quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Que Abra O Bico


      Ainda é cedo para fazer afirmações, pois sem que as sentenças sejam promulgadas e o julgamento concluído os juízes podem mudar o voto. É improvável, mas é possível que os hoje condenados sejam absolvidos com a mesma bela retórica que foi utilizada nos votos acusatórios.

      Os aspectos técnicos fazem parte do processo e não serão os leigos que apontarão falhas processuais uma vez que o julgamento se deu na mais alta corte do país. Nessa instância não há recurso possível a não ser a ela mesma, e aqueles que falam em recorrer a organismos externos como a Organização dos Estados Americanos (OEA) bem sabem da inutilidade de tal recurso, pois o Brasil é um país soberano cujas instituições estão ativas.

      Independe quem são os hoje condenados. Independe quais cargos eles ocupavam à época e os que ocupam hoje. O importante é que ficou estabelecido pela justiça que o Mensalão existiu. Portanto ficou claro que houve o desvio de dinheiro público e arrecadação de dinheiro privado para comprar apoio de partidos e de dirigentes partidários a fim de ampliar a base do governo do chefiado pelo PT, e isso me entristece.

      Não tenho pertenço ao quadro de nenhum partido político e por isso tenho liberdade para votar de acordo com a minha consciência e o faço sem ter a necessidade de votar em quem irá ganhar. Assim já votei em ganhadores e perdedores principalmente dos partidos PT, PV, PMDB e PSDB, e o PT me decepcionou. Na abertura da reunião Ministerial ocorrida na Granja do Torto, em Brasília, no dia 12 de agosto de 2005, o ex-presidente Lula discursou e pediu desculpas a todos os brasileiros pelos erros cometidos pelos integrantes de seu governo, partido e aliados. http://globotv.globo.com/globo-news/globo-news/v/lula-discursa-a-nacao-e-pede-desculpa-pelo-mensalao/2055082/ , porém depois disso virou o discurso e caiu em vala comum. O PT passou a ser apenas mais um partido que não tem um projeto para o país, mas o tem apenas para se apropriar do governo.

      Eu bem que gostaria de ter em minha biografia a luta contra a ditadura como muitos dos dirigentes do PT possuem, mas quando essa foi deflagrada eu era criança e quando ela acabou eu era adolescente. Sempre fui fã daqueles que dedicaram a sua vida a construir um país livre e socialmente justo, mas não consigo entender se a mudança de rumo se deu por má fé ou ingenuidade.

      Pelo que tenho lido as penas serão somadas e é possível que alguns dos condenados venham a ser presos, o que por si, é sintomático e didático, pois transmitiria a mensagem de que ninguém está acima da lei, isso poderia coibir futuros abusos. Mas eu não concordo. No meu entendimento a cadeia deveria ser o último recurso e aplicável aos transgressores contumazes e, principalmente, àqueles autores de crimes violentos, como assalto a mão armada, sequestro, estupro e latrocínio. Aos demais a pena seria a perda de oportunidade de trabalhar no governo ou ter negócios com o governo, além de devolver o dinheiro desviado e de pagar pesadas multas.

      A militância e o partido prometem um ato de desagravo elogiando seus “companheiros” e criticando a suposta perseguição elitista capitaneada pela imprensa “vendida”. Besteira pura. Houve sim crime e quem quiser melhorar a situação que “abra o bico”. Conte o que sabe e, principalmente, quem realmente foi o chefe. O país agradecerá.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Corrida Integração


      O meu forte é criticar e falar mal das coisas e dos outros, não correr, mas às vezes eu arrisco. Mesmo sem ter treinado ontem participei da Corrida Integração em Campinas. Foram apenas 5 km que percorri  em 27’53” pela cronometragem oficial, o que me colocou em 326 na classificação geral e em quinto lugar na minha categoria, mas eu sei que posso fazer melhor, e isso é bom, pois se eu diminuir o meu tempo em 3 minutos, o que não é lá tão difícil, estarei entre os 150 considerando que mais de 800 que completaram a prova.

      Eu nunca havia participado de uma prova tão grande, com tanta gente e com tamanha organização. Pelo grande número de participantes e não sendo corredor de elite, tive que sair no “bolo” e isso significou quase dois minutos entre a largada e a minha passagem pelo tapete de cronometragem. As pessoas ficam ansiosas e tentam sair em disparada assim que toca o sinal de largada, mas a massa à frente impede e sempre tem os mais afoitos que saem trombando, empurrando e abrindo caminho mas se acabam rapidamente. Passei vários desses mais à frente, pois eles não sabem dosar a energia para chegar bem. Por outro lado, depois de ter corrido uns 3 km eu ainda via algumas pessoas que eu jamais imaginaria que pudessem ser mais rápidas do que eu. Esse é o efeito de como eu me vejo e como realmente sou. Embora o meu corpo tenha perdido vitalidade em função da idade, em minha mente sou muito mais novo do que realmente sou.

      Havia uma moça de uns vinte e poucos anos, meio gordinha, que me passava nas descidas e eu a passava nas subidas. Por causa de dor no joelho eu sempre desço devagar, mas cada vez que ela me passava eu pensava: eu não posso chegar depois dela, e imagino que ela pensava o mesmo: esse velho não vai chegar à minha frente. Porém ela não teve sorte dessa vez, pois a chegada é logo após uma reta plana e curta antecedida por uma subida em curva, e como sempre reservo energia para o final, bastou apenas acelerar um pouco e deixá-la uns 50m atrás.

Completando a prova.

      Há pessoas de todos os tipos e com os mais diferentes propósitos. Dos que querem somente aparecer aos que querem competir e bater recordes. Há os grupos de amigos, as equipes profissionais e amadoras, as turmas de academias com professores correndo junto com alunos, os solitários, os jovens, adultos e velhos. Homens e mulheres. Nos dois primeiros quilômetros ficou logo à minha frente um senhor que deveria ter mais de 70 anos e estava no mesmo ritmo que eu, a 12 km/h. O engraçado é que ele não movia os ombros, pescoço e cabeça. A parte de cima ficava dura e pulando, enquanto movimentavam as pernas, tronco e braços, mas ele corria bem, estava preparado e tinha uma silhueta esguia. Muitas pessoas o fotografavam e ele gostava.

      A experiência foi boa, mas não fará de mim um corredor. Pode até ser que eu volte no próximo ano, mas não vou me aventurar por essa seara. Ao final me restou no pé uma unha roxa, e eu já sabia que seria assim, pois isso sempre ocorre com ela quando corro, e vou ter que pagar uma multa por ter estacionado sobre um gramado onde já estavam uns 30 carros. Os F@#$%^ da  P*&^%  dos “Amarelinhos” não estavam lá antes da prova para organizar o estacionamento e os “flanelinhas “ fizeram a festa. Depois da corrida todos foram embora satisfeitos. Os Flanelinhas por terem “feito -o-dia” e os Amarelinhos por terem batido, com louvor, a meta do mês, já que todos os carros tinham a multa no vidro.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Amsterdam e Moscou.


      Amsterdam eu já conhecia, mas é sempre bom rever e aprender um pouco mais. Mesmo tendo pouco tempo livre, pude fazer alguns passeios. Eu gostaria de ter ido novamente ao Rijksmuseum que por estar em reforma está com a mostra reduzida, portanto não fui. Em um passeio de barco pelos canais fiquei sabendo da profundidade dos mesmos, sempre mantida em até 3m, e também sobre a construção dos 3 diques que protegem a cidade. Me contaram que as crianças costumam ser transportadas de bicicleta pelos pais, mas que a partir dos 4 anos elas passam a ter as próprias bicicletas e a acompanhá-los.

Medidores de distância a laser

      O já eficiente sistema de transporte está sendo ampliado com a construção de novas linhas subterrâneas no centro da cidade, mas devido à instabilidade do solo foram instalados sistemas de medição a laser que monitoram constantemente a inclinação de alguns prédios prevenindo acidentes. Achei que o povo está fumando demais. Mais do que dentro dos cassinos de Las Vegas, nas próprias ruas me sentia defumado tanto pelo cheiro de cigarro quanto por cigarros de outros tipos. São mais de três mil casas flutuantes, porém não são mais expedidas licenças para novas casas. O preço delas gira em torno de 450.000 Euros e há uma enorme fila de espera para se conseguir uma.  Além do trabalho fiz algumas compras e depois disso parti para a minha aventura.

Casas flutuantes

      Visitei Moscou sem falar a língua russa. Aprendi algumas palavras e principalmente a lê-las, e mesmo sem saber a pronúncia correta e muito menos o significado, isso me salvou. A primeira impressão que tive foi ainda no aeroporto em Amsterdam. O vôo da KLM que é parceira da Aeroflot estava lotado de russos. Povo barulhento e desorganizado, pareciam brasileiros. Mas essa impressão acabou aí. Foi fácil passar pela imigração, respondi apenas que o objetivo da visita era turismo, e como cheguei durante a madrugada pedi ao hotel para reservar um taxi e havia um motorista me esperando. Ele não falava inglês, aliás, nenhum dos 3 motoristas de taxi com os quais andei falava inglês.  A primeira impressão do trânsito e dos motoristas foi horrível. Eles dirigem mal, colados ao volante e cada um faz o que quer. Estacionam nas calçadas. Fazem conversão e retorno sobre a própria via, estacionam em fila dupla e tem muito carro amassado. Há muitos carros velhos misturados com carros novos, inclusive assisti, por alguns instantes, a um “racha” entre Ferraris.

Estacionamento em fila dupla

      Para o primeiro dia paguei por um tour assistido feito a pé, e fui aos locais mais visitados. A partir do segundo dia passei a andar sozinho de metrô. Algumas das estações têm áreas lindíssimas com esculturas, mosaicos e arte de vários tipos, sempre valorizando a cultura e o patriotismo de um país que tem a sua estória baseada em guerras e conflitos. Eles são supersticiosos, e em uma estação há nos dois lados uma estátua de um cachorro cujos focinhos e pernas traseiras são polidas de tanto serem alisadas, pois o povo acredita que passando a mão nelas lhes trará sorte. Fiz isso também, mas perdi a foto do cachorro. Há partes feias e não tão bem conservadas, mas o sistema é eficientíssimo. Transporta mais de 8 milhões de pessoas por dia, mais que o metrô de Nova Iorque e Londres somados. As estações enchem e esvaziam com uma velocidade incrível várias vezes em curtos períodos e estão sempre muito movimentadas, inclusive aos domingos. Há estações que ficam a mais de 70m de profundidade e outras a 40m. O fluxo de pessoas vai afunilando em direção às escadas rolantes sem que as pessoas se toquem e quem não tem muita pressa fica no lado direito da escada deixando sempre um corredor à esquerda onde pessoas sobem ou descem correndo. O barulho é intenso, mas é apenas o das composições. O povo não conversa e não se olha. Dentro dos vagões os bancos ficam dispostos na lateral voltados para o centro e as pessoas dormem, ouvem música e leem. Leem muito. Seja em tablets, jornais ou livros, e o incrível é ver senhoras usando sapatos de salto alto lendo sem se segurar e o vagão balançando e correndo a mais de 80km/h. Fica a dica: para visitar Moscou sem assistência deve-se entender o sistema de metrô, pelo menos saber ler o nome das estações e saber perguntar e entender a resposta em Russo de como se chega à estação mais próxima.

Estação de metrô

      A minha passagem pela Galeria Tretiakov foi fantástica. Ela possui o maior e mais importante acervo de artistas russos. Pena que o guia eletrônico de áudio está implantado menos de 30% das obras e ninguém fala inglês. O sistema não é como o americano, falta prática. Compra-se o ingresso em um local, aluga-se o guia em outro, deixa-se os volumes em um terceiro e não fornecem um mapa. Para eu conseguir um mapa foi difícil e esse estava em Russo, mas me ajudou. A lojinha de souvenir é acanhada. A galeria estava lotada apesar de ser sexta-feira e havia muitos estudantes, inclusive crianças.  Visitei também o museu do Cosmos, mas por nãosaber me comunicar na língua deles não comprei o ingresso que me permitia tirar fotos. Apesar de ter gostado muito acho que pela história espacial deles o museu poderia ser melhor, e a loja de souvenir não passa de uma barraquinha de camelôs. Fui a 4 parques maravilhosos, todos bonitos, grandes e bem cuidados. Fiz algumas compras na Arbat Ulitsa e fiz um passeio de barco no Rio Moscou. Deixei de visitar o interior do Kremlin , o mausoléu do Lênin e de assistir a um espetáculo no Bolshoi. Mas estive na companhia de amigos que fiz pela internet nesses últimos anos e com os quais tenho me correspondido com frequência.
Posso dizer que a cidade é lindíssima mas precisa se preparar melhor para receber turistas. Com relação ao comportamento das pessoas acho que eles estão em um estágio saindo do tudo é proibido para o faço tudo o que quero, como o trânsito de que já comentei e com os jovens fumando muito e jogando cigarros nas ruas e calçadas. Nos restaurantes ainda se dividem as mesas em áreas para fumantes e não fumantes, embora o condicionador de ar seja comum a todos os frequentadores. Vi alguns mendigos principalmente próximos às grandes igrejas; vi poucas pessoas negras e há também poucas pessoas gordas. A absurda maioria é magra. A comida merece um capítulo à parte, mas não sou bom nisso e só posso dizer que não passei mal e o que comi de mais estranho foi uma sopa gelada de beterraba crua ralada.

  A belíssima catedral de São Basílio

      Foi uma experiência maravilhosa tanto pelo que fiz quanto pelo que deixei de fazer, mas pelo que não fiz deixei uma porta aberta para voltar a Moscou e também para conhecer outras cidades as quais não pude ir dessa vez. Para tomar o avião de volta a segurança foi maior do que as que já passei em outros aeroportos, e por fim um comentário pelo qual a Nega vai me matar: as mulheres são lindas. Até as mais feinhas são bonitas, e há um montão delas absurdamente maravilhosas. Quanto aos homens, bem, é melhor perguntar para outra pessoa, pois nem sei se existe isso por lá, e se existe, não reparei.

domingo, 2 de setembro de 2012

Sites Oficiais


Na terça-feira irei a Amsterdam e no final da próxima semana para Moscou. Há alguns meses quando comecei a planejar a viagem fui procurar informações sobre visto e vacinas. Como idiota, fui aos sites oficiais, e claro, não encontrei o que queria.

Acessei o site do Ministério das Relações Exteriores (http://www.itamaraty.gov.br/ ). A página principal é uma ode ao ministro. Viagens, participações, palavras, atos, etc. Daquilo que me interessava busquei: Assistência a Brasileiros, que conta algumas estorinhas mas não encontrei. Busquei então em Embaixadas e Consulados as Representações Brasileiras no Exterior. Em Moscou busquei a página de Orientação ao Turista Brasileiro que estava em construção. Hoje a página está ativa e com algumas boas e práticas informações, mas muito incompleta, por exemplo, não fala da necessidade de vacinas, dinheiro, cartões e nem da segurança. Mas melhorou.

Fui pesquisar no Ministério do Turismo (http://www.turismo.gov.br/turismo/home.html ) e a cara é parecida. Propaganda do ministério e informações sobre o turismo interno e copa do mundo. Fiz uma varredura completa e acabei no: Fale Conosco. Fiz três solicitações. sobre o visto, sobre a vacina, e pedi algum encarte impresso sobre locais turísticos no Brasil para que eu possa dar a amigos na Rússia, isso é, eu queria fazer propaganda do país no exterior carregando peso em minha mala. Alguns dias depois recebi uma correspondência protocolar agradecendo pelo meu contato, indicando os sites do Ministério das Relações Exteriores e o do Ministério da Saúde e com alguns links de locais turísticos.

Resposta inútil. Capitulei e fui buscar as informações que eu precisava em blogs e agências de turismo, mas não sem antes consultar o site do Ministério da Saúde (http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/ ), também como nos outros há uma porção de ícones de programas numa arrumação que mais parece macacão de piloto de fórmula 1, propaganda pura.. Há também vários links indicando cifras de investimentos que dão a impressão que muito está sendo feito pela saúde dos brasileiros e, evidentemente, se existe a informação que eu queria deve estar bem escondida em algum canto para que não seja encontrada.

Esse é o custo Brasil. Esse é o mau uso do dinheiro público. Pagamos para que os políticos façam as suas próprias propagandas e não nos dão as informações necessárias ou suficientes.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

É Isso Que Dá Eleger Qualquer Um.


      É isso que dá eleger qualquer um!

      Ontem ouvi na Voz do Brasil que há um projeto em tramitação na câmara dos deputados e que se for aprovado por uma comissão será remetido ao senado sem que necessite ser aprovado pelo plenário da câmara. Nada contra os processos até porque não os analisei, mas tudo contra o projeto.

      Os parlamentares que assinam o projeto querem obrigar as indústrias eletrônicas a instalarem um interruptor em todos os equipamentos novos para que ao serem desligados cortem completamente o consumo de energia elétrica. A justificativa é que essa medida “ecológica” contribuiria para a redução do consumo de energia, mas sem diminuir a comodidade do usuário. Idiotice pura. Até pelo simples fato de que se o consumidor quiser fazer isso basta desconectar o cabo da tomada.

      Mas quem quer ter que programar o forno de microondas toda vez que for utilizá-lo? Quem quer primeiro ligar uma chave no televisor, DVD, Blu Ray ou home teather antes de acioná-lo pelo controle remoto? É claro que isso irá gerar um incômodo tal como o de acabar com as sacolas plásticas nos supermercados.

      Para que os equipamentos mantenham a programação prévia ou possam ser acionados por controle remoto algum circuito interno precisa ficar alimentado durante todo o tempo, e se não for pela própria energia será por bateria que em algum momento precisará ser carregada, ou seja, irá consumir energia da mesma maneira pois as baterias não geram energia, apenas acumulam. Além do que, haverá um processo para a produção de mais baterias, ou seja, tecnicamente falando, o resultado pode ser pior do que a situação atual.

      Sou completamente a favor da redução do desperdício e da preservação dos recursos naturais, mas sou contra abrir mão do conforto. Não quero voltar a viver como no tempo das cavernas. O que desejo é que reunindo o conhecimento existente possam ser criadas maneiras corretas de se utilizar os recursos. No exemplo das sacolas plásticas que sejam todas biodegradáveis. Quem quiser utilizar que pague por isso, se não quiser que carregue as sacolas retornáveis.

      Para a admissão em empregos sem a necessidade de formação específica o mínimo que se pede é o segundo grau completo. Tudo bem que o nosso ensino não é lá essas coisas, mas o que se exige para que o cidadão seja deputado federal? Nada. Na última eleição tivemos um campeão de voto praticamente analfabeto. Não haveria problemas se eles não soubessem ler ou não fossem especialistas em tudo, mas que utilizassem a verba contratando bons assessores, mas desse jeito está muito ruim. Talvez a melhor alternativa seja reduzir o número de parlamentares, pois sendo poucos diminuirá a possibilidade de cometerem asneiras, ou na pior das hipóteses, ficará mais barato mantê-los.

sábado, 18 de agosto de 2012

Privacidade


      O brasileiro pode não ser muito produtivo, mas que é criativo, ah isso é!  Criamos principalmente leis, estatutos e programas que nem sempre atingem o resultados esperados, mas criam empecilhos ao cidadão.

      Temos a Lei Maria da Penha, ninguém em sã consciência pode dizer que ela está errada, mas as mulheres continuam apanhando.

      Temos o estatuto do idoso, mas esses continuam se desgastando nas filas das consultas e morrendo nas filas dos hospitais.

      Temos o estatuto da criança e do adolescente que lhes dá direito de fazer tudo o que há de errado, mas trabalhar não pode.

      Foi necessário criar a Lei Da Responsabilidade Fiscal para que os governantes não pudessem gastar mais do que arrecadam, e eles continuam gastando, mas para se reelegerem não para melhorar a vida da população.

      Criaram a lei obrigando os caminhoneiros pararem para descansar depois de um certo período dirigindo, mas não fizeram os locais para descanso. Inventaram que a fiscalização seria feita com tacógrafos, mas se não tiver tacógrafo vale a anotação manual. É desnecessário dizer que é uma inútilidade, pois é facilmente fraudável.

      Quem se lembra da obrigatoriedade de se ter no carro o kit de primeiros socorros? Eles desapareceram das farmácias e supermercados e quem os tinha os vendia a preços estratosféricos. Comprei o meu e acho que o tenho jogado em algum canto, porque depois da gritaria geral a regra foi abolida.

      Na semana passada ouvi novamente a notícia que a partir do próximo ano todos os carros deverão sair da fábrica com um chip instalado no vidro, e que até 2014 todos os veículos terão que possuí-lo. O tal chip será lido por sensores espalhados em vias urbanas e rodovias e permitirá que os carros sejam identificados e caso haja irregularidade, poderá ser fiscalizado ou penalizado até mesmo eletronicamente. A justificativa é que isso aumentará a segurança do proprietário do veículo, pois em caso de furto, ou roubo, o carro poderá ser identificado e recuperado. Na verdade estão preocupados é com a arrecadação, pois estima-se que há cerca de 18 milhões de veículos rodando irregularmente no país. Isso é, sem pagar o IPVA.

      Estamos na era da exposição e o brasileiro adora isso. Fomos o país com mais perfis no Orkut e já devemos estar perto disso no Facebook. Usamos ferramentas como o Instagram e todos os meios de “check inn” para mostrar onde estamos. Podemos facilmente ser rastreados pelo celular e agora o seremos também pelo carro. A diferença é que nas redes sociais o fazemos espontaneamente, mas com o chip, obrigatoriamente.

      Esse é um caso que pode facilmente chegar ao Supremo Tribunal Federal, pois atenta diretamente contra a privacidade.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Medo De Vencer


      Em dezembro a Nega e eu completaremos 38 anos juntos e ela, que me conhece bem, costuma dizer que tenho estômago de avestruz, couro de jacaré e que eu gostaria de ser americano. Meu estômago não aceita mais incólume um copo cheio de chá de alho como outrora, o “couro” também piorou, ao ponto de ter que usar protetor solar para sair de casa com o sol forte, mas que gosto da língua inglesa, dos Estados Unidos e da sua cultura, isso sim.

      Tenho medo dos extremos, acho-os todos perigosos, mas admiro a cultura do mérito, da conquista de acordo com a capacidade, do esforço e da determinação na busca pela vitória, e deve ser por isso que os esportes me fascinam. Não gosto da rispidez nas relações que os europeus e americanos têm, mas a obsessão deles por vencer pode ser vista nas olimpíadas. São muitas as leituras que podemos fazer dos resultados, mas há três comportamentos que eu gostaria de destacar. Enquanto o Brasil patina no quadro de medalhas, os Estados Unidos e a China brigam pela liderança. Durante toda a minha vida os americanos estiveram na ponta e o papel que hoje a China representa foi da União Soviética e de seus associados, como Alemanha Oriental e de Cuba.

      Culturalmente os americanos são incentivados a vencer e há apoio financeiro e tecnológico aos seus atletas. O sistema de descoberta de talentos vem das escolas, com campeonatos locais, regionais e nacionais e começa bem cedo. Já na China há a imposição do governo que “fabrica” muitos dos atletas e eles são obrigados a vencer por imposição do estado. Há o caso conhecido do casal de jogadores de basquete que foram obrigados a ter filho para gerar bons jogadores, e também há a denúncia de que o governo separa as crianças da família e as obriga a participar de sessões intensas de treinos, que são incompatíveis com a idade e com o desejo.

      Já no Brasil são os clubes que formam os atletas e os que se destacam conseguem algum patrocínio. O nosso modelo é mais próximo do americano e é bom que assim seja, pois numa democracia não tem lugar para a intromissão do estado na vida privada, mas, por outro lado, há muito menos clubes que escolas, logo, na base, levamos desvantagem. Grande parte das medalhas brasileiras vem de esportes de elite como hipismo e iatismo cujos atletas têm condição de se manter, porém nas demais modalidades, sem planejamento e sem apoio do governo não há como obter bons resultados, salvo casos excepcionais.

      Além da estrutura equivocada e da falta de apoio, a nossa cultura não é a do vencedor, o brasileiro gosta do esforçado e do desfavorecido. A eleição do Lula não foi uma eleição de ideal político, mas a luta do pobre trabalhador sem escolaridade contra a elite intelectualizada. Até o reality show Big Brother teve suas regras mudadas, pois quando dependia de votação ganhava o pobre ou o representante da minoria, nunca o bonitão ou a gostosona. Em todos os jogos há os brasileiros que saem desapontados por um resultado muito abaixo do esperado e não os culpo, pois eles possuem algum resultado expressivo, mas são o retrato da nossa estória, da nossa cultura, na verdade, são os nossos representantes.

      Poderíamos até dizer que os brasileiros adotaram o espírito dos jogos “O importante é competir”. Coisa nenhuma! O importante é ganhar, e ganhar o ouro, pois ninguém ganha a prata, perde o ouro. Enquanto o brasileiro é preparado para participar, o nosso adversário é preparado para vencer.