sábado, 20 de abril de 2013

Boston - Os Pais.


      Na última segunda-feira, 15/04, cheguei ao aeroporto JFK em nova Iorque às 4 da tarde e tomei um taxi rumo a Manhatam. O rádio estava ligado e comecei a ouvir os comentários sobre 2 explosões consecutivas, número de vítimas e movimentação policial, mas não consegui identificar o local nem as circunstâncias. Chegando ao hotel liguei a TV e fiquei sabendo sobre o atentado na Maratona de Boston e que havia 3 mortos e centenas de feridos. Ao sair caminhando notei intenso patrulhamento e policiais em todos os cantos.

      Minha atenção se voltou a dois fatos: a morte de um menino de 9 anos e o que leva uma pessoa a ter essa atitude. Sentia a dor dos pais daquele menino e imaginava que o saldo poderia ter sido muito pior se as explosões tivessem ocorrido na largada e não na chegada, pois no início a aglomeração é muito maior. Vendo o noticiário me vi envolvido na busca, desejando que o culpado fosse detido, afinal, aquilo não foi acidente, foi deliberado. Algumas pessoas foram detidas e liberadas e dois suspeitos foram identificados e a caçada começou, mas havia a dúvida se deveriam ou não divulgar os nomes. Na quinta feira embarquei para o Brasil ainda sem saber do assalto à loja de conveniência, do roubo de um carro e sequestro de seu motorista, da morte de um policial e de um dos suspeitos. Ao chegar na sexta-feira ainda se fazia o cerco ao segundo suspeito que acabou sendo preso depois de ter sido ferido.

      No Jornal Nacional vi depoimentos de colegas dos dois rapazes, de seus pais e de alguns de seus parentes e fiquei muito mais triste, imaginando que um já está morto e o segundo provavelmente o será depois de julgado. São muitas vidas jovens desperdiçadas. Não sei se eles são mesmo os culpados pelo atentado, mas parece que não há dúvidas sobre os assaltos e troca de tiros, além do que foram encontradas armas e explosivos em suas residências. O mais velho era casado e tinha uma filha pequena e assim como seu irmão mais novo era inteligente e culto. Ambos são de origem russa e foram criados e estudaram nos Estados Unidos. Portanto, qual seria a razão para atacar o país que os acolheu? 

      No Central Park, na quinta feira, passei por uma manifestação de indianos, não sei identificar a que grupos pertencem, mas eram todos homens, alguns meninos, e os adultos vestiam ternos, uma espécie de turbante e tinham barbas longas. Gritavam por justiça e por liberdade na Índia. Eram acompanhados por policiais americanos e crianças distribuiam panfletos. Peguei um deles e perguntei do que se tratava e o menino me disse que estavam apoiando um professor. Ainda andando me deparei com grupos de diversos lugares, muitos turistas e vários residentes. Os dois taxis que tomei eram conduzidos por pessoas de origem árabe. No sul da ilha vi muitos orientais e seus comércios, e no centro, muitos hispânicos. Os Estados Unidos podem ter errado muito em sua política externa, mas certamente é um dos países mais tolerantes quando se trata de imigração e agora tem que conviver com um drama, quanto mais se protege, mais está exposto.

      Como esportista me sinto infeliz com um atentado em uma prova tão democrática, pois a corrida é o único esporte onde a pessoa comum participa junto com o ídolo, e como pai fico pensando no sentimento dos pais dos garotos. Daquele inocente que apenas se divertia e daqueles que podem ter praticado esse ato. Os primeiros serão sempre vítimas e os segundos serão culpados para sempre sem ter tido nenhuma participação no episódio. Terão aquele sentimento "de onde foi que errei?". Se forem mesmo culpados, e ainda que não o sejam, como será a vida da filha daquele mais velho? É muita dor por nada, era perfeitamente possível ficar sem isso.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Haja Petição.


      Venho do tempo antigo, ainda da “era do rádio” quando as comunicações pessoais eram feitas através de cartas, as urgentes por meio de telegramas e as músicas eram gravadas em discos espessos e pesados. Vieram a TV que se reinventou, mas o Fax e o Telex nem esquentaram a cadeira, e o DVD também teve vida curta. Comecei minha carreira trabalhando com máquina de escrever e em pouco tempo já estava utilizando computador que era um mostro em tamanho, porém com processamento infinitamente menor que o de um simples telefone celular utilizado hoje em dia. Naquela época havia protestos nas ruas, manifestações na imprensa e o instrumento do povo era o abaixo-assinado. Redigia-se um documento e quem concordava com a ideia “assinava em baixo” e quando muito contava-se em milhares os adeptos. O equivalente de hoje é a petição que elevou os assinantes a milhões.

      Adaptei-me muito bem com as novas tecnologias, perdi o sossego com a conectividade e até “assinei” algumas petições, mas no meu entendimento elas foram banalizadas. Há muitas organizações profissionais que estão se especializando em criar petições. Elas arrumam uma “causa” e através de mecanismos de spam espalham as mensagens. Após assinar a primeira o seu endereço é cadastrado e você não tem mais o menor trabalho para assinar a próxima e tampouco precisa ler o texto. Se você permitiu que o seu computador tivesse gravado o preenchimento automático, basta digitar uma letra, apertar o enter e, em seguida, o send. Acabou. Você é um manifestante. Mas a modernidade não para por aí. Você pode avisar os seus amigos que você é “engajado” pois há links para todas as redes sociais. Você pode também tornar-se um militante. Com um clique você pode se comprometer a arrumar um número de “assinaturas” ou enviar um convite a todos os seus amigos virtuais que já aparecem marcados para receber a mensagem. Basta outro clique e pronto: você já é um ativista.

      Há petições para tudo. Para salvar o urso panda, os golfinhos, os botos, os tigres, os elefantes, as mulheres, as crianças, e as minorias, sejam elas quais forem. Ainda hoje recebi uma mensagem que dizia: se você é um estudante endividado ou se importa com as abelhas, assine a petição. Em tese, ninguém consegue ser contra argumentos tão convincentes, mas duvido que todos tenham lido até o final os textos que te convidam a assinar. São pregações intermináveis dispostas em páginas carregadas e apelativas e para se livrar delas é melhor assinar logo, pois na maioria das vezes isso evita recebê-la novamente. Porém quem pode atestar a veracidade das mesmas?

      Há pouco tempo houve uma campanha de vídeo que em termos modernos tornou-se “viral”, espalhando-se rapidamente, e que por ter sido feita em português e disseminada em inglês teve interpretação completamente diferente da realidade. Chamada de “Cala a Boca Galvão” era uma brincadeira com um narrador esportivo e que foi interpretada como sendo uma campanha para salvar um papagaio da extinção. Teve outra campanha de vídeo estrelada por jovens atores e atrizes engajados em impedir a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Ela apresentava diversos dados e situações que foram desmentidos ponto a ponto por pesquisadores e estudantes, pois continha erros grosseiros. Independentemente do assunto ou do lado que se defenda é necessário ter seriedade,e não dá para acreditar em qualquer coisa. Como sempre foi, as afirmações devem ter sustentação e os dados precisam ser verificados.

      Apesar da aparente boa ideia e da boa vontade, o sem número de petições emitidas decretará a derrocada do instrumento, pois esse ficará desacreditado. Alguns podem surtir efeito, porém a maioria será simplesmente esquecida. Recentemente houve uma de sucesso que em poucos dias arregimentou mais de 1.600.000 assinaturas solicitando a renúncia do presidente do senado. E o que aconteceu? Nada! Recebeu a cobertura da imprensa durante a sua a entrega, foi recepcionada por senadores bem intencionados, foi comentada em blogs e pela imprensa em geral e morreu por aí, pois nem sempre da quantidade se extrai qualidade.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Doze Vezes Não.


     Não li todos os livros que eu gostaria, porém, dos que li, gostei de vários, muitos me foram indiferentes e alguns muito ruins.

      Não assisti a todos os filmes que imagino serem bons, mas assisti a vários que foram terríveis e nenhum foi excelente, pois sempre encontro defeitos.

      Não ouvi todas as músicas que me agradariam, pois creio que as melhores ainda não foram compostas, no entanto já me vi obrigado a escutar muita porcaria.

      Não assisti a muitos concertos, mas àqueles a que pude ir, em sua maioria, gostei, pois nesse quesito sempre fui seletivo.

      Não estive tanto quanto eu gostaria em teatros, peças e espetáculos, mas naqueles em que estive, apenas de poucos não gostei.

      Não estive em todos os lugares que eu gostaria de ter estado, e nem com todo o dinheiro do mundo e tempo disponível eu conseguiria, pois a vontade é maior do que uma vida. Entretanto já permaneci tempo demais em lugares que jamais quis estar.

      Não saboreei as melhores refeições, mas isso não me faz falta. Sinto falta da refeição, mas não dos sabores.

      Não disputei todas as partidas que me alegrariam, também, eu não jogo nada tão bem.

      Não voei de asa delta e nem pulei de paraquedas porque tenho medo, e não subi o Everest porque não tenho condição física adequada e muito menos quarenta mil dólares para isso, porém coragem não me falta.

      Não estudei tudo o que acho que eu precisaria, porque eu gosto de saber, não de estudar.

      Não conheci todas as pessoas que considero serem valiosas, e nem seria possível, pois a maioria é de outra época.

      Não confiei em cardiologista que fuma, preparador físico barrigudo e nutricionista gordo. Porque então acreditaria em político que mente e rouba?

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Praticando O Desapego


      Em uma única noite de natal vejo crianças ganhando mais presentes do que ganhei em toda a minha infância. Dos poucos que tive a maior parte era roupa e alguns eram para ser divididos com meu irmão. Salvo alguns vindos de tios e tias, os demais foram comprados pela minha mãe ainda que o dinheiro tenha vindo do meu pai. Talvez por isso me lembro bem do único presente que o meu pai me deu.

      Logo que completei 18 anos deixei a casa de meus pais em minha cidade natal para começar a minha carreira profissional e tinha pouca coisa para levar. Tudo o que eu tinha e valia a pena ser carregada cabia em uma pequena mala e lá estava o tal presente: um aparelho metálico de barbear, daqueles que utilizavam a velha lâmina que era conhecida pela marca Gillete, algumas com o nome Blue Blade.

      Não tenhobarba cerrada mas acostumei a cortá-la todos os dias, e ao contrário de muitos dos meus amigos, gosto desse momento. É o meu tempo de verdade em frente ao espelho. Utilizei o tal aparelho desde 1977 e por mais ou menos uns 20 anos quando ele se estragou e tive que me render à modernidade. Passei a utilizar o GII, de lâminas paralelas. Acostumei-me com ele e utilizo a tal lâmina até que a barba não esteja sendo cortada, mas quase arrancada.


      Como o capitalismo é pródigo em criar necessidade, há tempos li uma reportagem travestida de matéria em que o fabricante havia gastado alguns milhões de dólares para desenvolver o aparelho com três lâminas paralelas. Oras, se já havia duas, para colocar uma terceira deveria custar baratinho, o contrário me parece apenas enrolação. Mas esse não é o meu dilema.

      Sou muito apegado às coisas, costumes e pessoas. Vou ao mesmo posto de combustível, vario pouco de restaurante, só tenho conta em um banco, estou na mesma empresa há praticamente 34 anos, cultivo amizades do tempo da minha adolescência. E agora não estou mais encontrando a tal lâmina GII para comprar. Dizem que pararam de fabricar e revirando as gavetas consegui juntar apenas cinco, ou seja, utilizando cada uma por 2 meses, quando entrarmos em 2014 precisarei dar uma solução.

      Há algumas opções: as de três lâminas, as de cabeça móvel, as de outros fabricantes, os descartáveis, os aparelhos elétricos, mas por enquanto nenhuma me atraiu. Isso é como comprar tênis, no pé dos outros parece bonito, no próprio pé fica meio estranho.

      Além de me preocupar com isso há um fato que sempre me intrigou: na embalagem comercial havia espaço para seis lâminas mas só vinha quatro no pacote. Assim vocês podem me ajudar ou desvendando o mistério ou me enviando as que encontrarem adiando assim o meu momento de desapego. 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sons Urbanos


      Moramos no centro da cidade para facilitar o deslocamento e temos outras vantagens: não falta saneamento básico, a coleta de lixo se dá todos os dias, não falta água, são poucos os cortes de energia e esses, quando ocorrem, são curtos, as ruas são razoavelmente pavimentadas, há acesso a TV a cabo e telefone, e o transporte público é fácil. Mas isso tem custo: os preços são sempre mais altos e há barulho, muito barulho.

      O mais constante é o do trânsito, e são carros, motos e veículos grandes como caminhões e ônibus. Sempre tem a insuportável música do caminhão de gás, a da pamonha de Piracicaba e carros de som com todos os tipos de promoção, mas nenhuma que te dê alguma coisa, mas sempre querendo te tomar algo, seja, no mínimo, tempo ou dinheiro, ou os dois.

      Também tem as construções. São várias simultaneamente, e quando uma termina sempre há outra começando. São bate-estacas, marteletes, serras circulares, furadeiras, maquitas, marretas e os pedreiros. Nunca vi! Ô povo que gosta de gritar! Tem ainda os pedreiros cantores, que trabalham duro mas disfarçam o sofrimento.

      Do outro lado da rua tem uma loja de instalação de som em carros que tem um razoável movimento, enquanto eles trabalham o barulho não é alto, mas quando eles acabam o serviço e vão testar os equipamentos...é um Deus Nos Acuda! Além de alto, o que mais irrita são as batidas graves de som eletrônico e música vagabunda. Parece teorema: quem ouve som muito alto gosta de música ruim.

      Na rua ao lado tem um senhor que comprou uma bomba de água sob pressão, e aos finais de semana ele lava a calçada. É aquela batida contínua e irritante, e não sei como demora tanto tempo para lavar uma calçada tão pequena. Também não sei se ele se diverte mais por lavar a calçada ou por irritar os vizinhos.

      Na outra esquina tem o teatro de arena que é pouco utilizado, mas na maioria das vezes, aos domingos, há bandas tocando entre 5 da tarde e 8 ou 9 da noite. Parece que eles tocam na janela da minha sala. E na esquina de cima tem o Flor de Maio. Nesse há duas atividades, o baile da terceira idade e um grupo de batuque. Esse grupo se reúne em alguns finais de semana aos sábados ou domingos (ontem foi sexta-feira mas eles tocaram, acho que é porque é carnaval) sempre no início da noite. Tocam um pouco e às vezes percorrem os quarteirões da região. Mas como tocam mal! Faz tempo que eles ensaiam e eu acho que não está adiantando, pois eles não evoluíram nada! E o bailão ocorre aos sábados das 10 às 4 da madrugada, e aos domingos da 6 às 10:30 da noite. O salão não é refrigerado, não possui tratamento acústico e fica a uns 70m em linha reta da janela do meu quarto. Daqui posso ver algumas partes do interior do salão e o som chega alto. Quando fecho a janela do quarto o som chega refletido no prédio de trás. Quando a banda começa tocar músicas da Xuxa ou a marchinha Globeleza é porque está apelando, não tem repertório para a noite toda e começa a improvisar. Há umas bandas muito ruins, com cantores péssimos e repertório limitado, mas quando vejo estacionado ao lado do salão o ônibus velho da Banda Chapadão fico mais contente, pois a tortura será mais suave.

      Na casa ao lado tem um senhor que briga com Deus e Todo Mundo e em alto volume. É um tal de vai tomar no c... pra lá, filho da p... pra cá e o estoque de palavrões é enorme. Às vezes alguns copos e jarras voam, mas ficam restritos ao quintal dele. Entre cinco para as seis e seis e cinco da manhã são abertas as portas da padaria que fica na rua de cima. Uma depois a outra, diariamente. Como a padaria já trocou de dono algumas vezes, eu posso garantir, já teve alguns mais pontuais.

      Se não bastassem todos esses há também os alarmes. Há os de carros que sempre disparam e demora para serem desligados e às vezes são vários ao mesmo tempo, mas os piores, ainda que em menor número de ocorrência, são os de residência que tem a campainha mais alta. Algumas vezes um desses alarmes é disparado e o usuário do imóvel não é encontrado para desligá-lo e haja paciência para suportar aquela buzina insuportável.

      Quando me mudei para esse prédio havia um galinheiro em um dos quintais, mas eles se foram. Também cortaram as duas mangueiras e algumas bananeiras dos quintais vizinhos, mas ainda há algumas árvores frutíferas que trazem pássaros, e antes do dia amanhecer só ouço os piados, mas quando clareia é uma farra, principalmente das Maritacas e Bem-Te-Vis. Esse ainda é um som maravilhoso e que, independente dos ruídos noturnos, sempre me alegra.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Os Números


      Aconteceu novamente. Ao acordar durante a madrugada e ao olhar o relógio não vi as horas, mas sim a sequência 2 34’. Já não sei se é coincidência quando durante o dia olho no relógio e são 12:34’ ou se nessa hora costumo olhar para o relógio para vê-la, pois essa é uma constante. Tenho um quê com as sequências crescentes, decrescentes, monótonas ou não, mas não ao ponto de achar que o mundo acabaria em 12 / 12 / 12, 12 de dezembro de 2012 na configuração mês / dia / ano.

      Quando subo uma escadaria costumo contar os degraus, e ao descer também, seja ela conhecida ou não, e se for, como os 65 degraus do andar de onde moro até a garagem, ou os 185 da garagem até o topo da escada, confiro para saber se não está faltando algum. No trânsito, faço associações para descobrir qual é o próximo número da sequência da placa do carro à frente. Às vezes elas são óbvias e em outras faço uma ginástica mental para inventá-la. Mas ainda não me encontrei com a sequência de 6 números da mega-sena.

       A maioria da população não é tão maluca, mas muitos o são, basta ver o sucesso do passatempo de origem japonesa Sudoku, que consiste em ordenar em linhas, colunas e grupos os números de 1 a 9, e que pode ser encontrado em jornais, revistas próprias, versões para download e online, e que possui milhões de adeptos em todo o mundo. Ele é um passatempo inócuo, semelhante às palavras cruzadas, mas essas tem a vantagem de aumentar o vocabulário e a cultura inútil, como: rio genuinamente paulista que corta o estado de leste a oeste com 5 letras. Aqui alguém pode descobrir o significado do “genuinamente paulista” e entender que o rio nasce na borda da serra do mar e ao invés de simplesmente despencar pelo caminho mais curto até o destino de todos eles que é o oceano, corta o estado no sentido oposto em um percurso de mais de 600km. Já no Sudoku basta ordenar os números e fazê-lo de novo, de novo, de novo...

      Quando fui de bicicleta a Brotas e já chegando a São Carlos, de tão cansado, pedi para que fossem me buscar eu havia pedalado por exatamente 07:07:07”. Quando à pé fiz o Caminho da Fé percorri exatos 323km, e quando fui pedalando a São Paulo foram 232, e somando os dois são 555.

      Hoje, às 2:34’ recordei-me que ainda menino li pela primeira vez “O Homem Que Calculava” de Malba Tahan e passei a me interessar pelos números, e esse é um dos motivos pelo qual me graduei em Matemática. Essa foi uma rica experiência que demonstrou que é muito melhor que eu continue me interessando pelos números, mas sem estudá-los, pois minha capacidade está aquém daqueles amigos maravilhosos que tem na Matemática a sua vida.

      Para completar, eu estava em San Francisco em 10/10/10 e inauguramos a EPTV Sul de Minas em 8/8/88, e o rio genuinamente paulista que corta o estado de leste a oeste com 5 letras é o Tietê.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Meu 2012.


      Novamente não posso reclamar do ano passado, 2012. Contrariedades existiram, mas nada tão ruim que não tivesse sido, claro que com algum esforço, superado. Nenhuma novidade na vida familiar, continuamos caminhando, suponho, em boa direção e fazendo planos, e isso é o principal.

      Profissionalmente cumprimos tudo o que foi planejado, porém pela primeira vez em 35 anos de profissão senti que deixei a desejar, pois fazer apenas o planejado é pouco para mim. Se atingimos a meta isso ocorreu por mérito da equipe não pelo meu trabalho, pois em muitas das atividades eles se superaram. Passamos a fazer todas as produções locais em HD, juntando esforços criamos uma equipe de desenvolvimento que já mostrou resultado, concluímos mais algumas estações de retransmissão digital e adiantamos outras, e entramos tarde em um projeto, mas tivemos atuação decisiva e destacada, que foi a montagem da carreta Aquamundo que leva informação de maneira lúdica e interativa sobre a conservação da água a estudantes da área de cobertura das empresas do grupo. Em aproximadamente 3 semanas, e em especial na última, a sensação foi de faca na boca e sangue nos olhos. Que vontade de vencer, e conseguimos, a entregamos no prazo.

      Foi também um ano que posso chamar de amistoso, pois fiz amigos e conheci pessoas que eu já reconhecia. Algumas das amizades foram criadas pela internet e em países como China e Irã, e estou gostando de conhecer essas pessoas e culturas. Em Moscou me encontrei com amigos até então virtuais e para isso até aprendi um pouco de Russo! Sim, nesse ano estive novamente na Holanda e visitei a belíssima Moscou que ainda estava no outono, portanto não conheci as temperaturas mais baixas, ou seja, o inverno branco, pois como dizem, na Rússia só há uma estação, o inverno, que é verde ou branco.

      Nesse ano li menos que o normal, acredito ter lido apenas uns 6 ou 7 livros e continuo enroscado com um que além de ser em Inglês é de difícil compreensão. Já comecei a lê-lo duas vezes, mas ainda desejo concluí-lo. Em março, graças ao meu sobrinho que é músico, reservei para outubro um ingresso para o show do BB King e resei para que ele não morresse antes. Foi um bom show mas não muito honesto. Ele fala muito, ri muito, e toca e canta pouco, mas não dá, em função da idade, esperar muito mais dele, acredito ter sido um valor justo pela oportunidade de ver ao vivo, e próximo, uma lenda do Blues.

      Errei no meu plano de treinamento. Comecei o ano em um sentido, mudei duas vezes e tive que me contentar com menos, pois tenho limitação de tempo e física – joelho! Mesmo assim continuo me sentindo mais flexível, equilibrado, forte e bem condicionado. Utilizei cerca de 4,6% do meu tempo no ano fazendo atividades e pedalei por 5.481 km, além de bater a esteira no exame ergométrico em protocolo para pessoas ativas. E para fechar bem o ano, no dia 30 de dezembro fui pedalando de casa até a Ponte do Piqueri em São Paulo. Foram 232 km em 9:15h. Não foi uma excelente média, 25,1 km/h, mas foi o melhor que consegui, o que não é tão ruim para os meus 54 anos.

      Continuo sem saber o que é depressão, mas as ideias e os planos são muitos, e não sei se caberão em 2013. Feliz ano novo a todos.