quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Deu certo?

      Estou lendo um livro interessante. O jornalista Laurentino Gomes escreveu uma reportagem histórica sobre a independência do Brasil chamada 1822. Às vezes um pouco repetitiva, mas sem que isso tire a vontade de chegar ao fim, na capa vem o resumo: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado. Imediatamente vem a pergunta: mas deu certo? Como o próprio autor diz, a resposta depende do ponto de vista de cada um.

      Se considerarmos um universo composto por mais de 200 países, uma economia entre as 15, com grande extensão territorial, com riquezas naturais, com quase 200 milhões de habitantes e uma democracia instalada, é de se supor que sim, deu certo, mas comparando os indicadores sociais que o coloca em uma posição em torno do sexagésimo lugar, a resposta é: quase deu certo. E quando se vê o nível de tecnologia, de desenvolvimento e investimentos que vi nesses últimos dias, a resposta é um sonoro não.

      Além disso, já escrevi aqui algumas vezes sobre a limpeza dos lugares, das ruas e das estradas, e isso choca. Conheço uma dezena de cidades americanas e algumas européias, e quando as comparo com as nossas, dá vergonha e uma certeza, não deu certo. Não se trata apenas da limpeza, mas também da organização. Temos estruturas mínimas e nossos governantes não se preocupam com a infraestrura, e o resultado é um trânsito ruim, pouca segurança, locais feios e sujos. Não estou aqui falando do país de uma de maneira geral, do norte onde se viaja de canoa, ou do agreste onde a seca, a mula e a miséria ainda comandam o ritmo de vida. Estou falando do rico interior do estado mais rico da nação. Quando vejo as nossas ruas sujas, acanhadas, sem parques, sem ciclovias, com mato nos terrenos baldios e calçadas impraticáveis para os pedestres, desanima.

      Nos últimos dias tenho andado por ruas e avenidas organizadas, limpas, arborizadas, sinalizadas e onde o trânsito flui. Mesmo assim, as obras continuam, imagino que sejam para melhorar o que já é bom, e o que dá inveja é saber que esses mesmos princípios são colocados em todas as atividades. No atendimento às pessoas, nas estruturas de informações, na organização das atividades e até nos banheiros, que mesmo estando limpos, não se vê a todo o momento aquele aparato agressivo de limpeza composto por panos, rodos e baldes e um pobre coitado se esforçando para fazer o impossível, manter limpo o local. E logo vem a pergunta, se é possível funcionar direito, porque não conseguimos fazê-lo?

      Há algum tempo, retornando de Amsterdan, sentei-me ao lado de um professor holandês que vinha ao Brasil proferir uma palestra. Ao sobrevoarmos São Paulo para aterrisarmos em Guarulhos ele sentenciou: faltam áreas verdes. Senti-me envergonhado, pois afinal temos a maior floresta tropical do mundo, algumas das maiores reservas de água doce em estado líquido e potável do planeta, além de espaço de sobra. E o que ele provavelmente ainda iria descobrir mais tarde: faltam muitas outras coisas mais, principalmente conhecimento. E conhecimento é a base de tudo, inclusive, vi hoje escrito em uma das paredes da NASA: vida na lua = material de construção + energia + suporte à vida + conhecimento, esse, em negrito.

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