terça-feira, 12 de outubro de 2010

Alfândega.

      O limite de isenção na alfândega brasileira é de 500 dólares e eu, evidentemente, comprei eletrônicos que ultrapassam os 1.000. Usei então a conhecida tática: uma mala média, uma mochila pequena, apenas uma sacola no free shopping e esperei para entrar na fila logo atrás de um casal que transportava um monte de malas, não deu outra, mesmo na fila do nada a declarar eles foram barrados e eu liberado. Eu teria passado livre mesmo se tivesse trazido uma bateria e uma guitarra.

      Por aqui a gente começa a ver como nossas estruturas funcionam. Ainda no corredor anterior à passagem pela policia federal, as funcionárias reclamavam, para quem quisesse ouvir, sobre a escala de trabalho e o fato de ter que trabalhar em pleno feriado. No banheiro, acanhado para um aeroporto desse porte, um funcionário reclamava para outro sobre a falta de produtos de limpeza. Na esteira de bagagem, que é pequena, acumulam-se os carrinhos, tomando o espaço das pessoas. Parece que havia um monte de estagiários no free shopping, foi mais difícil do que o normal comprar as coisas, então desisti do champagne. No caixa havia um rapaz gordo, com falha nos dentes, careca e que arrastava uma das pernas ao se locomover, mas que insistia em, popularmente falando, chavecar todas as meninas que lá trabalham, incluindo a pérola de rimar meu coração que por você bate como algo que não compreendi mas que terminava em abacate, o problema é que eu estava com pressa e nem um pouco interessado na vida amorosa dele, isso sem falar que ele não tinha troco e saiu para buscar, teve que pedir um grampeador emprestado e a a moça que o emprestou disse: esse grampeador está "zoado".

      Já dentro do ônibus que me levaria ao terminal do Tietê, o motorista que estava na porta reclamava do chefe, que pune por questões pessoais e não profissionais. Na poltrona de número 5, que comprei, já havia um senhor sentado, pedi licença e ele se mudou, chegou a dona donovo lugar e ele foi sentar-se nos fundos do ônibus, imagino que no lugar correto.

      Após comprar a passagem para São Carlos eu tinha ainda cerca de 15 minutos livres e decidi escovar os dentes, logo tive que ir ao banheiro pagando RS 1,25 e passando por uma catraca apertada com toda a bagagem. O piso estava molhado e um funcionário puxava a água com um rodo. Inacreditável era a cor da água, tudo bem, sobrevivi.

     Fui para a plataforma 19 onde se deu o embarque para casa, pelo menos isso, o motorista atendia a todos com simpatia. Mas alegria de pobre dura pouco, o rapaz que se sentou ao meu lado dormia com a boca aberta e roncava. Em São Carlos, o funcionário que retirava as malas de dentro do bagageiro era lento e me fez esperar até aparecessem todos os outros passageiros, pois havia malas na frente da minha e ele não queria afastá-las, queria entregá-las, resultado, fui o segundo a sair do ônibus e o último a deixar o terminal.

      Ufa, cheguei!

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