domingo, 9 de junho de 2013

É a Empresa!

      O mundo é selvagem. A vida na terra é naturalmente uma luta pela sobrevivência tanto na flora quanto na fauna, incluindo a raça humana. Há alguns lampejos de racionalidade mas isso não garante vida fácil para ninguém. É necessário lutar, e muito, para conquistar espaços e se desenvolver no conjunto formado pela democracia e capitalismo, mas parece que muitos não entendem isso.

      Na semana passada conversei com um colega cuja carreira pude influenciar por duas vezes mas acabamos nos afastando, e fiquei triste. Ele está no mesmo estágio de desenvolvimento profissional há anos e buscando um culpado pela situação. E o mais apropriado é a "empresa". É a empresa daqui, é a empresa dali, a empresa fez isso, a empresa faz aquilo, e ele? Fez o quê para mudar a situação?

      Depois de ter flertado com o fanatismo evangélico se mostrou meio cético, descrente e revoltado. Não sei exatamente qual é a sua situação financeira, mas não é um pobre miserável, seus rendimentos passam ao largo da turma do salário mínimo e média salarial brasileira. Mas não faltam queixas e certezas, e, principalmente, está se armando para "procurar pelos meus direitos". 

      Pelo que sei ele trabalha 8h por dia começando às 6 da manhã e só. Durante esse período em que nos conhecemos já passei por dois cursos superiores (estou pensando no terceiro), duas pós graduações, continuo praticando inglês às vezes espanhol, e ele? Sim, ele frequenta academia (coisa que também faço) e está "marombado". Deixou de ser raquítico para ser "bombado". Ele entende que tempo de trabalho é razão suficiente para ficar rico e que se ele não chegou lá é porque a empresa é ruim.

      Ele lidera um grupo de descontes. Destila o mau humor desde cedo e durante o dia todo e fica bravo quando não consegue aprovação para as suas teses. A ideia é fixa e conversa sobre assunto diferente não flui. Não sei se foi por falta de intimidade, mas não consegui dizer à ele o que estou dizendo aqui. Acho que enviarei o link como leitura recomendada.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Comissão da Verdade

      O Brasil já foi colônia e reino unido, e após a independência, monarquia. Vivemos hoje o mais longevo período de democracia desde que em 1.889 o Marechal Deodoro da Fonseca proclamou a república. Foram muitos governos, golpes e regimes de exceção, e por mais que com razão reclamemos dos nossos políticos, pior do que um congresso ruim é a falta dele.

      É anormal a nossa normalidade. Não se compara a outras nações. Os regimes militares da década de 60 do século passado na Argentina e Chile foram muito mais sanguinários e a transição para a democracia no Brasil não foi feita com ruptura abrupta, mas com lenta distensão, muito mais branda.

      Os militares, com o apoio dos americanos sequestraram, torturaram e mataram. Cerca de mil pessoas foram mortas para que se mantivesse o regime capitalista e diversas dessas vítimas continuam desaparecidas. Houve também ações de guerrilha urbana e rural, com assalto a bancos e enfrentamentos armados, esparsos e isolados. Alguns enfrentaram o militarismo para restaurar a democracia, mas a maioria das organizações desejava mesmo tomar o poder para a implantação do comunismo, que, como sabemos é, por natureza, autoritário, e o número de vítimas causadas pelas esquerdas brasileiras foi infinitamente menor que as produzidas pelo estado.

      No último governo militar foi proposta a Lei da Anistia que acabou sendo promulgada em 1.979 e beneficiou os agentes dos dois lados, como se dizia naquela época, foi ampla, geral e irrestrita. Recentemente houve o questionamento ao STF se torturadores poderiam perder o benefício, e em 2.010, por sete votos a dois a anistia foi mantida a todos.

      Com a finalidade de “ apurar graves violações de direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1.946 e 5 de outubro de 1.988” foi criada em 2.010 a Comissão Nacional da Verdade (CNV) que foi empossada somente em 2.012. A Comissão da Verdade, como ficou conhecida, tem reunido documentos e entrevistados os atores daquele período mas não tem caráter punitivo, apenas elucidativo. Há os que torcem para que tudo fique como está e o resultado seja apenas um livro, porém há muito mais gente interessada em rever a Lei da Anistia e punir os culpados, principalmente os agentes do estado.


      Muitas das famílias das vítimas da ditadura recebem uma indenização pecuniária, que eu diria simbólica, pelas perdas, mas o que se quer mesmo é justiça. As pessoas têm o direito de saber o que houve com seus familiares e espera-se que o estado, que não pode ser punido, se desculpe pelos crimes. O que não deve se esperar é revanche ou vingança, pois isso nada de positivo acrescentaria ao país e à sua população.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Robin Hood


      Robin Hood é só lenda, e inglesa, de longe daqui. Nossos bandidos não têm nada de românticos justiceiros. Não roubam dos ricos para distribuir aos pobres. Roubam porque podem, roubam porque querem, e roubam, e matam, porque gostam.

      É verdade que a nossa economia não anda lá essas coisas e deve piorar, mas é equivocada a ideia de que a delinquência só existe porque há a má distribuição de renda. O Brasil saiu do estado de colônia agrícola e escravocrata e em menos de 200 anos se transformou na sétima maior economia do mundo, e desde os últimos anos do século passado passa por um período de prosperidade, e a criminalidade não diminuiu na mesma proporção. Ao contrário, aumentou.

      Há bandidos em todos os níveis sociais e culturais e é provável que a corrupção de alto nível faça mais vítimas do que as produzidas por assaltantes, sequestradores e estupradores. Porém quando o crime é praticado com violência explicita e próximo da gente, choca muito mais. Ser delinquente é uma opção que está ligada à distorção de valores morais e familiares, e não dá para imputar a culpa ao coletivo quando essa é praticada por indivíduos.

      O combate à criminalidade não se dá apenas com investimento em repressão ou inteligência reativa. Os autores de Freakonomics mostraram que o aumento do aparato policial e das despesas em segurança não impediu que o crime também se expandisse em Nova Iorque no final do século XX, e que o decréscimo só começou a ocorrer 17 anos após a aprovação da lei que permite o aborto voluntário na rede pública de saúde.  O aborto pode ser questionável, mas o planejamento familiar e o controle da natalidade podem produzir o mesmo efeito.

      Considerando a relação custo / benefício, o crime compensa. Todos sabem que a investigação policial é falha, que a justiça é lenta, que a protelação existe e que a possibilidade de absolvição por falta de provas ou por decurso de prazo é muito grande. Se o criminoso for menor de 18 anos a impunidade é quase certa, e se não for, é mínima. As penas não são condizentes com a gravidade das ações.

      Hoje, além de ocorrer em maior número, os crimes também chocam pela ousadia e brutalidade. Os bandidos são melhores armados que os policiais e mais abastados do que muitas de suas vítimas. Já se matou porque a vítima tinha somente trinta reais na conta corrente, e mulheres, inclusive uma turista estrangeira, foram estupradas por uma gang que sistematicamente repetia a ação utilizando uma van preparada para a abordagem e sequestro das vítimas.

      Uma das características das sociedades civilizadas é o monopólio da violência pelo governo, esse, e apenas esse, pode punir ou decretar guerras, portanto, é do governo que deve partir a solução, mas essa não virá sem a pressão popular, que em última instância é quem delega os poderes, até porque nos governos estão instalados corruptos e corruptores, nadando a favor da correnteza, em ambiente mais do que propício. No Brasil, sabendo fazer, tudo é permitido, inclusive o que é proibido.

domingo, 28 de abril de 2013

Vai Sobrar Pouca Gente


      Em um planeta com 7 bilhões de habitantes tem gente de todo jeito. Dos que prestam e se prestam a tudo aos que não prestam e não se prestam à nada. Há divisões de todas as maneiras: geográficas, políticas, culturais, econômicas, religiosas e assim vai...mas de qualquer forma, há que se ter regras. Bem ou mal, certas ou erradas elas traduzem o momento de cada sociedade e a sua dinâmica é natural, se a sociedade muda, as regras mudam, se um pouco de ousadia faz bem, o total desrespeito faz mal, isso considerando sociedades relativamente educadas e civilizadas, pois as autoritárias nem merecem comentários.

      Logo após a primeira eleição vencida pelo Lula, em uma entrevista o FHC disse que a agenda do governo do PT não deveria ser a econômica e sim a violência. Ele estava certo. A economia não saiu de pauta e está indo para o buraco e a segurança pública, que foi abandonada afundou mais rapidamente. Se a política econômica foi inclusiva e a criminalidade está aumentando algo está muito errado, e não é o cidadão comum que irá resolver, mas sim os governantes das três esferas.

      Não sou especialista, mas a visão comum é que o sistema prisional está falido, a justiça é lenta tardia e falha, parte da polícia é corrupta, se a polícia prende a justiça solta, e rico não vai preso. Nossa constituição determina que o legislativo faça as leis, que o judiciário julgue e que o executivo puna. Se isso não funciona ou a constituição está errada ou os poderes são incompetentes ou tudo isso ao mesmo tempo. Em arroubos de patriotismo e marketing nossos governantes se vangloriam das nossas leis, temos as melhores e mais avançadas do mundo, como o estatuto do idoso e o das crianças e adolescente. Tudo bem, elas são ótimas, mas funcionam? Nossas cadeias educam? Se as escolas nem ao menos alfabetizam e nem ensinam fundamentos de matemática, como se pode dar o nome de educação, e o que dizer então das cadeias e sistemas de correção para jovens infratores?

      É claro que é melhor investir em escola do que em cadeia, mas na situação atual, onde uma vida não vale nada, se mata por banalidade, não dá para compactuar com o criminoso. Não há pai de família que se sinta seguro ou que possa deixar sua família em segurança. Não se pode deixar a criança brincar na rua ou o jovem sair à noite durante o fim de semana sem que o coração fique apertado de medo. Portanto é necessária uma intervenção séria e imediata. Para crimes violentos há que ter punições severas e rápidas, não importa a idade do criminoso, se tem 10, 20 ou 80 anos. Não dá mais para admitir que um condenado a 100 anos deixe a prisão após 5 anos, e na cadeia tenha facilidades e até “visitas íntimas”. E se o criminoso tinha até 17 anos quando cometeu a atrocidade passe apenas 3 anos “internado”.

      Tais facilidades ocorrem porque nosso sistema político é vagabundo e os governantes só fazem enriquecer e pensar na próxima eleição para continuar enriquecendo ainda mais. O exemplo vem de cima e se quisermos uma sociedade melhor não podemos compactuar com que está dando errado, isso é, precisamos expurgar do congresso todos os vagabundos e mal intencionados. Vai sobrar pouca gente...

sábado, 20 de abril de 2013

Boston - Os Pais.


      Na última segunda-feira, 15/04, cheguei ao aeroporto JFK em nova Iorque às 4 da tarde e tomei um taxi rumo a Manhatam. O rádio estava ligado e comecei a ouvir os comentários sobre 2 explosões consecutivas, número de vítimas e movimentação policial, mas não consegui identificar o local nem as circunstâncias. Chegando ao hotel liguei a TV e fiquei sabendo sobre o atentado na Maratona de Boston e que havia 3 mortos e centenas de feridos. Ao sair caminhando notei intenso patrulhamento e policiais em todos os cantos.

      Minha atenção se voltou a dois fatos: a morte de um menino de 9 anos e o que leva uma pessoa a ter essa atitude. Sentia a dor dos pais daquele menino e imaginava que o saldo poderia ter sido muito pior se as explosões tivessem ocorrido na largada e não na chegada, pois no início a aglomeração é muito maior. Vendo o noticiário me vi envolvido na busca, desejando que o culpado fosse detido, afinal, aquilo não foi acidente, foi deliberado. Algumas pessoas foram detidas e liberadas e dois suspeitos foram identificados e a caçada começou, mas havia a dúvida se deveriam ou não divulgar os nomes. Na quinta feira embarquei para o Brasil ainda sem saber do assalto à loja de conveniência, do roubo de um carro e sequestro de seu motorista, da morte de um policial e de um dos suspeitos. Ao chegar na sexta-feira ainda se fazia o cerco ao segundo suspeito que acabou sendo preso depois de ter sido ferido.

      No Jornal Nacional vi depoimentos de colegas dos dois rapazes, de seus pais e de alguns de seus parentes e fiquei muito mais triste, imaginando que um já está morto e o segundo provavelmente o será depois de julgado. São muitas vidas jovens desperdiçadas. Não sei se eles são mesmo os culpados pelo atentado, mas parece que não há dúvidas sobre os assaltos e troca de tiros, além do que foram encontradas armas e explosivos em suas residências. O mais velho era casado e tinha uma filha pequena e assim como seu irmão mais novo era inteligente e culto. Ambos são de origem russa e foram criados e estudaram nos Estados Unidos. Portanto, qual seria a razão para atacar o país que os acolheu? 

      No Central Park, na quinta feira, passei por uma manifestação de indianos, não sei identificar a que grupos pertencem, mas eram todos homens, alguns meninos, e os adultos vestiam ternos, uma espécie de turbante e tinham barbas longas. Gritavam por justiça e por liberdade na Índia. Eram acompanhados por policiais americanos e crianças distribuiam panfletos. Peguei um deles e perguntei do que se tratava e o menino me disse que estavam apoiando um professor. Ainda andando me deparei com grupos de diversos lugares, muitos turistas e vários residentes. Os dois taxis que tomei eram conduzidos por pessoas de origem árabe. No sul da ilha vi muitos orientais e seus comércios, e no centro, muitos hispânicos. Os Estados Unidos podem ter errado muito em sua política externa, mas certamente é um dos países mais tolerantes quando se trata de imigração e agora tem que conviver com um drama, quanto mais se protege, mais está exposto.

      Como esportista me sinto infeliz com um atentado em uma prova tão democrática, pois a corrida é o único esporte onde a pessoa comum participa junto com o ídolo, e como pai fico pensando no sentimento dos pais dos garotos. Daquele inocente que apenas se divertia e daqueles que podem ter praticado esse ato. Os primeiros serão sempre vítimas e os segundos serão culpados para sempre sem ter tido nenhuma participação no episódio. Terão aquele sentimento "de onde foi que errei?". Se forem mesmo culpados, e ainda que não o sejam, como será a vida da filha daquele mais velho? É muita dor por nada, era perfeitamente possível ficar sem isso.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Haja Petição.


      Venho do tempo antigo, ainda da “era do rádio” quando as comunicações pessoais eram feitas através de cartas, as urgentes por meio de telegramas e as músicas eram gravadas em discos espessos e pesados. Vieram a TV que se reinventou, mas o Fax e o Telex nem esquentaram a cadeira, e o DVD também teve vida curta. Comecei minha carreira trabalhando com máquina de escrever e em pouco tempo já estava utilizando computador que era um mostro em tamanho, porém com processamento infinitamente menor que o de um simples telefone celular utilizado hoje em dia. Naquela época havia protestos nas ruas, manifestações na imprensa e o instrumento do povo era o abaixo-assinado. Redigia-se um documento e quem concordava com a ideia “assinava em baixo” e quando muito contava-se em milhares os adeptos. O equivalente de hoje é a petição que elevou os assinantes a milhões.

      Adaptei-me muito bem com as novas tecnologias, perdi o sossego com a conectividade e até “assinei” algumas petições, mas no meu entendimento elas foram banalizadas. Há muitas organizações profissionais que estão se especializando em criar petições. Elas arrumam uma “causa” e através de mecanismos de spam espalham as mensagens. Após assinar a primeira o seu endereço é cadastrado e você não tem mais o menor trabalho para assinar a próxima e tampouco precisa ler o texto. Se você permitiu que o seu computador tivesse gravado o preenchimento automático, basta digitar uma letra, apertar o enter e, em seguida, o send. Acabou. Você é um manifestante. Mas a modernidade não para por aí. Você pode avisar os seus amigos que você é “engajado” pois há links para todas as redes sociais. Você pode também tornar-se um militante. Com um clique você pode se comprometer a arrumar um número de “assinaturas” ou enviar um convite a todos os seus amigos virtuais que já aparecem marcados para receber a mensagem. Basta outro clique e pronto: você já é um ativista.

      Há petições para tudo. Para salvar o urso panda, os golfinhos, os botos, os tigres, os elefantes, as mulheres, as crianças, e as minorias, sejam elas quais forem. Ainda hoje recebi uma mensagem que dizia: se você é um estudante endividado ou se importa com as abelhas, assine a petição. Em tese, ninguém consegue ser contra argumentos tão convincentes, mas duvido que todos tenham lido até o final os textos que te convidam a assinar. São pregações intermináveis dispostas em páginas carregadas e apelativas e para se livrar delas é melhor assinar logo, pois na maioria das vezes isso evita recebê-la novamente. Porém quem pode atestar a veracidade das mesmas?

      Há pouco tempo houve uma campanha de vídeo que em termos modernos tornou-se “viral”, espalhando-se rapidamente, e que por ter sido feita em português e disseminada em inglês teve interpretação completamente diferente da realidade. Chamada de “Cala a Boca Galvão” era uma brincadeira com um narrador esportivo e que foi interpretada como sendo uma campanha para salvar um papagaio da extinção. Teve outra campanha de vídeo estrelada por jovens atores e atrizes engajados em impedir a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Ela apresentava diversos dados e situações que foram desmentidos ponto a ponto por pesquisadores e estudantes, pois continha erros grosseiros. Independentemente do assunto ou do lado que se defenda é necessário ter seriedade,e não dá para acreditar em qualquer coisa. Como sempre foi, as afirmações devem ter sustentação e os dados precisam ser verificados.

      Apesar da aparente boa ideia e da boa vontade, o sem número de petições emitidas decretará a derrocada do instrumento, pois esse ficará desacreditado. Alguns podem surtir efeito, porém a maioria será simplesmente esquecida. Recentemente houve uma de sucesso que em poucos dias arregimentou mais de 1.600.000 assinaturas solicitando a renúncia do presidente do senado. E o que aconteceu? Nada! Recebeu a cobertura da imprensa durante a sua a entrega, foi recepcionada por senadores bem intencionados, foi comentada em blogs e pela imprensa em geral e morreu por aí, pois nem sempre da quantidade se extrai qualidade.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Doze Vezes Não.


     Não li todos os livros que eu gostaria, porém, dos que li, gostei de vários, muitos me foram indiferentes e alguns muito ruins.

      Não assisti a todos os filmes que imagino serem bons, mas assisti a vários que foram terríveis e nenhum foi excelente, pois sempre encontro defeitos.

      Não ouvi todas as músicas que me agradariam, pois creio que as melhores ainda não foram compostas, no entanto já me vi obrigado a escutar muita porcaria.

      Não assisti a muitos concertos, mas àqueles a que pude ir, em sua maioria, gostei, pois nesse quesito sempre fui seletivo.

      Não estive tanto quanto eu gostaria em teatros, peças e espetáculos, mas naqueles em que estive, apenas de poucos não gostei.

      Não estive em todos os lugares que eu gostaria de ter estado, e nem com todo o dinheiro do mundo e tempo disponível eu conseguiria, pois a vontade é maior do que uma vida. Entretanto já permaneci tempo demais em lugares que jamais quis estar.

      Não saboreei as melhores refeições, mas isso não me faz falta. Sinto falta da refeição, mas não dos sabores.

      Não disputei todas as partidas que me alegrariam, também, eu não jogo nada tão bem.

      Não voei de asa delta e nem pulei de paraquedas porque tenho medo, e não subi o Everest porque não tenho condição física adequada e muito menos quarenta mil dólares para isso, porém coragem não me falta.

      Não estudei tudo o que acho que eu precisaria, porque eu gosto de saber, não de estudar.

      Não conheci todas as pessoas que considero serem valiosas, e nem seria possível, pois a maioria é de outra época.

      Não confiei em cardiologista que fuma, preparador físico barrigudo e nutricionista gordo. Porque então acreditaria em político que mente e rouba?