segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O Meu 2017

      No último mês de dezembro escrevi dois textos, mas, de muito ruins, não serão publicados, e esse será um mero inventário.

      Profissionalmente o ano de 2016 terminou muito mal para mim, fiquei afastado das operações de TV quando completava 40 anos de trabalho em televisão, e agora, em dezembro, posso dizer que terminou pior ainda, pois estarei desempregado a partir de março. Como vários amigos, fui abatido pela crise econômica. De muito positivo foram as inúmeras manifestações de incentivo e carinho que recebi dos amigos, isso é de inestimável valor.

      Com as equipes com as quais trabalhei em 2017 conseguimos alguns resultados expressivos, entre eles o maior índice de recepção digital de TV do país até agora, 93,3%. Em um projeto que assumi em andamento mas no qual pude contribuir e visei somente o resultado para a empresa, recebi, do Instituto Euvaldo Lodi - IEL, ligado à Federação das Indústrias da Bahia - FIEB, o prêmio de primeiro lugar como Tutor.


PRIMEIRO LUGAR COMO TUTOR - PROGRAMA INOVA TALENTOS - IEL


      Fisicamente saí da apatia, mas as seguidas lesões: joelho, cintura, esporão e panturrilhas, as duas, duas vezes cada, não me deixaram em um estado físico desejado.
Não cumpri os 300 treinos - foram apenas 216
A meta de 150h bati com facilidade, foram 208h.
Havia previsto emagrecer 2,5kg, foram cerca de 4kg.


EXERCÍCIOS E CONTROLE DE PESO EM 2017


      As leituras continuam me dando prazer e entre novidades e releituras havia algumas coisas interessantes, outras, nem tanto. Na foto falta um livro que reli nesse ano mas o emprestei. O do Pasternak comecei, parei, comecei novamente mas ainda não concluí.


LIVROS, AINDA UMA PAIXÃO...

      Assisti a um bom show de música baiana na concha acústica do TCA que se encontrava com a capacidade esgotada, 5.000 pessoas que não arredaram o pé, nem mesmo com a insistente chuva. Também assisti ao Cirque Du Soleil - One, baseado nas músicas do Michael jackson, no Mandalay Bay, o mesmo hotel casino onde no final do ano um atirador se alojou e fez dezenas de vítimas, também, da mesma companhia, assisti pela terceira vez o espetáculo O, no Bellagio. Em Salvador, na arena Fonte Nova assisti ao Dire Straits.

      Por uns dias, durante a viagem a Las Vegas em abril, tive a companhia de um casal de sobrinhos que está residindo nos Estados Unidos. Agradável e engrandecedor.

      Por não estar mais na operação de televisão, consegui me desligar das obrigações e viajei, em férias, para a Península de Maraú, bonito e interessante, mas o mar está invadindo as praias, tomando o que a ele pertence. Também não gostei do lixão a céu aberto na entrada da península. Mostra um descaso com a natureza, com o local e para com as pessoas.


FÉRIAS EM MARAÚ - OUTUBRO 2017

      Até poderia ser uma ano a ser celebrado, mas … sem o seu trabalho um homem não tem honra…não dá prá ser feliz, não dá prá ser feliz …





sábado, 18 de novembro de 2017

O Melhor Da Refeição

      Não sou referência para nada e muito menos quando o assunto é paladar, pois nem mesmo sei dizer qual é a comida de que mais gosto, quando muito consigo enumerar as que prefiro não comer. Das comuns, fígado e giló, das exóticas, prefiro nem falar, mas não gosto de me arriscar, testar sabores, enfim, prefiro a certeza do que a proeza. No entanto, vendo o quanto as pessoas gostam de preparar, de comer, de comentar, de postar fotos, pensei um pouco e resolvi enumerar algumas boas lembranças. 

      A mais antiga foi um castigo que recebi; eu não tinha 5 anos quando minha mãe fez curau e eu queria comer ainda quente, ela mão deixou e fiquei enchendo a paciência. Meu pai chegou em casa e resolveu o problema: me deu um pouco e quando acabei ele perguntou se eu queria mais, sim, ele repetiu a dose, e ao final perguntou novamente, eu não quiz, mas ele colocou mais no prato e me fez comer. Fui até certo ponto e comecei a chorar, chorar muito... Hoje prefiro pamonha a curau.

      Depois dessa me lembrei da casa vizinha, uma família tão pobre quanto a nossa, mas eles eram em maior número, logo, sobrava menos para cada um, mas a dona Rute fazia uma sopa de feijão com macarrão que eu sempre comia. Nem me lembro se era tão boa assim, mas eu nunca a dispensava.

      Se tem uma comida que lembra a casa dos meus pais é o kibe cru. Moía-se o trigo úmido com a carne crua e os temperos vários vezes em máquina manual. Era sempre servido com muita cebola e hortelã.

      Já maiorzinho, na pré-adolescência, quando passava as férias em São Paulo, meu tio nos levava a alguns bares na Penha que às quartas-feiras servia feijoada. Arroz branco, couve refogada, laranja de sobremesa e feijoada em cumbuca de barro que chegava fumegando à mesa.

      Também nessa época, quando lutava judô eu tinha um amigo rico que morava perto de casa e em muitas das vezes eu voltava de carona com a pai dele, que na época tinha um Dodge Charger RT, o bólido esportivo daqueles tempos. Em uma dessas vezes fui convidado para ir até a casa dele onde havia, não sei por qual motivo, pois era uma noite de um dia útil, um churrasco, e me foi dada uma bisteca, grossa e mal passada. Te juro, nunca comi uma carne tão boa em toda a minha vida…

      Já morando em Campinas não posso me esquecer da lasanha que era servida no Macarronada Italiana que ficava em frente ao largo do Pará. Eram porções individuais em formas de barro, e o queijo vinha borbulhando. Havia também um risoto de camarão servido no Supermercado Eldorado que para mim era imperdível.

      Em umas férias em Ubatuba, no restaurante do próprio hotel nos servimos de uma lagosta ao Thermidor, para mim, até hoje, inigualável.

      Por tendências carnívoras e animalescas, teve uma época em que a minha preferência era Filet a Chateaubriand, mas não tinha um restaurante específico. Se tivesse no cardápio eu não ficava procurando por outro prato, e por ser mal passado é rápido para ser servido.

      No exterior, em várias cidades experimentei o New York Strip Steak,  rare, isso é, mal passado, o acompanhamento varia, mas a carne é sempre boa. Se aparecer no cardápio, acabou a minha dúvida, vou na certeza.

      A estação rodoviária de São Carlos fica praticamente no centro da cidade e há um pequeno estacionamento público ao lado que era comandado por flanelinhas. Quando eu precisava ir até lá eu preferia estacionar o carro nas ruas laterais e caminha um pouco. Certa vez fui buscar alguém na rodoviária por volta do meio dia. Estacionei o carro a uns 80m de distância e fui caminhando. Na esquina havia um bar que servia refeições, entre elas o famoso Prato Feito, PF para os íntimos. Ao passar por ali vi ser servido um pratão, com um bife acebolado, com muita cebola dourada e com um cheiro maravilhoso. Nunca comi lá e não sei dizer se o sabor condizia com o cheiro, mas a lembrança é muito boa.  

      Em casa, o prato que nunca encontrei melhor em nenhum lugar e que é um dos que mais aprecio é o inhoque de batatas à bolonhesa ou mesmo com molho de queijos. Tanto faz. Também em casa há muito tempo passamos a comer arroz integral e hoje esse é a nossa preferência, mas só o que é preparado pela Nega, pois em nenhum outro lugar ele fica tão bom.

      Tem gente que odeia e é sempre motivo de piadas na internet, mas gosto de maionese de legumes com maçã e uva passas, aliás sempre gostei de comer frutas com comida, banana, abacaxi, manga, pêssego, figo…enfim, para mim, bota lá que eu como.

      Não me apetece comidas muito secas, por isso quase sempre passo longe da farinha, mas pode misturar óleo de dendê e leite de coco que não perco tempo, assim, uma moqueca é sempre bem vinda. Mas não me venha com essa conversa de moqueca de ovo, coloque camarão ou pelo menos uma pescada amarela. 

      Sim, mesmo sem saber exatamente o que prefiro ou sem me dispor a ir a determinado restaurante por causa da comida, sou capaz de enumerar diversas boas experiências que tive, mas sempre durante as refeições me lembro que a parte mais gostosa é a Coca Cola, o puro suco natural do genuíno fruto do capitalismo…que pobreza!
 

domingo, 12 de novembro de 2017

Moinho de Reputações

      Dizer que o mundo mudou ou que as coisas não são mais como eram antigamente é lugar comum, pois sempre foi e será assim, o progresso de hoje é o atrasado do amanhã. As tecnologias tidas como revolucionárias e disruptivas, se vistas no curto espaço de tempo, foram, na verdade, gradualmente implementadas, isso ocorreu com a energia a vapor, com a energia elétrica e com a tecnologia da informação. Todas mudaram de maneira substancial, e sem volta, o modo de vida, e continuam evoluindo. Meu primeiro contato com computador foi em meu primeiro emprego com registro em carteira, isso há 42 anos. Está certo que o equipamento que tinha o tamanho de uma sala comercial era incapaz de executar um décimo do que um telefone celular de hoje faz, mas era um produto comercial. Uma das virtudes dessa tecnologia foi a agregação de funções, passando de simples executor de tarefas repetitivas para ser elemento de transformação social e do conceito de comunicação.

      Com a popularização da rede mundial de computadores a partir dos anos 90 do século passado a sociedade ganhou voz, e com o advento das redes sociais deram-se vários fenômenos, dos quais destaco dois:

1 - criação instantânea de celebridades, mesmo que, em muitas das vezes, efêmeras,

2 - destruidora de reputações.

      É dado valor a quem merece por alguém que daquilo gosta, comunga e compartilha, assim, mesmo que eu não reconheça alguns valores, a minha opinião não importa se aquilo é o que muitos desejam. Logo, mesmo que eu não os reconheça como célebres, os outros assim os determinam e ponto. São o que são.

      Somos complacientes com o que nos afeta e críticos contumazes daqueles que nos desagradam, e esse comportamento criou uma engrenagem informal que deu velocidade à maledicência. Os destacados Fake News são um exemplo. Não importa se não é verdade, a aparência é o que valida. O curioso é que nesse mecanismo nos associamos com os amigos em alguma causa e com os inimigos em outra, por exemplo, podemos defenestrar os torcedores do time adversário, mas sermos seus aliados políticos. Os xingamos no primeiro caso e os aplaudimos no segundo, e podemos mudar de lado quando nos aprouver.

      A boa reputação sempre foi difícil de ser construída e fácil de ser desmanchada e ainda demora uma vida para que alguém possa ser bem avaliado, mas a duração de um clique é suficiente para destruí-lo. E nesse sentido, aquilo que pode ser classificado como politicamente incorreto é campeão, veloz, certeiro e destruidor.

      Tivemos recentemente dois casos que tiveram o racismo como condição e o resultado foi devastador. A Ministra da Pasta do Direitos Humanos, reivindicando o direito de manter a sua aposentadoria como desembargadora e o salário de ministro, função em que efetivamente atua, disse em sua petição “…sem sobra de dúvida se assemelha ao trabalho escravo”. A tal frase foi lapidar. Jogou por terra toda a carreira construída ao longo de décadas de trabalho, estudo, promoções e ativismo. Não importa o que foi construído, o que importa é ter associado o termo escravo a um salário somado de cerca de R$ 33.700,00. Foi um argumento errado? Admitamos que sim. Foi uma colocação desastrada? Sim, foi. Ela perdeu uma boa oportunidade de ficar calada? Sim, perdeu, mas a carreira dela não tem valor? Se visto de outra maneira isso poderia ser diferente? Vejamos: se a Ministra estivesse liderando uma manifestação de valorização das minorias pobres e negras e dissesse que o salário recebido por essa parcela da população é insuficiente e que para sair dessa miséria que se assemelha a escravidão cada um teria que receber pelo menos R$ 30.000,00 de salário nada teria acontecido. Nada mesmo. Para mim a reação contra ela foi exagerada, mas essa marca será sempre lembrada em detrimento a tudo mais que ela construiu.

      Na semana passada passou a circular o vídeo gravado há um ano em que um jornalista, embora com parte inaudível, mas dedutível, parece dizer  ”…é preto... coisa de preto". De acordo com o contexto pode ser considerado racismo? Sim, pode. Ele pode vir a ser processado e condenado? Pode. Pode perder o emprego? Tanto pode que afastado da função já está, mas eu duvido que de fato ele seja racista. Que ele não tenha amigos negros, que não admire e tenha se inspirado em negros, que não respeite pessoas de raça negra. Reconheço que para os negros isso é um acinte, mas o caso foi amplificado justamente pelo fato de que ele é um jornalista culto, inteligente, competente, referência, e por trabalhar em um veículo de credibilidade e grande penetração. Haverá negros que se sentirão ofendidos e outros que poderão classificar como bobagem, mas muitos não negros que o acusam podem ter feito coisas piores, porém não foram flagrados. Será que esses nunca contaram ou riram de uma piada sobre negros, gays, argentinos ou portugueses ou ainda, não praticaram bulling na escola? Não haverá no meio desses acusadores uma grande parcela de falso-moralistas que se aproveitam da oportunidade para simplesmente se manter em evidência? Não estou aqui para defender o jornalista, pois ele é muito mais capaz e competente para fazer isso, além do que nunca precisou ou precisará de mim, mas será que nós precisamos ser assim?

      Eu gostaria que internet e as redes sociais fossem lembradas muito mais por aquilo que elas podem construir do que que pelas reputações que elas podem arrasar, mas esses são apenas os meios, o que importa são as pessoas que os utilizam. Quanto às celebridades meteóricas, bem, deixem pra lá…

domingo, 1 de outubro de 2017

Sem Censura

     Pense em alguém que não entende de arte. Eu! Quando criança fui o primeiro selecionado para o coral da igreja, escolhido para ficar de fora! Não toco nem berimbau que tem uma só corda. Um poste dança melhor do que eu. Nunca consegui atuar, nem mesmo nas simulações de aulas de inglês. Em uma das atividades de um treinamento de criatividade me deram uma massinha, consegui fazer uma bolinha, meio oval, claro! Quando me falam de poesia a única que consigo lembrar é o verso, e somente esse, da Canção do Exílio, de Gonçalvez Dias: Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabiá;. Na pintura, não sou capaz de fazer um O com um copo. Sei disso, sou uma negação, mas falar... até papagaio fala...

Night Watch - Rijksmuseum

      Não entendo de arte mas gosto de museus. Visitei vários e em alguns fui várias vezes, e se tiver oportunidade, irei novamente. Eu gostava do Museu da Língua Portuguesa, estive na Pinacoteca do Estado, no MAM, no MASP (várias vezes), e no Museu Paulista (algumas vezes), que conheci quando ainda era o Museu do Ipiranga. Nesse, mesmo sem entender nada, pela primeira vez me vi atraído e emocionado com uma tela, na verdade fiquei arrepiado com Independência ou Morte, de Pedro Américo. Podem falar que é tudo mentira, e claro que é mesmo, até o próprio está no quadro que foi concluído mais de 60 anos depois do fato, podem dizer que ele é quase um plágio da Batalha de Friedland, de Ernest Meissonnier, mas, não importa, além de grandioso não só pelo tamanho, mede 4,15m X 7,60m, o quadro é realmente bonito.

T-Rex - National History Museum

      No Museu de História Natural de Nova York fui muitas vezes, em uma delas não paguei para entrar, quando percebi a falha continuei a visita e paguei na saída, ainda que ninguém me tivesse cobrado, pois ele merece. Adoro ver os dinossauros, e tem uma sequoia cortada que mostra a idade da árvore. Isso me impressiona. Ao seu lado há o Hayden Planetarium, uma maravilha. E a coleção de armaduras medievais e as  telas do Metropolitan? Gosto de ver as clássicas, aquelas pinturas que parecem fotografia. O que dizer dos museus administrados pelo Smithsonian Institute em Washington? E o Air and Space Museum? Nesse tem parte do Enola Gay, o avião que jogou a bomba atômica em Hiroshima e o módulo da Apolo 11 que retornou do espaço, nesse também estive diversas vezes, mas sempre decepcionado com a ínfima referência ao Santos Dumont. Visitei vários outros nos Estados Unidos. Mas gosto muito também do Rijksmuseum de Amsterdam onde há Night Watch de Rembrandt, impressionante, como disse um professor que tive no curso de mestrado, só ficar olhando esse quadro vale a viagem. Encontrei lá uma "Vista de Olinda em PE, de Frans Jansz Post pintada em 1662. Também estive algumas vezes no Van Gogh Museum, é legal, mas Rembrandt me toca mais. Conheci a Tretyakov Gallery, em Moscou, e também o Space Museum, que tem até foto do Marcos Pontes, o astronauta brasileiro. No primeiro havia grupos de crianças junto com seus professores, coisa rara de se ver por aqui.

Armaduras - Metropolitan Museum 

      Da mesma forma que falei de museus eu poderia falar de shows de música, de Paul Mccartney, Celine Dion, Cher, Elton John, Dire Straits, sem me esquecer da Sinfônica Brasileira e da OSESP além de vários artistas nacionais, mas falaria também de peças como CATS, Fantasma da Ópera, Chicago e Cirque du Soleil (vários) e muito mais, Evidentemente não gostei de tudo o que vi, porém paguei assim mesmo. Paguei porque eu queria ver. Criar é premissa de quem faz, valorizá-la é de quem deseja. É do seu público, é de seus fãs.


Vista de Olinda - Rijksmuseum

      A arte pode ser provocativa, intrigante, irreverente e não pode ser censurada pelo estado. A expressão deve ser livre, afinal, estamos em uma democracia. Eu posso não gostar, mas não posso proibir que seja feita e, principalmente, que alguém goste, aprecie, aprove. Porém da mesma forma que quem a faz, a produz e a executa pode e deve divulgá-la, quem não gosta pode fazer a propaganda negativa, e pode até ser que o tiro saia pela culatra. Mas os direitos são iguais e disponíveis para os dois lados. Se eu gostar eu posso falar bem, se eu não gostar eu posso falar mal. E hoje é muito fácil, pois os canais são vários e poderosos, além de gratuitos.

Estudantes - Tretyakov Gallery

      Para mim, tanto a malfalada exposição no sul que não acompanhei, mas vi pelo menos dois dos quadros, se é que se podem assim ser chamados, polêmicos, que para mim eram uma porcaria de dimensão infinita, quanto aquela caracterizada por instalação do camarada pelado em São Paulo, podem ser realizadas, vai quem quer e que paguem por isso. Agora, fazer com dinheiro captado junto a empresas que terão abatimento em impostos, isso não. Eu não concordo. Aliás, aqui a conversa é mais profunda, para que é mesmo que existe o Ministério da Cultura? O presidente Temer não iria constituí-lo, recuou sob pressão “dozartistas” e fez um bem, o ex ministro delatou o outro ex ministro que caiu em desgraça e agora está preso. Mas foi a ação da pessoa, não do ministério. O presidente Temer poderia aproveitar o alto dos seus 97% de impopularidade e acabar de vez com essa excrescência, ele não perderia nada e ainda deixaria de onerar o estado.

      Para o que hoje existe e depende puramente de dinheiro estatal deve-se fazer um período curto de transição até que seja totalmente administrado pela iniciativa da sociedade, pois ao governo cabe cuidar de casa, comida, saúde, educação e segurança, pois o resto é negócio, e como tal deve ser tratado. Com tanto subsídio e pseudo proteção, hoje nosso país gravita em torno da posição de número 80 de criatividade e inovação. Isso é muito pouco para uma nação possui a economia entre as 10 maiores do mundo.

sábado, 23 de setembro de 2017

Palmas Para Quem Merece…

       Há duas semanas tivemos um problema no encanamento da pia da cozinha e lá pelas 15:30h fui verificar. Não consertei, apenas constatei o problema, mas fiz uma sujeira… Bem, tive que limpar, porém molhei parte da garagem. Estava tirando a água quando escorreguei, caí e bati com a cabeça no chão. Levantei tonto e com um pequeno sangramento na orelha e na lateral da cabeça. Entrei, tomei banho e fiquei sentado na cama. Por volta das 18h tomei leite com torradas, a cabeça ainda doía assim como a articulação da mandíbula. Por volta das 19h tomei um analgésico e mais ou menos às 20:30h dormi.

      Acordei às 3:30h aproximadamente e ao abrir os olhos o mundo começou a girar. Girava velozmente e comecei a suar e a sentir náuseas. Esperei uns instantes, me levantei fui ao banheiro, tomei água, me deitei e adormeci. Depois de uma hora tornei a acordar com os mesmos sintomas e não consegui controlar, vomitei água. Escovei os dentes, tomei água e tornei a dormir até umas 7h da manhã. Acordei e tudo se repetiu. Decidi ir para o setor de emergência do Hospital São Rafael, que é relativamente próximo de casa e do qual eu havia ouvido falar bem.

      Cheguei à recepção às 8:14h e um minuto depois já estava preenchendo o cadastro, recebi uma pulseira branca com a minha identificação e fui encaminhado a outra sala de espera. Não fiquei nem 5 minutos sentado quando fui levado para um setor de triagem onde uma enfermeira fez o básico, mediu a minha pressão sanguínea, mediu a temperatura, verificou a pulsação e fez perguntas e me colocou uma pulseira amarela e me levou para um ambulatório. Tudo muito rápido. Fiquei em uma maca e uma médica me examinou e seguiu um protocolo de testes básicos, outra enfermeira tomou as mesmas medidas que a primeira e colocou uma agulha em meu braço na qual foi injetado um analgésico e um remédio contra enjoos. A médica disse que era um quadro normal para o evento porém me encaminhou para um neurologista e disse que seria feita uma tomografia do crânio.

      Aqui houve uma pequena falha. O neurologista ficou me esperando e eu esperando por ele, pelo menos foi o que ele me disse. Ao chegar me examinou e realizou vários testes para testar reflexos, reação e sensibilidade. Me encaminhou para o exame de tomografia, procedimento para o qual precisei ser “internado”. Fiquei em uma pequena ala para observação onde enfermeiras realizaram as mesmas medidas, fui atendido por outra médica e por uma nutricionista. Demorou um pouco, mas fui conduzido ao tomógrafo e o exame foi feito. Retornei para a mesma sala de observação e esperei por uma meia hora. O neurologista voltou com o resultado do exame, me disse que não havia maiores consequências, fez novos testes incluindo de equilíbrio e direção, e me deu alta. O exame eu só poderia pegar durante a semana porque faltava fazer o laudo, o que não fiz até hoje. Em 10 minutos fui liberado e por volta das 12:30h eu já estava em casa, mas com a prescrição de medicamento contra enjoo e analgésico, para eu usar  somente se eu voltasse a me sentir mal, e com a recomendação expressa de não dirigir.

      Passei a tarde em casa e tomei um analgésico e o remédio contra enjoo antes de dormir. Na segunda-feira pela manhã não fui trabalhar, terminei de preparar uma apresentação em casa mesmo, e à noite fui ao centro de Salvador, já dirigindo, onde fiz a apresentação e acho que me saí muito bem. Por problemas na organização do evento acabei ficando até o final, cerca das 23:30h e ao sair, fiquei, por alguns minutos, preso em um engarrafamento, fui parado em uma blitz da PM e tive que assoprar no bafômetro e fui liberado. Cheguei em casa por volta da meia noite, a partir daí a vida foi normal.

      Diante das mazelas que o país atravessa e para as quais sou muito crítico, e às vezes até muito ácido, me vi agora diante de um ambiente bem cuidado, tão agradável quanto um hospital pode ser, com pessoas profissionais e profissionais pessoas, muito atenciosas e competentes. Senti segurança estando lá e, mesmo com o meu jeito de sempre colocar defeito em tudo, devo reconhecer que fui muito bem cuidado. Dessa vez não tenho nada a reclamar, só a elogiar e agradecer. À equipe que me atendeu no Hospital São Rafael no último dia 09, meu muito obrigado, os meus parabéns e o meu reconhecimento pela qualidade, competência, profissionalismo e humanismo com que me receberam.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Canário Enjaulado Também Canta...

      Essa natureza… quem disse que canário na gaiola não canta? Ontem um canário vermelho, do núcleo duro do PT, enjaulado há um ano trinou, e trinou bonito…O canário preso, da língua presa, soltou o verbo. Com cara de assustado e necessitando fechar um acordo para reduzir o período de exílio quiz mostrar serviço e abriu o bico. Foi o primeiro desse círculo tão hermético até então, e se for bem sucedido, outros virão.

      Pelo que entendi até o governo do PT vários políticos nos roubavam, a partir deles são poucos aqueles em que ainda podemos confiar e a diferença do atual governo para os do PT é que esse entende mais de economia e está colocando a economia no caminho certo. A inflação está caindo, os juros também, consequentemente há a redução da dívida pública, a economia deixou de cair e até ensaia um pequeno crescimento, já é o terceiro mês consecutivo em que o número de vagas abertas supera o número de demissões, enfim, só o fato de ter deixado de piorar já pode ser considerado uma boa notícia.

      Já ouvimos a chiadeira contra a privatização da Eletrobrás. É pouco. Se fosse por mim eu fecharia o BNDES e venderia o Banco do Brasil, os Correios e a Petrobras, no mínimo, pois ainda estou pensando sobre as universidades federais . Reduzir o tamanho do estado é primordial para o desenvolvimento do país, além do que, em todos os organismos que o governo controla abre-se a possibilidade de corrupção.

      Os mais de 50 milhões de reais (mais de 2 milhões de dólares incluídos) encontrados no apartamento na Graça, aqui em Salvador, é um tapa na nossa cara. Isso é mesmo que dizer pra gente, vocês são uns idiotas, uns merdas… e tenho que admitir, somos mesmo. E até podemos pensar: é só isso? Haverá mais escondido? Não é difícil imaginar a resposta…

      Como dizia um amigo, para o Brasil só tem duas saídas: Cumbica e Galeão. Por força das minhas atividades atuais percorri alguns bairros de Salvador e até algumas ruas centrais nas quais eu havia passado de carro apenas. A minha conclusão foi: nós levamos uma vida higienizada, quase que vivemos dentro de uma bolha. Não temos a dimensão da realidade. Nas ruas as pequenas corrupções são muitas, mas isso será tema para outro post, por agora basta dizer que a ladroagem está impregnada na nossa sociedade, de cima abaixo. Das pequenas nas ruas às malas de dinheiro em apartamentos, restaurantes de luxo, gabinetes e em contas no exterior. 

      Não será a nossa geração que irá ver o fim desse descalabro, portanto, devemos criar condições para que nossos filhos e netos possam viver em um país melhor.

domingo, 13 de agosto de 2017

Abrigo Dom Pedro II

      Não tenho nenhuma habilidade para cuidar de criança e de idosos. Me saio relativamente bem com adolescentes e adultos. Também não sei celebrar e nem como me comportar em eventos sociais. Eu travo. Me incomoda. Acho que a minha vocação é mesmo para ser escravo. Nasci para trabalhar, e trabalhar para os outros porque também não sou empreendedor.

      Por força das circunstâncias e razões profissionais nessa semana fui ao Abrigo Dom Pedro II em Salvador. Instituição de 130 anos e que outrora chegou a atender a mais de 400 idosos, hoje são cerca de apenas 60, pois os belíssimos edifícios não estão bem conservados, destacadamente o principal que é o maior. Os dois laterais, menores, sofreram alguma intervenção, são habitáveis mas são, por demais, simples.


Fachada do edifício principal. Prédio sem uso por falta de condições de ser habitável

      Alguém disse que os prédios são tombados por pertencerem aos patrimônios históricos, ficam ao lado da praia em uma área suburbana, mas que pela sua localização e dimensão são, do ponto de vista comercial, muito valorizados. A revitalização custaria algo em torno de 21 milhões de reais e como esse dinheiro não aparece, vão se reduzindo o número de leitos.

Detalhe do vaso de decoração.
      
      Não vi nenhum dos internos reclamando do tratamento que a eles é dado e nem da falta de material ou comida, pelo contrário, só ouvi elogios à equipe e ao local. A instituição é mantida pela prefeitura e por doações. Ouvi que há pessoas lá há mais de 30 anos e isso é de cortar o coração. Também há pessoas que, mesmo tendo como ir morar com a família, prefere ficar lá, mas há também os que não têm nada ou alguém, o abrigo é a única opção. Ainda que estejam em grupo, para muitos a companhia é a televisão. Eles gostam de vários programas, tanto de entretenimento quanto de notícias.

      Participei, ainda que timidamente de uma pequena cerimônia, e por causa disso mal dormi na noite anterior, aliás cheguei a sonhar com o meu comportamento desorientado. Fico feliz em saber que ao contrário de mim, há pessoas que sentem bem ajudando àquelas pessoas. Para mim eles são heróis.