem imaginar a quem imputo a culpa, mas como o estrago está feito, podemos tirar algumas lições do caso.

      Imagino que a maioria da população apóie a aplicação da lei ainda esse ano, eu inclusive, mas trata-se de um regulamento que foi aprovado quando o processo eleitoral estava em curso, logo, sua validade está sujeita a interpretação, pois ninguém discute a sua aplicação para 2012, mas sim para o atual pleito, e por isso a discussão do mérito foi levada ao órgão máximo da magistratura que tem competência legal para julgar a sua constitucionalidade, assim, gostemos ou não, a decisão deve ser acatada, pois creio que as senhoras e os senhores, ministros do tribunal, têm capacidade técnica para decidir. O fato gerador da ação foi a eleição ao governo do Distrito Federal, onde um ex governador e atual candidato, enrolado com a justiça, recorreu da decisão do Tribunal Regional Eleitoral, mas para não ficar sujeito à decisão, para ele inesperada, resolveu sua situação argentinamente (vejam o caso dos Peróns e dos Kirchners), renunciou à sua candidatura em favor da sua esposa. Ainda bem que não deram essa ideia ao nosso presidente, do contrário, seria candidata a dona Marisa, não a senhora Dilma.

      Ontem postei o link da reportagem da Revista Época que denuncia uma suposta irregularidade no registro da candidatura do Tiririca, pois ele seria analfabeto. Li diversos comentários sobre isso, tanto a favor quanto contra, e o que chamou a minha atenção foram alguns que contém o seguinte teor: mensaleiros, aloprados, sanguessugas e corruptos de toda espécie podem se candidatar, já um humilde, honesto, trabalhador, ainda que folclórico, não pode. Não concordo, mas até que encontro alguma razão, pois o caráter da pessoa é o mais importante, e não saber ler ou escrever é um detalhe, pois se ele estiver bem assessorado não irá cometer barbaridades. Em outro nível podemos dizer que nosso presidente é analfabeto em idiomas estrangeiros, mas a sua assessoria faz com que ele disponha de todas as ferramentas para avalizar os acordos internacionais. No entanto, trata-se aqui também de uma questão técnica, e preconiza a lei vigente que analfabeto não pode se candidatar, e se for constato ser esse o seu estado, a candidatura deve sim ser impugnada.

      Embora todos os holofotes estejam nas eleições majoritárias, são as proporcionais as mais importantes, porque aguentar um administrador ruim por quatro anos é possível, mas ter que viver sob um deficiente sistema jurídico tem um custo muito mais alto. Se quisermos uma sociedade melhor, devemos saber escolher aqueles que farão as nossas leis.

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