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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Quase Fui Atropelado.


      Não bastasse a baixa qualidade do ensino no Brasil, temos que conviver também com a falta de educação. A nossa permissiva constituição determina que o estado provenha educação básica e que cuide das crianças. Isso seria ótimo...se funcionasse. Vejo todo início de ano pais reclamando da falta de vaga para seus filhos nas creches municipais. São enfáticos: é nosso direito... pagamos nossos impostos... Não posso dizer que eles estão errados, pois a lei os ampara, mas a escola que já tinha baixa qualidade piorou. Virou depósito de criança.

      São muitas as famílias que transferem para a escola a responsabilidade de educar os seus filhos e não apenas de transmitir-lhes conhecimento. É evidente que sem a estrutura adequada em termos físicos e de recursos humanos a escola não faz uma coisa nem outra e a deseducação só faz aumentar.

      Quando falta educação a qualidade da cultura também é sofrível. Pertencemos ao país da malandragem, do jeitinho, da malemolência, do deixar tudo para a última hora e de levar vantagem em tudo. Não querendo entrar na seara da incompetência, da corrupção e da política, vou me ater ao trânsito. Somos também do país do desrespeito total às regras de trânsito. Ultrapassamos pela direita, não respeitamos a sinalização, velocidade máxima então só serve para dar dinheiro a quem produz as placas e que nem mesmo a indústria da multa consegue dar um jeito. De acordo com a seguradora que administra o DPVAT morrem 160 pessoas por dia no trânsito no Brasil, a maioria é de jovens com idade entre 21 e 30 anos. Das indenizações pagas em 2010 31% foram por causa de acidentes de carros e 61% de acidentes com motos.

      Há pouco mais de um mês quase fui atropelado na esquina de casa. Por eu ter somente uma vaga de garagem no prédio onde moro a deixo para a minha filha e alugo outra garagem na esquina. Tenho que atravessar duas ruas e fiz isso sobre as duas faixas para pedestres. Na primeira tudo bem, mas na segunda, quando eu já estava no meio da rua, um motociclista não respeitou a placa de parada obrigatória e com a visão encoberta por uma van não me viu e desviou muito perto. Aquela caixa horrível que esses entregadores carregam nas costas, e na qual provavelmente deveria haver pizzas, bateu em minha mochila.

      Devido à alta velocidade ele levou uns 40m até reduzir, voltou na contra mão e por sobre a calçada e queria brigar comigo. Ele foi categórico ao afirmar que eu estava ficando louco, pois a placa de parada obrigatória não é para ser respeitada e se não vem ninguém na outra rua ele não precisa nem reduzir a velocidade, e que a única função da faixa é gastar tinta! Me vi numa situação ridícula de ter que discutir no meio da rua e poderia ter sido pior, ter que enfrentá-lo fisicamente, ainda que ele estivesse com luvas, blusa de couro, capacete, e sendo 10cm mais alto que eu e provavelmente uns 15kg mais pesado, com a minha condição atlética acredito até que eu não sairia tão mal, mas não preciso disso. Não devo e não quero viver nesse nível.

      Eu não vou mudar o mundo e sou do tipo consumidor idiota fiel aos locais e marcas, mas só até que algo me desagrade e me obrigue a trocar, mas há muito tempo tomei uma decisão: eu não peço a entrega de comida pronta. Se for preciso saio de casa e vou buscar, mas não alimento esse tipo de emprego e cultura, sim, pois essa maneira de utilizar as motos vêm dos “motoboys” de São Paulo que te fecham, chutam os espelhos, se chamam de irmãos e se transformam em uma turba contra qualquer motorista que supostamente tenha desrespeitado a um deles.

      Acredito que esses desgraçados não tenham tido a oportunidade de ter uma melhor instrução, qualificação e conseguido melhores empregos, mas se depender de mim, não irão ganhar a vida fazendo entregas e disseminando essa falta de valores.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Oscar, carnaval e jet ski.


      Desde muito tempo há a dominação de um povo sobre outros. E foram muitos os casos como dos Gregos, Romanos, Mongóis, Espanhóis, Portugueses, Franceses, Ingleses e, atualmente, os Americanos. A dominação pode se dar pela ocupação do território e também pela imposição da religião e cultura, e nesse aspecto os Americanos foram, sem dúvida, os mais bem sucedidos. O inglês pode não ser a língua mais falada no mundo, pois a população chinesa é imensa, mas é a língua do comércio e das publicações. A moeda de troca internacional é o Dólar Americano, e eles também dominam as patentes, as ciências, os esportes, a literatura, a música e, principalmente, o cinema. A indústria do cinema movimenta bilhões de dólares anualmente e faz de diretores, produtores, atores e atrizes, ricas celebridades. No próximo domingo haverá a entrega do Oscar, e pode haver algo mais inútil do ponto de vista de construção da sociedade? Sim, poder até pode, mas se não houvesse essa cerimônia não iria ocorrer o apocalipse. O símbolo que a cerimônia trás é a da predominância da cultura americana sobre as demais, pois é assitida ao vivo por milhões de pessoas de todas as partes do mundo e tem a repercussão dos principais veículos de comunicação de todos os continentes.

      Enquanto isso com a cultura dos dominados nos preparamos para, na próxima semana, iniciar o ano, pois o carnaval terá terminado, claro que não para todos, há sempre aqueles que festejam durante o ano todo. A utilidade do carnaval também é questionável e esse pode ser abominado por muitos, mas faz parte da nossa história e não dá sinais de esgotamento, aliás, nos últimos anos vem se reinventando, tanto que o Rio de Janeiro estuda medidas para limitar o número de blocos de rua, pois não há espaço para todos. E o que dizer então de Salvador, onde o chamado “Circuito da Folia” passa de 20 quilômetros? Em Recife o número de participantes não se conta mais aos milhares, mas em milhões, e em diversas grandes cidades há ainda os desfiles das escolas de samba que cresceram nas graças das contravenções e iniciam agora o processo de administração profissional. Muita gente não gosta dos desfiles e das suas músicas, mas, para muitos, esse momento é a consagração de todo um ano de trabalho e sonho. Sonho que foi trágico e cômico quando numa atitude aparentemente orquestrada foram roubadas as cédulas da apuração em São Paulo. Algumas pessoas foram detidas e devem assim permanecer até o julgamento, pois a subtração de documentos é crime inafiançável.

      Já para uma família que não queria mais do carnaval a não ser os dias de descanso e se retirou para Bertioga, no litoral, não há motivo para comemoração, pois a filha de 3 anos foi morta depois de ser atingida, na areia, por um Jet ski aparentemente manuseado por um adolescente que se refugiou e irá se apresentar à polícia com advogados após a prescrição do flagrante. É claro que ele tem direito a defesa e está se utilizando daquilo que os seus recursos e a lei lhe faculta, mas volto sempre ao tema: a má qualidade das nossas leis, pois não se pode roubar cédulas com as notas atribuídas às escolas de samba, mas matar, pode.