segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Para o Pior Não Há Limite.

      É um comportamento comum subestimarmos a dor dos outros e supervalorizarmos a nossa. Mas às vezes a realidade bate à porta e percebemos, como diz um amigo e uma das mais inteligentes pessoas que conheço, para o pior não há limite.

      Nesse fim de semana recebemos em casa a visita de uma cunhada e um sobrinho, esse fazia muito tempo que eu não o via, e a imagem que eu tinha dele era de um menino bonito, alto, forte e esperto. Hoje com cerca de 30 anos de idade e usuário de drogas está acabado. Incapaz de manter um diálogo coerente e com movimentos físicos involuntários, inquieto, irritado e irritante. Sempre dependente de alguma substância para manter-se controlado, no mínimo, álcool.

      Fiquei pasmo e sem reação. Não sabia, e ainda não sei o que devo fazer. Tenho dúvida sobre o que é melhor, ajudá-lo ou ajudar à mãe que tem a árdua tarefa de tentar reverter essa situação, pois a mãe não abandona o filho, porém o pai já o abandonou faz muito tempo. Que situação constrangedora a da minha pobre cunhada, que se desdobrava para controlá-lo sentindo ao mesmo tempo e sem querer demonstrar, vergonha por aquela situação.

      Também não tenho certeza que ele possa vir a se recuperar, mas caso venha, qual será o seu futuro? Sabemos que o cérebro não se regenera e também sabemos que o mundo é hostil e lugar para fortes e preparados, e que destino pode ter nesse mundo uma pessoa com mais de 30 anos, sem formação, com funções comprometidas e uma pesada estória para carregar? No meu entendimento a resposta é simples: nenhum!

      Diante dessa situação adianta buscar culpados? Adianta buscar as causas ou deve-se cuidar das consequências? Essa me parece uma daquelas perguntas como quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. Se ficar cuidando das causas talvez não dê tempo para cuidar do rapaz, se cuidar da consequência não haverá uma situação sólida para apoiá-lo durante a recuperação, ou seja, não há resposta fácil. O que se ouve é: é preciso buscar ajuda. Sim claro, mas qual? Onde? Para uma família com posses limitadas as alternativas são pequenas. Não adianta apelar para o poder público, porque apesar de previsto em lei, os recursos são escassos e não haverá mudança significativa a curto prazo. Restam as organizações como o Amor Exigente que podem orientar, mas cuidar ali, no dia-a-dia, só mesmo a família.

      Esse quadro é um daqueles que só costumamos ver na TV, algo que só acontece com os outros, mas não é bem assim. Vendo de longe é fácil dar palpites, mas quando se aproxima também chega a impotência e os questionamentos, e há um lado ainda pior, esse caso não é o único, trata-se de uma doença que corrói o tecido social com enfermidades, crimes e que deve ser combatida. Sim, nós podemos, devemos e iremos apoiar essa família, mas e as demais, quem irá auxiliar?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ah, os contratos...

      Se a vida fosse mais simples o campo para os meus amigos advogados seria reduzido, mas não é assim. Em tese toda pessoa nasce livre e a sociedade a subjuga, sendo a família o primeiro e natural exemplo de sociedade. Para reger as sociedades existem os contratos, implícitos e tácitos, e ninguém está livre deles.

      Há desde os mais simples, alguns até bisonhos, como os de locadoras de vídeo e academias de ginástica, até os mais complexos que envolvem transações comerciais milionárias, e recentemente foram criados os que regem os relacionamentos pessoais, como o casamento. Sejam simples ou sofisticados eles procuram determinar os direitos e obrigações dos envolvidos, mas nem sempre conseguem agradar a todas as partes.

      As visões sobre os eventos são em número, no mínimo, iguais ao número dos participantes, e a opinião de cada envolvido depende de qual lado do balcão ele se encontre. Aquele que detém maior força procura se cercar de proteção por todos os lados, e aquele que necessita do primeiro também busca não ser prejudicado, mas esse nem sempre tem poder para recusar o contrato que lhe é oferecido.

      Sou um defensor da seriedade e obrigatoriedade do cumprimento dos contratos, pois, também em teoria, esses trazem ordenamento e segurança, no entanto sou diametralmente oposto àquilo que é abusivo e resultado do desequíbrio exagerado de forças. Quem já precisou assinar um contrato de locação de imóvel na condição de locatário entende bem o que estou falando. Por mais garantia que você possa apresentar lhe é dispensado o tratamento de marginal, e não é considerada a sua estória e muito menos o seu caráter, e sim a suposição de culpa e dolo que julgam que você possa vir a ter.

      Já me vi envolvido em diversos deles, mas recentemente, apesar de fazer um negócio que poderia me trazer alguma alegria, os termos do contrato muito me desagradaram. Ele busca se prevenir de situações primárias e extremas de tal maneira que só tenho o direito de pagar e ser refém da vontade deles. Foram apresentados artigos que são claramente anticonstitucionais de maneira que fica difícil acreditar que tenha sido redigido por advogados sérios e competentes, mas sem alternativa, o assinei, porque, afinal, não serei o único atingido caso eu venha a cumpri a minha parte e eles não façam o mesmo, o que resultará, no mínimo, em uma ação civil pública, além das individuais.

      Esse tipo de contrato é resultado da nossa cultura e se assemelha às nossas leis que tentam especificar até o que não se pode cumprir, o exemplo clássico é a fixaçãona constituição de 1988, até agora não regulamentada e por isso sem validade e não cumprida, da taxa máxima de juros de 12% ao ano. Criar limites a esses absurdos é papel dos nossos representantes legisladores, mas esse não têem tempo para isso, pois lutam diariamente para transferir aos seus bolsos aquilo que pagamos na forma de tributos e impostos.

      Como nos ensinou Rousseau, contrato é um pacto de associação, não de submissão, mas como não aprendemos, nos ajudem, advogados.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Plural Da Estupidez.

      Entendo que dirigir é a arte de ocupar espaços de maneira segura. Para que se tenha fluência e segurança no trânsito é necessário que se tenha regras e que haja educação para respeitá-las, mas hoje se aplica às leis de trânsito o mesmo princípio das transações econômicas: se há risco de perder dinheiro, aumenta-se o custo desse para aqueles que pagam, princípio que é também utilizado pelo governo que cobra muito imposto de quem paga, pois quem não paga, bem, simplesmente não paga. E há regras no trânsito que se baseiam nessa mesma prudência, se há muitos infratores, cria-se mais dificuldades, e assim vemos crescer os abusos e a indústria da multa . Apesar de ser contra essa atitude acabo me perguntado, há uma maneira melhor que não seja a educação?

      Principalmente os homens jovens têm comportamento agressivo no trânsito e eu já fui assim. Parece que ao tomar o volante de um veículo esse se torna extensão do nosso corpo e potencializa a nossa força. Quanto melhor o carro mais somos e mais podemos. Ainda acho que quando jovem eu dirigia melhor do que o faço hoje, mas com certeza eu era também muito mais imprudente. Já bati carros em todos os seus lados, mas nunca me machuquei seriamente e nem machuquei ninguém, no entanto sou obrigado a admitir, mesmo estando com a razão em todos os acidentes em que me envolvi tenho uma certeza: a maioria deles poderia ter sido evitada, e também me pergunto: é possível ter razão em algum acidente?

      Quando se tem porte físico avantajado ou se está em maioria, os super-homens do trânsito também são corajosos e querem resolver as diferenças na intimidação e agressão, já vi isso ocorrer diversas vezes, hoje inclusive. A sala onde trabalho tem janelas para a Avenida Getúlio Vargas que é uma via de trânsito razoável e velocidade permitida de 60km/h. Quando olhei pela janela um Opala com dois ocupantes bateu em um Meriva, segundo um colega de trabalho, de forma intencional. O Meriva ficou atravessado na pista e seu condutor, de elevada estatura, saiu do carro para brigar com o outro motorista que aparentava ser uma pessoa de menor porte físico. O passageiro do Opala chegou a sair do carro mas voltou rapidamente ao seu interior. Diante da iminente agressão, o condutor do Opala fez menção de evadir-se, e o motorista do Meriva agarrou-o pelo pescoço. O motorista do Opala deu marcha a ré e depois tocou em frente por cima da calçada arrastando o outro condutor e após uns 60m freou bruscamente para tentar derrubá-lo. Já fora do meu campo de visão, ouvi os pneus cantarem em uma curva fechada para a direita e logo após vi o Opala passar pela esquina debaixo, e o motorista do Meriva ficou estendido no chão a cerca de 200m do local do primeiro acidente, eu o via enquanto a aglomeração começava.

      A avenida ficou um alvoroço, uma colega ligou para o serviço de emergência e eu liguei para a polícia militar e fiquei ouvindo a gravação: você ligou para a polícia militar, aguarde um momento que você será atendido. Se você precisa de socorro médico ligue para 192, se você precisa de salvamento ou combate a incêndio ligue 193.Você ligou para a polícia militar...após uns 5 minutos vi passar 2 policiais de motocicleta e desliguei ainda sem ter sido atendido. Contam que o primeiro motorista além de ter sido arrastado também teria sido agredido com um ferro. Segundo um site sensacionalista da cidade a vítima não teve lesões graves, mas poderia ter sido diferente, poderia ter levado um tiro, pois não dá para saber quem é o outro. Definitivamente esse é o plural da estupidez, por causa de imbecilidades que resultaram em danos materiais de pequena monta uma família poderia ter ficado desassistida, ou as duas, com um morto e outro preso, pois anotaram o número da placa do Opala. Parabéns aos dois energúmenos.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Uma Nova Ordem Mundial.

      Nasci e cresci nos tempos da guerra fria, período em que havia duas superpotências econômicas e militares que polarizavam as demais nações do globo tentando cooptar as indecisas para que adotassem o seu regime político e econômico. A União Soviética liderando o bloco da chamada Cortina de Ferro representando o socialismo e a ditadura militar, e os Estados Unidos estendendo aos ocidentais a democracia e o capitalismo. Entre idas e vindas, tensões e distensões, o bloco Soviético foi desmantelado em 1979 a partir de marteladas no muro de Berlin, aquela monstruosidade criada na segunda grande guerra que dividiu, em duas, a Alemanha. Andando com as próprias pernas ou com as próprias bicicletas, a China, se encontrava mais alinhada, mas não totalmente aderida, ao bloco Soviético, era comunista, com governo militar ditatorial e miserável.

      Muita coisa mudou nos últimos 30 anos, a tensão de uma guerra nuclear foi reduzida, a Rússia, que liderava o império Soviético tornou-se uma quase economia de mercado, já há um arremedo de democracia e não perdeu o status de potência militar e científica, já a China, com uma política centralizada e competente, começou como os japoneses a copiar os produtos estrangeiros e dirigiu a sua indústria à exportação, expondo-se à competitividade e que, suportado pela mão de obra barata e semi-escrava, passou a ser um player mundial como base de inovação tecnológica. Por ter um mercado interno enorme e lançar mão de artifícios comerciais como a manutenção da desvalorização do Yuan, a moeda local, ultrapassou o Japão e passou a ser a segunda maior economia do planeta, e em 15 ou 20 anos deverá atingir o topo, enquanto os Americanos se arrastam para debelar uma crise especulativa que já dura dois anos. Além disso, há dois países emergentes que com população e economia grandes, passam também a influenciar a economia mundial, que são a Índia e o Brasil. O espectro comunista não mais assusta e está mal e porcamente representado pelas falidas Cuba e Coréia do Norte, essa que apesar de se arvorar uma potência militar e quiçá nuclear, ladra e esbraveja se escondendo sob o manto chinês, mas em ambos há na verdade escassez de alimentos.

      Por um momento pareceu que os blocos políticos seriam substituídos por blocos econômicos como a União Européia, o Nafta e, em menor escala, pelo Mercosul, mas esses blocos já demonstram desgaste e uma nova ordem mundial deverá ser imposta. O conjunto dos 8 países mais influentes deverá ser ampliado para um grupo que reúna os 19 países mais ricos mais a União Européia, cujo conjunto é responsável por mais de 90% da economia e por mais de 80% do comércio mundial, mas há pontos de fragilidade: a pobreza, o despotismo, o fanatismo e o próprio capitalismo.

      A partir dos dados acima é simples de se imaginar que dos 192 países reconhecidos pela ONU a esmagadora maioria é pobre ou paupérrima e que não revreterão esse quadro se não for com ajuda direta dos países ricos, ainda mais sabendo que é justamente nessas nações que a questão demográfica é pior. Há duas semanas vimos os Tunisianos pondo fim a uma ditadura de 23 anos, colocando o mandatário para correr, e agora, em situação semelhante se encontra o Egito está se rebelando contra o governo de Mubarak iniciado em 1981. Nesse propósito estão alinhados os jovens que clamam pela democracia e os fundamentalistas muçulmanos criando assim uma mistura explosiva. A igreja católica e as suas variações cristãs, com os seus muitos erros e alguns acertos dominaram o cenário por mais de 2000 anos, mas o recente crescimento do mundo muçulmano com os seus radicais fundamentalistas e aliados a governantes irresponsáveis podem criar um ponto de ruptura entre as sociedades, talvez aqui se encontre a possibilidade de uma guerra de grandes proporções. Recentemente os franceses se rebelaram contra o aumento da idade mínima para a aposentadoria, depois foi a vez dos estudantes ingleses se manifestando violentamente contra o aumento das mensalidades escolares, aparecem os gregos, que semana sim semana não produzem um quebra-quebra contra os ajustes econômicos, e mesmo países que estão social e economicamente em pleno desenvolvimento como a Creia do Sul, constantemente é sacudido por manifestações violentas enfim, é difícil encontrar um ponto de equilíbrio.

      Não há solução fácil, e o tripé economia, educação e religião devem subordinar os sistemas de governo e forças militares a fim de que o futuro possa ser construído com serenidade, segurança e distribuição de riquezas e, principalmente, reencontrando o equilíbrio da sustentabilidade da vida no planeta.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Lei do Cão.

      Tenho assistido a várias reportagens sobre maus-tratos a animais. São cavalos, cães, gatos, aves entre outros que seguidamente aparecem feridos, famintos, quando não, mortos, como ocorreu com um cavalo esquálido há alguns dias em São Carlos e cuja imagem é repetidamente mostrada na televisão. Como moro em apartamento temos em casa apenas uma meia dúzia de peixes marinhos, os quais tratamos muito bem, mas também me chateio com as condições em que são capturados, transportados e comercializados. Há também o outro lado da moeda, há poucos dias uma senhora foi ferida por cães ao tocar a campainha de uma casa, reclamação também recorrente dos carteiros.

                             O nosso Yellow Tang com o Neon Gobi.

      Por volta de 2002 eu resolvi ficar sem carro por um período que durou 2 anos e isso me fez muito bem, mas ter que ir para o trabalho lentamente para não chegar suado atrapalhava e não produzia efeito físico desejado, o que era diferente do retorno para casa, onde eu quase voava, naquela época eu já observava as situações de desrespeito aos animais além de ter sido ameaçado por cães diversas vezes. Hoje mesmo, pedalando para casa após o treino, quase fui atacado por quatro cães soltos na rua, ameaçaram, latiram mas de tão fracos não tiveram ânimo para correr atrás da bike. Além da condição dos animais, naquela época também me incomodava a sujeira feita por eles nas ruas e calçadas. Eu atravessava parte do centro e caminhava por uns 2 ou 3 bairros e o fazia variando o caminho e percebia a nojeira de determinados locais. Eu já conhecia uma senhora que levava diariamente o seu cãozinho de estimação para adubar a grama do jardim de uma casa que, com certeza, não era a dela.

      Essa é uma questão que não tem solução razoável a curto prazo, pois depende unicamente da educação do povo, logo, apenas a punição pode amenizá-la. Ainda que existam a lei ambiental e a municipal que em teoria deveriam proteger os animais e regulamentar a posse dos mesmos, as suas aplicações são risíveis, por isso imaginei algo mais severo que jocosamente chamei de “Lei do Cão”. Seu princípio é simples, todo animal que pode circular nas ruas por seus próprios meios deveria ser cadastrados em um órgão municipal. Esse receberia um chip que contém um número de identidade que seria implantado sob a pele do animal e que poderia ser lido por um dispositivo apropriado de maneira indolor, há muitos desses processos em funcionamento em diversos municípios, aqui, por exemplo, é utilizado para animais de grande porte. O tal número seria associado a um banco de dados que conteria dados do próprio animal e do proprietário. Esse processo seria gratuito e não seria obrigatório, mas todo animal pego nas ruas sem a identificação seria, após 3 dias sem que a sua posse fosse requerida, sacrificado. Caso o animal tivesse a identificação seu proprietário seria avisado e teria a oportunidade de resgatá-lo também em 3 dias. Obviamente quem requeresse a posse pagaria uma razoável multa de, por exemplo, uns cinco mil reais. Não pagou, sacrifica. Acredito que a dor no bolso tornaria a posse mais responsável.

      Sim eu sei que é contraditório ter pena dos bichos e querer sacrificá-los, mas essa ação pode ser feita de maneira profissional com um menor sofrimento, já que não é possível sacrificar os malditos proprietários.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Causas e consequências.

      É comum que as profissões técnicas tenham três especializações: o projeto, que é proporcionalmente melhor remunerado, pois é primordial que seja feito, é relativamente fácil de fazer, o ambiente de trabalho é um escritório e a remuneração pode chegar, em alguns casos, a 15% do total a ser investido, mas seu produto não passa de um monte de papel ou de arquivos. A segunda é a instalação, essa é a que produz maior satisfação, pois o resultado aparece, se materializa. Nessa fase é onde os maiores investimentos são feitos e pode-se aqui ganhar um bom dinheiro, e o melhor de tudo, para quem faz bem feito, acabou, vai embora, não tem mais dor de cabeça. O problema reside em reformas, pois essas são sempre mais difíceis de fazer do que algo novo. E a terceira é a manutenção, o patinho feio do processo. É aquela que só é lembrada quando há problemas, e é normalmente a que recebe os menores investimentos, pois, se tudo funciona, é desnecessária, se algo está errado, procura-se o irresponsável que deixou aquilo ocorrer, logo é mal remunerada. Mas existe uma característica importante que distingue os bons dos maus mantenedores, é a capacidade de diferenciar a causa da consequência. E essa é a peculiaridade que aproxima essa profissão, por exemplo, à dos médicos. Ambos analisam algum sintoma, fazem medições e análises, propõem alguma solução e repete-se o ciclo até que se resolva o problema ou decidam que esse não tem mais solução, no caso técnico descarta, no caso médico, enterra.

      Diante das atuais e repetidas catástrofes me vejo diante da mesma pergunta: o que é causa e o que é consequência? Claro, a consequência maior é a morte de tantas pessoas, mas muitas delas foram as que construíram ou habitaram locais impróprios. Há locais que são propícios a esses deslizamentos, então por que são ocupados? No caso das enchentes, os rios invadem as mesmas casas ou estradas que invadiram as suas margens, oras, se as casas ou pistas não estivessem lá o rio encheria e esvaziaria e não haveria problemas. Logo vem os profetas do apocalipse culpar o aquecimento global, porque há 50 anos essas enchentes ou chuvas intensas não ocorriam. Pode ser que sim, ou não. Não sou cientista, mas pelo pouco que sei a terra já passou por diversos períodos de glaciação e de interglaciação, como esse que estamos agora, em são cerca de 10.000 anos de tempo quente e 90.000 anos de períodos frios. Não acredito naqueles que são radicais do sim e tampouco do não, mas entendo que a melhor solução para a maioria dos problemas é a redução da população.

      Os recursos providos pela terra apesar de abundantes são limitados, e com uma população de mais de 6 bilhões de habitantes com projeções de sermos 9 bilhões devem produzir um alerta, pois sobra pouco para cada um e aliado ao uso desmedido o desastre é certo. Com a metade da população projetada haveria mais recursos para cada um, a riqueza per capita seria maior, seria possível prover maior educação o que iria garantir a ocupação mais racional do ambiente evitando tragédias e garantindo maior qualidade de vida. Nos países mais ricos a taxa de fecundidade é baixa ficando aquém da taxa de reposição que é de 2 filhos por casal, mas nos países pobres ou em desenvolvimento a fecundidade é alta e os desastres naturais produzem um número maior de vítimas. O fator comum nesse caso é a educação, ou melhor, a falta dela. Um país onde a educação é priorizada produz riqueza, se desenvolve e cria tecnologia que previne desastre, e o maio exemplo disso é o Japão. Se há um lugar em que ninguém escolheria para morar a não ser para ganhar dinheiro é o Japão. Uma pequena e gelada ilha que é super-habitada, que tem furacão, terremoto, enchente nevasca e sujeita a tsunamis, mas que a cada desastre se mostra cada vez mais capaz de conviver com eles. Além da tecnologia empregada nas soluções preventivas, há o elevado nível educacional que é ao mesmo tempo a sua causa e sua a conseqüência.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O próximo passo.

      Essa época do ano é especialmente própria para a tomada de decisões, principalmente por jovens que estão concluindo os seus cursos técnicos ou graduações, ou por aqueles que vislumbram melhores oportunidades profissionais. Mas como toda escolha implica em pelo menos uma renúncia, a pergunta vem sempre acompanhada pelo medo: estou fazendo a escolha certa?

      Muitas vezes fui o interlocutor de amigos que estavam nessa situação e, especialmente, por alguns que sempre se preocuparam em desenhar a sua carreira não ficando apenas como observador do tempo esperando que algum milagre viesse do céu e o iluminasse. O lado bom é que de certa maneira me realizo nas decisões corretas, e nem posso dizer que em alguns desses casos houve fracassos, houve sim algumas perdas momentâneas, mas que foram seguidas de ganhos significativos, e o lado ruim é que me sinto mais velho a cada vez que me deparo diante dessa situação.

      Durante a minha carreira eu mesmo me vi nessa situação, se eu desse mais um passo poderia ter muitos ganhos ou muitas perdas, e o que fazer? Em primeiro lugar, conversar sobre o assunto não faz mal a ninguém, mas é importante que se tenha a consciência de que a responsabilidade pela decisão tomada é toda sua, pois opiniões são apenas isso, opiniões, e devem ser consideradas apenas como um ângulo diferente de se observar a mesma situação.

      Deve-se observar se há algum risco físico para você, ou se você o produzirá para outro, caso positivo, abandone essa ideia. Riscos psicológicos sempre existirão, pois, por mais que se acerte, sempre ficará aquela dúvida: e se eu tivesse feito a outra escolha? Tenha essa dúvida até a tomada da decisão, após isso, esqueça a outra possibilidade, a partir de agora ela só irá te atrapalhar, o importante nesse caso é saber se você tem estabilidade psicológica suficiente para aguentar essa pressão, principalmente nos períodos iniciais.

      É importante também fazer o balanço da condição que envolva terceiros. Se eu fizer, ou deixar de fazer isso, qual impacto produzirei na vida das pessoas próximas? Especialmente no caso em que envolve mudanças de localidades e há uma relação de casal ou família estabelecida, a preocupação aumenta. O mais comum nesse caso é que aquele que pode dar maior contribuição financeira tome a decisão e os outros o seguem, a situação fica mais fácil se for com apoio, pois do contrário, os laços podem ser rompidos.

      Muito importante para a mudança de emprego é conhecer a empresa e, principalmente, o ambiente que você vai encontrar. É primordial conhecer o futuro chefe e saber qual é a sua condição de conviver bem com ele. É preferível ter um rendimento reduzido em um local em que você possa adquirir conhecimento e pleitear crescimento naquela ou em outra empresa, a ter um maior ganho financeiro inicial e ficar estagnado pelo resto da vida.

      Agora, se você é jovem, ainda sem uma carreira consolidada, sem perspectivas imediatas de crescimento rápido, sem vínculos consolidados, e observados os itens acima, demorô! Como se dizia em uma gíria recente. Não há motivos para ter dúvidas.