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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O Meu 2017

      No último mês de dezembro escrevi dois textos, mas, de muito ruins, não serão publicados, e esse será um mero inventário.

      Profissionalmente o ano de 2016 terminou muito mal para mim, fiquei afastado das operações de TV quando completava 40 anos de trabalho em televisão, e agora, em dezembro, posso dizer que terminou pior ainda, pois estarei desempregado a partir de março. Como vários amigos, fui abatido pela crise econômica. De muito positivo foram as inúmeras manifestações de incentivo e carinho que recebi dos amigos, isso é de inestimável valor.

      Com as equipes com as quais trabalhei em 2017 conseguimos alguns resultados expressivos, entre eles o maior índice de recepção digital de TV do país até agora, 93,3%. Em um projeto que assumi em andamento mas no qual pude contribuir e visei somente o resultado para a empresa, recebi, do Instituto Euvaldo Lodi - IEL, ligado à Federação das Indústrias da Bahia - FIEB, o prêmio de primeiro lugar como Tutor.


PRIMEIRO LUGAR COMO TUTOR - PROGRAMA INOVA TALENTOS - IEL


      Fisicamente saí da apatia, mas as seguidas lesões: joelho, cintura, esporão e panturrilhas, as duas, duas vezes cada, não me deixaram em um estado físico desejado.
Não cumpri os 300 treinos - foram apenas 216
A meta de 150h bati com facilidade, foram 208h.
Havia previsto emagrecer 2,5kg, foram cerca de 4kg.


EXERCÍCIOS E CONTROLE DE PESO EM 2017


      As leituras continuam me dando prazer e entre novidades e releituras havia algumas coisas interessantes, outras, nem tanto. Na foto falta um livro que reli nesse ano mas o emprestei. O do Pasternak comecei, parei, comecei novamente mas ainda não concluí.


LIVROS, AINDA UMA PAIXÃO...

      Assisti a um bom show de música baiana na concha acústica do TCA que se encontrava com a capacidade esgotada, 5.000 pessoas que não arredaram o pé, nem mesmo com a insistente chuva. Também assisti ao Cirque Du Soleil - One, baseado nas músicas do Michael jackson, no Mandalay Bay, o mesmo hotel casino onde no final do ano um atirador se alojou e fez dezenas de vítimas, também, da mesma companhia, assisti pela terceira vez o espetáculo O, no Bellagio. Em Salvador, na arena Fonte Nova assisti ao Dire Straits.

      Por uns dias, durante a viagem a Las Vegas em abril, tive a companhia de um casal de sobrinhos que está residindo nos Estados Unidos. Agradável e engrandecedor.

      Por não estar mais na operação de televisão, consegui me desligar das obrigações e viajei, em férias, para a Península de Maraú, bonito e interessante, mas o mar está invadindo as praias, tomando o que a ele pertence. Também não gostei do lixão a céu aberto na entrada da península. Mostra um descaso com a natureza, com o local e para com as pessoas.


FÉRIAS EM MARAÚ - OUTUBRO 2017

      Até poderia ser uma ano a ser celebrado, mas … sem o seu trabalho um homem não tem honra…não dá prá ser feliz, não dá prá ser feliz …





segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Medo De Vencer


      Em dezembro a Nega e eu completaremos 38 anos juntos e ela, que me conhece bem, costuma dizer que tenho estômago de avestruz, couro de jacaré e que eu gostaria de ser americano. Meu estômago não aceita mais incólume um copo cheio de chá de alho como outrora, o “couro” também piorou, ao ponto de ter que usar protetor solar para sair de casa com o sol forte, mas que gosto da língua inglesa, dos Estados Unidos e da sua cultura, isso sim.

      Tenho medo dos extremos, acho-os todos perigosos, mas admiro a cultura do mérito, da conquista de acordo com a capacidade, do esforço e da determinação na busca pela vitória, e deve ser por isso que os esportes me fascinam. Não gosto da rispidez nas relações que os europeus e americanos têm, mas a obsessão deles por vencer pode ser vista nas olimpíadas. São muitas as leituras que podemos fazer dos resultados, mas há três comportamentos que eu gostaria de destacar. Enquanto o Brasil patina no quadro de medalhas, os Estados Unidos e a China brigam pela liderança. Durante toda a minha vida os americanos estiveram na ponta e o papel que hoje a China representa foi da União Soviética e de seus associados, como Alemanha Oriental e de Cuba.

      Culturalmente os americanos são incentivados a vencer e há apoio financeiro e tecnológico aos seus atletas. O sistema de descoberta de talentos vem das escolas, com campeonatos locais, regionais e nacionais e começa bem cedo. Já na China há a imposição do governo que “fabrica” muitos dos atletas e eles são obrigados a vencer por imposição do estado. Há o caso conhecido do casal de jogadores de basquete que foram obrigados a ter filho para gerar bons jogadores, e também há a denúncia de que o governo separa as crianças da família e as obriga a participar de sessões intensas de treinos, que são incompatíveis com a idade e com o desejo.

      Já no Brasil são os clubes que formam os atletas e os que se destacam conseguem algum patrocínio. O nosso modelo é mais próximo do americano e é bom que assim seja, pois numa democracia não tem lugar para a intromissão do estado na vida privada, mas, por outro lado, há muito menos clubes que escolas, logo, na base, levamos desvantagem. Grande parte das medalhas brasileiras vem de esportes de elite como hipismo e iatismo cujos atletas têm condição de se manter, porém nas demais modalidades, sem planejamento e sem apoio do governo não há como obter bons resultados, salvo casos excepcionais.

      Além da estrutura equivocada e da falta de apoio, a nossa cultura não é a do vencedor, o brasileiro gosta do esforçado e do desfavorecido. A eleição do Lula não foi uma eleição de ideal político, mas a luta do pobre trabalhador sem escolaridade contra a elite intelectualizada. Até o reality show Big Brother teve suas regras mudadas, pois quando dependia de votação ganhava o pobre ou o representante da minoria, nunca o bonitão ou a gostosona. Em todos os jogos há os brasileiros que saem desapontados por um resultado muito abaixo do esperado e não os culpo, pois eles possuem algum resultado expressivo, mas são o retrato da nossa estória, da nossa cultura, na verdade, são os nossos representantes.

      Poderíamos até dizer que os brasileiros adotaram o espírito dos jogos “O importante é competir”. Coisa nenhuma! O importante é ganhar, e ganhar o ouro, pois ninguém ganha a prata, perde o ouro. Enquanto o brasileiro é preparado para participar, o nosso adversário é preparado para vencer.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Quase Fui Atropelado.


      Não bastasse a baixa qualidade do ensino no Brasil, temos que conviver também com a falta de educação. A nossa permissiva constituição determina que o estado provenha educação básica e que cuide das crianças. Isso seria ótimo...se funcionasse. Vejo todo início de ano pais reclamando da falta de vaga para seus filhos nas creches municipais. São enfáticos: é nosso direito... pagamos nossos impostos... Não posso dizer que eles estão errados, pois a lei os ampara, mas a escola que já tinha baixa qualidade piorou. Virou depósito de criança.

      São muitas as famílias que transferem para a escola a responsabilidade de educar os seus filhos e não apenas de transmitir-lhes conhecimento. É evidente que sem a estrutura adequada em termos físicos e de recursos humanos a escola não faz uma coisa nem outra e a deseducação só faz aumentar.

      Quando falta educação a qualidade da cultura também é sofrível. Pertencemos ao país da malandragem, do jeitinho, da malemolência, do deixar tudo para a última hora e de levar vantagem em tudo. Não querendo entrar na seara da incompetência, da corrupção e da política, vou me ater ao trânsito. Somos também do país do desrespeito total às regras de trânsito. Ultrapassamos pela direita, não respeitamos a sinalização, velocidade máxima então só serve para dar dinheiro a quem produz as placas e que nem mesmo a indústria da multa consegue dar um jeito. De acordo com a seguradora que administra o DPVAT morrem 160 pessoas por dia no trânsito no Brasil, a maioria é de jovens com idade entre 21 e 30 anos. Das indenizações pagas em 2010 31% foram por causa de acidentes de carros e 61% de acidentes com motos.

      Há pouco mais de um mês quase fui atropelado na esquina de casa. Por eu ter somente uma vaga de garagem no prédio onde moro a deixo para a minha filha e alugo outra garagem na esquina. Tenho que atravessar duas ruas e fiz isso sobre as duas faixas para pedestres. Na primeira tudo bem, mas na segunda, quando eu já estava no meio da rua, um motociclista não respeitou a placa de parada obrigatória e com a visão encoberta por uma van não me viu e desviou muito perto. Aquela caixa horrível que esses entregadores carregam nas costas, e na qual provavelmente deveria haver pizzas, bateu em minha mochila.

      Devido à alta velocidade ele levou uns 40m até reduzir, voltou na contra mão e por sobre a calçada e queria brigar comigo. Ele foi categórico ao afirmar que eu estava ficando louco, pois a placa de parada obrigatória não é para ser respeitada e se não vem ninguém na outra rua ele não precisa nem reduzir a velocidade, e que a única função da faixa é gastar tinta! Me vi numa situação ridícula de ter que discutir no meio da rua e poderia ter sido pior, ter que enfrentá-lo fisicamente, ainda que ele estivesse com luvas, blusa de couro, capacete, e sendo 10cm mais alto que eu e provavelmente uns 15kg mais pesado, com a minha condição atlética acredito até que eu não sairia tão mal, mas não preciso disso. Não devo e não quero viver nesse nível.

      Eu não vou mudar o mundo e sou do tipo consumidor idiota fiel aos locais e marcas, mas só até que algo me desagrade e me obrigue a trocar, mas há muito tempo tomei uma decisão: eu não peço a entrega de comida pronta. Se for preciso saio de casa e vou buscar, mas não alimento esse tipo de emprego e cultura, sim, pois essa maneira de utilizar as motos vêm dos “motoboys” de São Paulo que te fecham, chutam os espelhos, se chamam de irmãos e se transformam em uma turba contra qualquer motorista que supostamente tenha desrespeitado a um deles.

      Acredito que esses desgraçados não tenham tido a oportunidade de ter uma melhor instrução, qualificação e conseguido melhores empregos, mas se depender de mim, não irão ganhar a vida fazendo entregas e disseminando essa falta de valores.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Retrógrada


      Se você está lendo esse artigo é porque tem acesso à internet. Acesso esse que se popularizou nos últimos vinte anos e hoje ninguém que já o tenha experimentado quer, ou pode, dispender dele. Junto com essa rede vários negócios foram criados e outros modificados, e mais do que isso, foi criada uma cultura de conectados.

      Já me disseram que a internet aproxima os distantes e distancia os próximos e disso sou testemunha. Tenho feito amigos de diversas partes do mundo e me comunicado com amigos de tempos atrás, ao mesmo tempo em que nos sofás da sala de casa cada um de nós está com seu dispositivo conectado a uma rede sem fio fazendo a mesma coisa e, absurdamente, já nos falamos via computador estando a alguns metros uns dos outros ...  e vendo-nos.

      Nunca gostei de ler jornal e costumava me informar através de revistas e telejornais. Hoje continuo com as revistas, com os telejornais e, principalmente, verificando os sites de notícias. Não costumo utilizar as notícias instantâneas porque isso escraviza. Não posso ficar à mercê de um bombardeio de informações, a maioria inútil. Por isso escolho o que quero ler e no horário que considero ser o melhor.

      Ao mesmo tempo em que simplifica alguns serviços, por exemplo, compras e transações bancárias via rede, ela trás o risco para dentro das nossas casas. Desde fraudes em cartões de créditos, compras em sites fantasmas que recebem o dinheiro mas não entregam a mercadoria, e na disseminação de informações que facilitam roubos, furtos e até sequestros, sem falar na tão discutida e propagada pedofilia. 

      Nas diversas redes sociais as pessoas passaram a se expor mais. Nos sites de relacionamento alguns conhecidos impopulares têm centenas de amigos que gostam e comentam ações simples, cotidianas. Com a multifuncionalidade dos telefones celulares é comum ver fotos ou filmes segundos após terem sido feitos e terem sido disponibilizados, mesmo que o autor estivesse o tempo todo ao volante.
Não há dúvida que esse é um mundo novo no qual as crianças, cujas famílias têm acesso, já nascem conectadas, e até o ultrasom feito com poucas semanas de gestação é exposto e comemorado.

      Ainda que eu entenda um pouco de tecnologia, seja um usuário assíduo e mesmo que possa receber rótulos diversos, devo confessar: há coisas das quais não abro mão. Por exemplo, um texto elegante, que possua a gramática correta e que seja preciso. Não suporto ver notícias pela metade, com descrição pobre e coalhada de erros de português. Pior ainda são aquelas que se travestem de notícias para tratar de futilidades, e como tudo pode piorar, há ainda a sessão de comentários. Aqui os absurdos acontecem. Escondidos pelo pseudo anonimato e por pseudônimos ridículos alguns consideram a internet como sendo terra de ninguém. Perdem a razão nas primeiras palavras e por não serem consistentes atacam. Atacam para não serem atacados, mas o são assim mesmo. Essas pessoas não entendem que a internet é apenas um meio e não um fim em si, e na qual a civilidade, a educação e o respeito devem ser mantidos. Essa deve ser uma ferramenta para elevar o nosso nível cultural e não para rebaixá-lo.

      Há tempos li uma crônica – desabafo feita pelo escritor e repórter da Globo News Geneton Moraes Neto. Ele se sentiu caluniado pelo autor de um blog e ao invés de entrar na briga através da rede, provocou uma representação judicial e levou o caso até o julgamento. Na ação, que foi por ele ganha, não solicitou ressarcimento financeiro, mas apenas a condenação e a retratação, que foram feitas. 

      Posso ser retrógrada, mas sou otimista: nem tudo está perdido.