Qual é a sua primeira lembrança sobre política? A minha recordação mais antiga é de fevereiro de 1.969, eu tinha 10 anos de idade e me lembro de estar deitado na cama de meus pais ouvindo pelo rádio uma lista de políticos cassados pelo governo militar respaldado pelo Ato Institucional número 6. O ato mais famoso é o AI5, editado em 1968, que deu ao governo poderes ditatoriais acima da constituição de 1.967 e fechou o congresso, já o AI6 promoveu a cassação de diversos políticos e colocou na ilegalidade outros tantos além de diversos intelectuais, sendo que muitos deles tiveram que deixar o país.
Depois disso participei da política local como entusiasta e fazia oposição à ditadura como muitos jovens e adolescentes da minha época. Lembro-me da participação ativa, já com 16 anos, da campanha para eleição para o senado do Orestes Quércia contra o Carvalho Pinto. Naquela época o então ex-prefeito de Campinas representava a juventude, a renovação, a democracia e a oposição (MDB) contra o regime autoritário comandado pelos militares e referendado pela Arena. O Quércia tinha fama de político forte, aguerrido e de bom administrador, e ganhou; aliás, a oposição teve uma acachapante vitória, o que obrigou o governo em 1.978 a criar o cargo de senador biônico. Nessa eleição a Arena conquistou a grande maioria dos cargos pois metade seria escolhida em eleição indireta e a outra metade seria nomeada pelo governo.
Sempre acompanhei a política e os políticos, vi avanços e retrocessos, bons e maus servidores e sempre estive atento aos sinais dados por eles. Hoje os mais de 22.000 cargos comissionados na administração federal e a leniência com as invasões de terra e de escritórios de administração são apenas a extensão do loteamento de um governo que se apoderou do estado, utilizando como regra o estado a serviço do partido e não o governo a serviço do povo. A primeira sensação que tive que esse seria o desenrolar do tal governo da esperança se deu nos primeiros dias do governo Lula, quando esse se aboletou no Planalto e mandou fazer uma estrela com flores vermelhas no jardim da residência oficial, esquecendo a simbologia que o palácio tem como sede de governo e não de diretório do partido, barracão de escola de samba ou sede de torcida organizada.
O governo Lula acertou naquilo que não mexeu como na economia e errou em diversos setores como na política externa, no entanto, erros são perdoáveis, já que fazem parte do processo, mas a sucessão de escândalos acobertados e o loteamento de cargos estragou a sua biografia bonita. Se hoje ele consegue eleger até um cone e tem uma popularidade que beira a unanimidade, o tempo será o seu mais cruel detrator, pois se encarregará de trazer à tona o descaminho que a nação tomou. Esse tempo poderá ser mais longo se a situação ganhar as eleições ou mais curto se o novo governo for da oposição. É uma pena, pois com esse messianismo, perdemos todos.
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