quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Meu 2015.

      Após uma sequência de anos vitoriosos chegou a inflexão: 2015 não começou bem e terminou pior, agora a curva aponta para baixo. Eu posso dizer que para mim até que não foi dos piores se comparado com o de muita gente. O ano começou frenético e terminou se arrastando. Vi amigos e conhecidos perderem o emprego, tanto aqui, na Bahia, quanto no estado de São Paulo, e isso é péssimo. Alguns perderiam naturalmente, pois as estruturas precisam se renovar, mas a maioria foi por causa da crise econômica e política. As três esferas de poder estão contaminadas por ideologias rasteiras e por vigaristas de todas as espécies, e não há consolo, pois 2016 não parece que será alvissareiro.  A gente não merece isso, mas é o que temos.

      Não consegui cumprir as minhas promessas. Apesar de ter mantido o mesmo peso do final do ano passado não voltei a treinar com a regularidade necessária, e desde o final de setembro estou com uma lesão no joelho esquerdo que dói muito e me levará a uma cirurgia. Segundo o médico eu poderia viver assim, mas a vida de atleta estaria encerrada. Espero ser operado ainda no início do ano para logo aumentar a intensidade e a regularidade dos treinos, pois já estou ativo mas com baixa frequência. Além do que, vou praticar um esporte náutico, embora ainda não tenha decidido qual será.
Menisco Lesionado
      
      Não tenho problemas na família, a única preocupação é com minha mãe que mora sozinha e longe dos 3 filhos, e isso não está bom, precisamos discutir esse caso com mais assertividade. ( Eu fico em Salvador - BA, meu irmão em São Mateus - ES, e a minha irmã em Sorocaba - SP, a mais perto. O nome das 3 cidades começa com S ). Se em 2014 ganhamos um filho quando a nossa filha se casou, agora temos também um neto. Um garoto saudável, com habilidades motoras notáveis para a idade, bonzinho, e que acorda com um bom humor expressivo. A gente está “babando” por ele.
Na praia com o meu netinho. Em 8 meses é a terceira vez que ele vem aqui e a primeira que entra no mar.
      
      Não estudei e vai demorar para que eu encontre algo que eu precise e me atraia. Fiz apenas um curso rápido à distância que foi de pouca serventia, achei-o fraco. Eu leio com alguns propósitos: aprender, distrair e recordar e isso fiz bastante. Ainda que tenha pouco tempo disponível, aproveito-o bem, e esse é um ponto positivo. Novamente não assisti a shows, mas em setembro fiz uma viagem empolgante a Washington, até porque não paguei por ela como já contei em um post do dia 03 de maio. Visitamos, a Nega e eu, vários lugares, fomos a museus incríveis: de história natural, de arte, de escultura, de história e de ciências, além termos ido aos principais pontos turísticos ( a minha foto no blog foi tirada durante essa viagem no Lincoln Memorial ) e também a restaurantes típicos. Ficamos também alguns dias em Las Vegas onde nos encontramos com amigos. Lá passeamos e fizemos algumas compras. Viagem tranquila, o que estragou foi a desvalorização do Real frente ao Dólar, que saiu da casa dos dois e pouco por Dólar, para mais de quatro quando viajamos. Outra vez: eta governo incompetente!
Lidos em 2015. Faltam nessa foto uns dois que estão emprestados.
      
      Profissionalmente também foi um ano turbulento e a minha expectativa foi mudada em função das necessidades, mudou em janeiro e novamente em novembro. Apesar de ainda ter a televisão na veia, hoje o meu trabalho está ligado à infraestrutra de televisão. Aquilo que era figurante em meu trabalho hoje é protagonista, deixei de ser generalista para tentar ser especialista em duas disciplinas. O problema é que precisamos de resultado antes de ter uma equipe bem formada, e o meu estilo não é o “arrasa quarteirão”,  aquele que chega e arrebenta, trabalho melhor construindo aos poucos, mas de maneira sólida. Sinto que terei dificuldade, mas me conheço e sei que tenho uma enorme capacidade de me motivar, igualmente me motivam a dor e o prazer. Se não vou fazer o que mais gosto, vou fazer bem feito o que tem que ser feito porque é um desafio. Vamos, como diz a Ivete Sangalo, pra frente, pra frente...

Prá frente, prá frente...




domingo, 6 de dezembro de 2015

E o Mico Pagou o Pato

      Bem que eu gostaria de escrever só boas notícias, mas o post reflete o meu momento e também o momento que o país atravessa. Só tem más notícias. Ladrões, políticos e políticos ladrões, todos roubando e acusando-se mutuamente, tratando de se safar, mantendo seus mandatos, seus privilégios e nós pagamos a conta. Pagam os que trabalham e muito mais os desempregados. Todos os dias vemos as notícias sobre a redução da atividade econômica e a nação se empobrecendo. Já conseguimos atingir o mesmo resultado de 5 anos atrás, e como ainda vai piorar, tudo indica que essa será mais uma década perdida. Eta administração pública vagabunda!

      Trabalho em Salvador e moro na região metropolitana, aliás, saindo de casa e andando pela praia, em 15 minutos chego a Salvador. Aqui não tem rede de esgoto, tratamento de esgoto então nem se cogita, não há coleta seletiva de lixo e a cidade é suja. Uma boa referência é o meu carro. Não sou daqueles que “amam”carro. Para mim é apenas uma ferramenta, e como não o dirijo pelo lado de fora, não preocupo muito com a limpeza exterior. Em São Carlos eu costumava mandar lavá-lo, em média, a cada 2 meses. Aqui preciso lavá-lo toda semana. Tudo bem que a maresia tem a sua parcela de culpa, mas a poeira, a água nas ruas e o lixo fazem a maior parte do estrago. Como para cada choro tem que vende lenço, eu poderia estar distribuindo renda deixando-o em algum posto ou lava-jato (nome não tão apreciado atualmente), mas ainda não encontrei melhor modelo do que eu mesmo cuidar da limpeza, pois tudo fica longe e perco muito tempo. Estou me aprimorando e já consigo lavar o exterior de um sedam médio com 15 litros de água!

      A falta de tempo e a distância são circunstâncias, mas a falta de saneamento e o lixo na rua mostram o estágio de desenvolvimento das pessoas. Parece que se cuida apenas do que é seu, ou seja, do portão para dentro, o lado de fora não é de ninguém. Assim se acumulam pedra, areia, restos de construção, lixo doméstico e tudo aquilo que é para ser descartado. Há aqui aquilo que se chama de pontos viciados, ou seja, elegem um local para jogar o lixo e que se dane quem mora perto. A prefeitura de Salvador diz que paga cerca de 1 milhão de Reais por dia para qua haja a coleta, mas não resolve, ou seja, poderia ser ainda pior.


Ponto viciado - esse é um dos mais limpinhos

      O trânsito é travado, pois pode-se fazer qualquer barbaridade, óbvio que desrespeitando as regras elementares. Carro sobre as calçadas é o mínimo, e não importa se é na periferia ou em bairros ricos e centrais. Estacionar sobre praças públicas também pode.


Estacionar na praça?  Pode!

      Há uma cena que há muito eu não via, pessoas na rua carregando gaiolas com armadilhas para capturar pássaros. Aqui é normal, vejo isso constantemente, e não são crianças, são adultos mesmo! E nessa semana uma cena foi emblemática. Há nas matas e em muitas praças, pequenos micos, aqui mesmo em frente de casa aparecem vários, e no campus da Universidade Federal há muitos, e eles se utilizam da fiação elétrica para se deslocar. Há poucos dias houve a interrupção da energia elétrica, pois um desse micos causou um curto-circuito na rede de média tensão da rua que cortou um fio e o infeliz bichinho morreu. Caiu completamente desidratado e com membros amputados.

       Seria só mais um acidente, mas o pior foram os comentários, todos culpando o animal. Não é assim! Eles estão aqui porque aqui é o seu habitat. Eles não estudaram eletricidade, tampouco fizeram o curso da NR10 e sobre Sistemas Elétricos de Potência. É nossa obrigação protege-los. As instalações elétricas comercias devem considerar essa hipótese. Já li algo sobre o Pantanal, onde os cabos passaram a ser isolados, pois, devido a envergadura, os Tuiuiús também morriam ao tocar os fios com suas asas. 

      Entristece ver a pouca sensibilidade das pessoas com o meio ambiente, e assim, como dar boas notícias?

domingo, 22 de novembro de 2015

Mariana e Paris, a solução que une os dois casos.

      Li e ouvi muita coisa sensata e muita discussão inútil sobre o rompimento da barragem em Mariana e do massacre em Paris. Notei que a gente diz muita besteira justamente por achar que sabe muito, e eu continuo errando. Aprendi, ouvindo a CBN, com o professor e filósofo Mário Sérgio Cortella a diferença entre tragédia e drama. Eu achei que conhecia os significados, e que, aliás, eram sinônimos, mas não são. Ao contrário dos dramas, as tragédias, como furacão e terremoto, não dependem da ação humana, assim os dois eventos recentes são dramas, pois o rompimento da  barragem poderia ter sido evitado e os atentados foram premeditados.

      Há um mês estávamos cheios das notícias do petrolão, da possibilidade de impeachment da Dilma e da possível cassação do Eduardo Cunha, veio então a tsunami provocada pelo rompimento da barragem e disseram que era obra da imprensa para desviar a atenção, depois dos atentados em Paris disseram que a imprensa mudou o foco porque a Vale, uma das controladoras da mineradora Samarco, é anunciante. É uma enorme idiotice. 

      Não gosto de muita coisa na cultura americana, mas gosto de outras tantas, entre elas a possibilidade de se manifestar. Lá um órgão da imprensa escolhe um lado e o defende e como sempre tem pessoas inteligentes em todos os lados, o debate é saudável. Eles são mestres na teoria da conspiração. Até hoje o Elvis não morreu, o Kennedy foi morto pela CIA, os atentados de 11 de setembro foram feitos pelo próprio governo que queria invadir o Iraque para ficar com o petróleo, e coisas assim. Em 2013 estive em Washington com um amigo que não defende os americanos como eu, e conversávamos exatamente sobre o 11 de setembro. Ele me contava sobre as leituras e documentários sobre a possibilidade dessa ação ter sido mesmo produzida pelo governo e eu discordava. Ao chegarmos ao hotel liguei a TV e havia um documentário exatamente sobre isso. Para cada alegação a favor eles reuniam cientistas dos dois lados e simulavam a ação seja com programas de computador, seja com atores, locações, maquetes, e ensaios físicos. Isso me agrada, a liberdade e a inteligência.

      Não dá para consertar o que se perdeu a partir do desastre em Mariana, mas pode-se apurar as falhas, ressarcir algumas das despesas e punir quem tiver responsabilidade. Já sobre os atentados, a estória é outra. Pode-se matar uma meia dúzia de militantes, soltar umas bombas na Síria matando militantes e civis inocentes, mas não vai se atingir nenhum resultado efetivo. Os países mais abertos e democráticos não têm como se defender, serão sempre mais vulneráveis. Os radicais se utilizam das liberdades e ferramentas democráticas, que eles combatem, para se expandir e recrutar seguidores, apoio e dinheiro. Os países mais fechados se defendem melhor. Estive em Moscou, também em 2013, após o desembarque, antes de passar pela imigração, passei por um scanner e por um detector de metais manual, isso não é comum nos desembarques. Ao sair de Moscou o motorista de taxi me deixou no terminal da companhia aérea, o aeroporto era enorme, mas a porta era pequena, havia uma sala de uns 3x5m e ninguém à vista, voltei à rua mas não havia outra entrada. Retornei à tal sala e foi então que vi, que havia oficiais e um detector de metais, primeiro eu passei por essa barreira, depois entrei no saguão. Depois do checkin houve o procedimento de segurança de sempre. Lá, os hotéis são obrigados a informar à prefeitura a identidade e o período de estadia dos hóspedes. Quem recebe um hóspede em casa também tem essa obrigação. Os moradores locais, se forem se ausentar da cidade por mais de um mês, também devem comunicar às autoridades. Imaginem se isso funcionaria aqui!

      O progresso impõe modificações ambientais, mas cada vez mais há ciência, assim não se pode condenar toda a atividade de mineração, há que se ter controle e compensação. Da mesma maneira não se pode radicalizar sobre as questões de etnias e religiões, pois bandidos há em todas as sociedades. Ainda que nos dois casos houve perdas significativas, é tosca a comparação entre um drama e o outro. Cada um tem a sua dor e a sua dimensão. Claro que as mortes provocadas pela inundação e o desastre ambiental são graves, mas são decorrentes de imperícia ou negligência, não foram planejados, ao contrário dos ataques a vidas na França. A solução que une os dois casos é o conhecimento.

sábado, 7 de novembro de 2015

Ribeirão Preto - A escola.

      Sai do colégio técnico em 1976 direto para o trabalho, me afastei dos estudos e senti falta. Não que eu goste de estudar, gosto de aprender e se possível do jeito mais fácil. Em Ribeirão Preto comecei umas três vezes a estudar inglês e desisti antes de completar o segundo livro, pois também não sirvo para ficar fazendo simulaçõezinhas com grupo de alunos. Só voltei a estudar formalmente em 1987 mas interrompi após o primeiro ano do curso de Administração de Empresas porque me mudei em 1988. No entanto, mesmo no ambiente profissional tive duas experiências que valeram por um curso. A gente trabalhava muito, éramos muito responsáveis e produtivos, mas gostávamos de nos divertir e o ambiente era muito bom. Assim também nos lançávamos em outras searas.

      A empresa adianta o salário quando se tira férias, e quando retornávamos ao trabalho só tínhamos contas. Criamos um caixa com contribuição mensal durante um ano fazendo depósitos em uma caderneta de poupança. Após o período de carência passamos a fazer empréstimos a nós mesmos sob algumas regras que criamos e pagávamos parcelado com juros de poupança a nós mesmos. Como era um grupo de umas 8 pessoas e todas camaradas, o resultado foi muito bom. O sucesso pôs fim no negócio, tínhamos tanto dinheiro em caixa que não sabíamos mais o que fazer com ele. Compramos alguns trecos que queríamos para uso coletivo e ao final cada um ficou com a sua parte corrigida monetariamente e com juros. Fiquei com menos dinheiro mas guardo até hoje uma luneta que compramos para ver o Cometa Halley em 1986. Tentei repetir essa experiência mais tarde com outro grupo mas não deu certo, pois essa turma não estava tão unida. Ironicamente esse projeto tinha o carinhoso nome de Pró-Sufoco.

      Havia a turma do futebol que jogava, jogava, jogava e não ganhava nada. Participava das Olimpíadas do Trabalhador, organizada pelo Sesi e as equipes de futebol e futebol de salão eram desclassificadas e na classificação geral era um desastre, a empresa ficava nas últimas colocações. Veio então a ideia de se criar um grêmio primordialmente esportivo. Articulei com um companheiro de cada área e formamos uma comissão provisória com 10 representantes e organizamos um plebiscito no qual propusemos duas questões:
1 - Se os funcionários apoiariam a criação de um grêmio esportivo.
2 - Se eles aprovariam a Comissão Provisória para organizar as regras de uma eleição.
É claro que fomos aprovados em ambas as questões com taxa de sucesso maior que 90% e a saga começou.

      Imediatamente, ainda como comissão provisória e sem dinheiro tínhamos que participar da famigerada olimpíada. Nos desdobramos, participamos de muitas modalidades envolvendo a maioria dos funcionários. A participação deixou de ser apenas dos times de futebol, mas contávamos entre outras modalidades com atletismo, natação, vôlei, basquete, tênis de campo e mesa, xadres, enfim, o máximo que podíamos. Éramos de uma empresa pequena, com pouco mais de 100 funcionários e disputamos com empresas grandes, algumas10 vezes maior do que a nossa, e entre a média de 30 empresas começamos a figurar entre os 5 melhores classificados.

      Organizamos as eleições e a comissão provisória formou uma chapa. Participamos e ganhamos também com mais de 90% dos votos. Foi um ano difícil e de muito trabalho. Criamos um sistema de arrecadação mensal com 3 faixas de valores onde quem ganhava mais pagava mais, e também revendíamos umas camisetas e o caixa começou a aumentar. Com a ajuda de um advogado criamos um estatuto que não chegou a ser registrado, mas o processo foi uma experiência enriquecedora.

Eu jogando futebol de salão no SESC em um campeonato interno - 1985

      Tínhamos uma oposição ferrenha, shiita, hoje eu diria: petista, que era formada por aqueles 10% que perderam as eleições. Eles não nos davam sossego, e pasmem, eram nossos amigos! Tudo que fazíamos era motivo de críticas severas, daquelas de se desconstruir tudo, e houve uma falha grotesca da minha parte. Nosso diretor Financeiro cuidava do caixa e dos investimentos. Certa vez um diretor da empresa me perguntou sobre o grêmio e a conversa foi para o lado do dinheiro. Eu falei de quanto dispúnhamos e que estava aplicado no Banco Comind que melhor nos remunerava e cobrava uma menor taxa de administração. Ele me disse: tire o dinheiro de lá que o banco vai quebrar. Fiquei apavorado e por cerca de um mês cobrei isso diariamente do Diretor Financeiro mas sempre havia um contratempo da parte dele e não íamos até banco. No dia 19 de novembro de 1985 o banco sofreu uma intervenção federal e as contas foram congeladas. Eu que costumava chegar cedo ao trabalho naquele dia me atrasei. Fui com o Diretor Financeiro a outro banco e abrimos uma conta com o mesmo valor que estava aplicado. Entrei com 70% e ele com 30%. Para fazer esse depósito utilizei dinheiro emprestado do Pró-Sufoco. Quando cheguei na empresa havia um "batalhão de inquérito" e sustentei que o dinheiro estava a salvo no Itaú. Depois de muito tempo o dinheiro retido no Comind foi devolvido em 10 parcelas.

      Participamos de mais um campeonato e dessa vez melhor estruturado e graças a diversos talentos individuais ficamos em terceiro lugar na classificação geral, fomos campeões em várias modalidades e finalistas em outras tantas, isso foi um grande feito reconhecido pelo próprio Sesi e pelas outras companhias. Realizamos campeonatos internos e fomos campeões no torneio de verão do Sesc, foto abaixo. Mas não nos limitávamos aos esportes, participávamos de algumas campanhas e queríamos fazer diversos convênios que estavam sendo alinhados mas não foram concluídos pela falta do estatuto registrado. Editávamos um jornalzinho que era feito à base de tesoura, cola e xerox. Tínhamos a colaboração de um artista de renome nacional, o cartunista Pelicano, que é irmão do também cartunista Glauco. Pelos editoriais que eu escrevia, certa vez recebi um elogio do grande jornalista e escritor João Garcia, o que me deixou muito feliz. Sei que tenho um exemplar do jornal, quando eu o encontrar edito essa postagem.
Campeões do Torneio de Verão do SESC 1985

      Já decorria um ano e meio e seu estava cansado. A oposição não me dava trégua e decidi que perderíamos a próxima eleição. Como, pelas regras que criamos eu não podia mais me candidatar à presidência, montamos uma chapa apenas para participar. Dito e feito. Perdemos as eleições, a nova administração fez algumas festas, nas olimpíadas do Sesi o resultado voltou a ser pífio e em seis meses o grêmio estava morto. Há muitas outras estórias nesse enredo e os colegas contemporâneos que lerem esse artigo irão se lembrar.

      Valeu por um curso. Foi um aprendizado intenso de administração, de administração de projetos, de administração de pessoal, de desenvolvimento de talentos, de como conter a ansiedade, de não matar ninguém mesmo estando com vontade :), de política, enfim, não estudei mas aprendi muito, e do jeito que eu gosto. Aquele foi mais um tempo feliz da minha vida e em Ribeirão Preto.

domingo, 18 de outubro de 2015

Ribeirão Preto - O trabalho

      Como se diz aqui na Bahia, pense! Pense em algo que deu certo! Essa foi a minha passagem por Ribeirão Preto. Em Ribeirão nasceu o meu filho, a minha filha foi alfabetizada, minha esposa voltou a estudar, construí amizades excepcionais, montamos uma emissora de televisão, a atualizamos tecnicamente algumas vezes e lá comprei a minha primeira casa. Em Ribeirão cheguei técnico e saí gerente. Nada mal para uma carreira de apenas 12 anos de técnico em eletrônica com curso de nível médio. Foram oito anos intensos e incríveis.

Com os filhos em Ribeirão Preto

      Ainda em Campinas, concomitantemente com os dois primeiros anos como técnico de retransmissão e o primeiro como técnico de manutenção de TV, trabalhei em uma empresa que produzia transmissores e antenas para transmissão de sinais de TV, de onde herdei do meu primeiro pai profissional a obrigação de se fazer tudo com qualidade. Do meu segundo pai profissional ganhei a liberdade de criar o conceito de serviço bem feito, e que foi aperfeiçoado, e muito, graças a dois amigos que trabalhavam em uma equipe de instalação. A esses quatro amigos, já mortos, tenho muito a agradecer.

      Comecei como técnico e logo passei a conduzir a equipe, que para a época foi muito bem montada e se tornou eficiente e altamente qualificada. Era um tempo em que todos equipamentos eram importados, e a importação, além de ser um processo difícil, era muito cara, e isso nos obrigava a ser criativos. Os videotapes amassavam as fitas e essas eram reaproveitadas eliminando-se a parte ruim. Era um trabalho manual e lento. Criamos, com madeira e peças usadas, uma máquina simples para rebobinar as fitas e o trabalho ficou eficiente. As baterias de câmeras e VTs tinham vida útil muito baixa, criamos um equipamento que analisava cada célula das baterias, assim reuníamos as melhores células, montávamos novas baterias e dávamos uma sobrevida a cerca de 60% delas. Havia 8 VTs e apenas 2 equipamentos para a estabilização de imagens que eram muito caros, os Time Base Correctors (TBCs) em cuja entrada os sinais dos VTs eram comutados, no entanto eram sub utilizados, pois a comutação não contemplava a radiofrequência para a correção dos sinais  quando o defeito era causado por amassados ou perda de óxido das fitas. Criamos dois equipamentos que associados às matrizes que comutavam o sinal de entrada comutavam também a radiofrequência e disponibilizamos esse recurso.

      A inventividade sempre foi nosso forte. O primeiro prêmio de jornalismo de relevância  nacional que a a empresa ganhou era sobre a piracema no rio Mogi Guaçu e que mostrava imagens subaquáticas. Não dispúnhamos de equipamento para isso e nós desenvolvemos uma caixa blindada na qual enfiávamos uma câmera grande e extraíamos o seu sinal. A dificuldade foi fazê-la afundar e torná-la manobrável. Fizemos dezenas de testes com esse aparato na caixa d’água da empresa antes de disponibilizá-lo para a operação.

      A transmissão dos evento era um capítulo à parte. Desmontávamos metade da emissora, enfiávamos tudo dentro de uma Kombi, viajávamos para o local da transmissão e fazíamos a instalação. Dava muito trabalho, cansaço e estresse pois a possibilidade de algo dar errado era muito grande. Surgiu então a necessidade de se construir uma unidade móvel e a empresa apostou na nossa capacidade. Comprou um furgão e, a nosso pedido, ferramentas de serralheria e fizemos a integração do carro para transmissão dos eventos. Era uma estrutura fixa, com o cabeamento já posicionado, os locais dos equipamentos já determinados, criamos multicabos e disponibilizamos energia para os equipamentos e comunicação para os operadores. Mesmo assim tínhamos que desmontar metade da emissora, mas os instalávamos no carro ainda na emissora, os testávamos e chegávamos ao local do evento com a instalação praticamente pronta. A estreia foi em uma corrida de rua em Campinas e foi um sucesso. Entre um evento e outro o carro era utilizado para o transporte de equipamentos pesados de iluminação para as gravações externas de comerciais.

      Essas foram apenas algumas das muitas as vitórias técnicas, porém a principal foi o amadurecimento. Eu não tinha visão clara de carreira profissional, mas percebia que não haveria muita competição e tudo foi dando certo e eu me tornando arrogante. Eu “protegia os meus” e atirava em todas as direções com empáfia e com força desnecessária, mas tive tempo de me recuperar. Eu dispendia muita energia para sempre estar alerta, pois da mesma maneira que disparava eu levava chumbo. Aos poucos fui percebendo a minha ignorância, curando feridas e remendando situações. Finalmente compreendi que o importante não é “causar” quando se chega, mas o que de bom foi construído antes de sair. Assim me sinto feliz sabendo que lá deixei um bom legado e amigos melhores ainda. É um daqueles lugares em que posso sempre retornar e ser bem recebido. Faço, portanto, a minha homenagem a todos que trabalharam comigo, me suportaram nos dois sentidos: me ajudaram e aguentaram a minha bizarrice, pois em todas as coisas boas que foram criadas eles fizeram a maior parte. Muito obrigado amigos.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O Lula Venceu e votarei nele nas próximas eleições.

      O Lula Venceu e votarei nele nas próximas eleições.

      O Lula teve o meu voto contra o Collor e não sei se fiz bem ou mal, porque ele perdeu as eleições, mas nunca mais votei nele apesar de ter votado em alguns candidatos do PT, porém ele terá o meu voto nas próximas eleições.

      O Lula já venceu e, para mim, o seu maior legado foi ter dividido o país entre nós e eles. O ser nós ou eles depende da conveniência. No palanque nós somos os pobres, e eles, as elites que são contra os pobres, mas na hora de tomar o governo em um projeto perpétuo de poder e de enriquecimento de pessoas e do partido, somos parte da elite mas não contem nada a ninguém. Afinal, que as relações foram muito estreitas com donos e diretores das maiores empreiteiras do país lá isso foram.

      O Lula não pode ser preso, pois irá virar mártir, o que seria ruim para a própria presidente que acabaria sendo perseguida por um cadaver insepulto. Pelo mesmo motivo ele não pode morrer, pois não será enterrado tão cedo. Assim a ele só resta a próxima eleição, pois vencendo continuará acobertando os desmando das administrações petistas. Não existe possibilidade dele não ser candidato em 2018.

      O Lula ainda controla os chamados movimentos sociais. Pois esses grupos, um dos quais ele chamou de exército do Stédile, não estariam tão calados em face às medidas adotadas pelo Ministro da Economia Joaquim Levy, que são frontalmente contra as do antecessor. Tais movimentos já teriam ocupado as ruas, estradas, fazendas, repartições e autarquias.

      O Lula não pode perder as próximas eleições, pois o país ficará ingovernável. Se a atual presidente conseguir terminar o mandato a economia estará muito ruim, porque ruim já está faz tempo. Qualquer um terá que tomar medidas drásticas e haverá recessão forte por alguns anos. Depois de sofrer por tanto tempo ninguém aguentará e com a paciência esgotada, com a pressão militante que só PT sabe fazer, com os tais movimentos sociais ativos e com a divisão nós, os pobres perseguidos, não há quem governe, assim a alternativa seria a ditadura, e adeus democracia, o que seria uma lástima.

      O Lula, presidente, terá que fazer os ajustes que os outros não serão capazes de fazer, logo entendo que é a única esperança para o Brasil sair do buraco.

      O Lula já me humilhou quando, logo após a posse do primeiro mandato mandou construir uma estrela vermelha nos jardins do palácio do Planalto. Para mim já era caso de impedimento, pois o palácio é a residência do presidente do Brasil e não propriedade de um partido. Também me humilhou com atitudes fascistas como na tentativa de expulsão do jornalista americano e na dos pilotos também americanos. Ainda que eu não goste da figura do Lula, das suas atitudes e dos seus governos, não vejo alternativa. O Lula venceu e terá o meu voto nas próximas eleições.

domingo, 9 de agosto de 2015

De Que Lado Você Está?

      A humanidade se desenvolveu mas não foi sem dor, e isso fica evidente quando um grande e barulhento grupo começa a perder. Há situações em que se é fácil tomar partido, outras, nem tanto. Ser contra a escravidão? É fácil. Ser contra o racismo? É fácil. Defender a escola pública, gratuita e de qualidade? Nem se diga. Mas defender o auxílio reclusão? E defender a pena de morte? E quando somos nós ou alguém próximo que está perdendo? Dá para ser imparcial? Por exemplo, todo mundo sabe que o frete é um dos grandes componentes do chamado custo Brasil. Em sendo reduzido, muitos preços poderiam ser menores, seríamos mais competitivos na exportação e isso geraria riqueza, para isso o transporte ferroviário e o hidroviário deveriam ser incentivados. Isso traria um efeito colateral, muitas empresas de transporte rodoviário fechariam, muitos motoristas perderiam os seus empregos e o mesmo ocorreria com a industria de caminhões. Em qual lado devemos ficar?

      A revolução industrial foi dolorosa para os artesãos, a tecnologia mudou radicalmente a agricultura e a sociedade da informação está acabando até mesmo com as ligações telefônicas. Hoje as empresas de telecomunicações ganham mais com dados do que com voz. Muita coisa desaparece, muita coisa se transforma e independente do lado que queiramos defender, nem sempre seremos atendidos. A televisão não acabou com o rádio, mas esse se reinventou, deixou de ser mundial e passou a ser local. A internet ainda não acabou com o jornal, com a televisão nem com o rádio e nem sei se acabará, mas a televisão está voltando a ser como no início, tempo em que não havia gravadores de vídeo, cada vez mais a programação está sendo transmitida “ao vivo”. Hoje a própria Globo entra no ar “ao vivo” às 5 da manhã e segue assim até o final do Video Show, próximo das 15 horas.

      O CD praticamente matou o vinil, e hoje o download de musicas praticamente matou o próprio CD. As fotos eletrônicas acabaram com os filmes e reduziram em muito as impressões, e em todas essas mudanças alguém sempre ganhou e alguém sempre perdeu. Há cerca de um ano escrevi sobre os taxis de Salvador e elogiei o serviço das cooperativas, ele modificou o processo porém manteve os mesmos atores, mas agora a estória já não é a mesma. O aplicativo Uber, o mais conhecido, e seus similares vieram para modificar a estrutura e vai conseguir. Citei no mesmo post que o alto custo das licenças para se dirigir um taxi era produto do numero limitado de licenças, o que não existe na lógica do Uber. Para se trabalhar são poucas as exigências, mas o bom atendimento é o que o diferencia do taxi comum ou até mesmo do chamado especial, que de especial só tem o nome e o preço.

      Nessa luta eu não tomo partido e nem me afeta muito, porém sei que o barulho que a categoria faz, e que não é pouco, não vai dar em nada, pois essa é uma briga perdida. Pode ganhar o primeiro round e até nem ser nocauteada, mas, no final perderá. Não dá para brigar com a tecnologia, ela continuará se desenvolvendo independente da nossa vontade.