quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Simplismo político.

      Política é a arte de distorcer a realidade. Para vencer as eleições vale qualquer coisa, como aliar-se a adversários, fazer coligação com partidos nanicos sem possibilidade real de se eleger mas que têm poder de difamar e propagar factóides para infernizar a vida dos adversários, arruma-se personagens folclóricos que se elegem com um caminhão de votos e arrastam um sem-número de sem-votos, e ainda, tem o poder da purificação. De repente o corrupto se transforma em realizador, visionário e patriota.

      O marketing político utiliza a capacidade da redução, diminuindo o debate sério ao simplismo emocional, não importa a realidade, mas os votos a serem conseguidos. Dois exemplos me chamam a atenção, um deles em nível estadual e outro no pleito federal.

      O Celso Russomano levantou a bandeira, agora também defendida por todos opositores do Geraldo Alkimin, sobre a redução das tarifas de pedágio, demanda, aliás, que considero justa, mas não precisam mentir. Há cerca de 20 anos quando foram iniciados os processos de concessão à iniciativa privada, as estradas eram uma lástima. Lembro-me que eu não conseguia sequer ouvir um CD enquanto dirigia, pois ele era interrompido a todo instante pelos solavancos provocados pelos buracos, e hoje as 10 melhores estradas do Brasil estão em São Paulo. Quando eu bati o carro na Serra dos Padres, logo aqui entre Rio Claro e São Carlos, em 2 minutos tinha um carro de resgate e em 5 minutos, 4 carros. Eu assistia quase que diariamente matérias veiculadas sobre as condições de trabalho dos policiais rodoviários que não tinham viaturas, quando as tinham estavam quebradas ou nem mesmo combustível tinham para fazer o patrulhamento, isso sem falar nas armas enferrujadas, hoje ninguém se dá conta disso. Os candidatos propagam ainda a ideia de que o patrimônio público foi dado de graça aos capitalistas, o que é outro erro, o que existe é um contrato com prazo de vencimento, mas a estrada continua sendo do estado. Alguns candidatos falam em rever os contratos, e aqui há um problema sério que é o cumprimento dos contratos, o que dá segurança jurídica a quem trabalha. Ora, trabalhar custa, e quem investe quer retorno, e se o contrato foi mal feito, quando expirar não deve ser renovado, mas quebrar contrato é algo inadmissível. Como vários desses contratos estão próximos do vencimento, basta estabelecer novos parâmetros para a renovação já que a questão da infraestrutura está equacionada, por exemplo: incluir como meta a redução do número de acidentes, a duplicação de estradas secundárias e, inclusive, o valor do pedágio.

      Outra piada é a propaganda ufanista que diz que no tempo do FHC o Brasil era devedor ao FMI e hoje, além de não dever, ainda emprestamos dinheiro, ou seja, somos credores. Isso não é mentira, mas é um erro crasso. As reservas cambiais nunca estiveram tão altas, são mais de 200 bilhões de dólares depositados no banco central, logo, o suficiente para manter estável a taxa de câmbio, o que significa que é melhor dever em dólar do que em real. O custo do empréstimo no exterior é uma pequena fração do custo interno, pois temos uma taxa Selic de 11% aa, que é a maior taxa de juros do mundo. Assim, quando o governo toma dinheiro emprestado está aumentando a dívida pública o que pode gerar inflação. Se tomássemos dinheiro emprestado no exterior teríamos folga orçamentária, reduzindo a taxa de juros e expandindo o mercado, sendo a Selic utilizada apenas como instrumento de controle da demanda e não como redutora da produção.

      Mas como explicar isso a uma população iletrada e que tem ojeriza aos debates econômicos e políticos? Talvez, com razão, o povo esteja correto também reduzindo os políticos a uma só categoria, são todos sem-vergonha.

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